As tarefas dos comunistas

José Catalino (Membro da Comissão Política do CC do PCP)
O resultado das eleições legislativas de 20 de Fevereiro, nos três distritos do Alentejo (Beja, Évora e Portalegre) traduziram-se na maior derrota dos partidos de direita PSD/PP dos últimos 25 anos sendo estes os únicos distritos do País onde nenhum destes partidos consegue eleger qualquer deputado.

Os alentejanos podem, como sempre, contar com o PCP para continuar a luta

Ao contrário a CDU ao manter a eleição de dois deputados – um por Beja e outro por Évora – e ao subir em numero absoluto de votos nos três círculos eleitorais e nos 4 concelhos do litoral Alentejano, alcançou um importante resultado eleitoral. O resultado conseguido pela CDU contraria todos os vaticínios daqueles que vinham declarando a irreversível perda de influência dos comunistas no Alentejo e confirmam o PCP e a CDU como uma força incontornável na região. A votação obtida pelo PS e em particular pela CDU são o testemunho, por um lado, do protesto pela política dos partidos de direita levada a cabo nos últimos 3 anos e, por outro, da profunda aspiração dos alentejanos a uma política de esquerda que inverta os indicadores negativos que caracterizam a região, em resultado das más políticas praticadas pelos sucessivos governos do PS e do PSD sozinhos, ou acompanhados pelo CDS/PP, nos últimos 29 anos.
Os alentejanos sabem que o seu voto dado à CDU é um voto que contou para derrotar os partidos de direita e que contará sempre para contrariar a continuação de uma política de direita. Os alentejanos sabem que os comunistas irão continuar a luta para que o Alentejo não seja a região do País com os maiores índices de desemprego e precariedade do emprego, para que na região se trave o envelhecimento e desertificação humana e para que se altere o peso económico da região no produto interno bruto nacional. Os alentejanos podem contar com o PCP para continuar a luta por um Plano Estratégico de Desenvolvimento Regional, que clarifique políticas de ordenamento e Planeamento do território, que defina as estratégias de desenvolvimento, que integrem os grandes projectos estruturantes e assegurem uma base económica diversificada. Os alentejanos sabem que o seu voto conta para dar mais força à reivindicação de há muitos anos para que o Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva seja posto ao serviço da região, acelerando o plano de rega e assegurando a reestruturação fundiária indispensável nas terras beneficiadas pelo investimento público de Alqueva. Os alentejanos podem continuar a contar com o PCP para levantar a voz na Assembleia da Republica, da necessidade de uma nova Reforma Agrária, que possibilite o acesso à terra aos trabalhadores agrícolas e aos pequenos e médios agricultores. A população alentejana sabe que o voto na CDU vai continuar a servir para continuar a luta por um plano rodoviário que assegure a conclusão das obras do IP2/Niza-Ourique, IP8/Sines-Ficalho, IC13/Mora-Portalegre, IC33/ Sines-Évora, IC27/Mértola-Vila Real de Santo António, IC14/Sines-Lagos e reafirmar a necessidade da modernização da rede ferroviária que assegure uma eficaz ligação das 4 sub-regiões alentejanas entre si e entre estas e Lisboa, Algarve, Madrid e Sevilha.

Não perder a perspectiva da sociedade nova

Os trabalhadores e a população alentejana sabem que o PCP sempre honrou os seus compromissos. É assim hoje como o foi ao longo dos 84 anos de existência do PCP, 84 anos de luta constante por melhores condições de vida e trabalho dos portugueses, sem perdermos nunca a perspectiva da construção no nosso País de uma sociedade liberta de todas as formas de opressão e exploração, uma sociedade socialista, uma sociedade comunista.
Temos legítimo orgulho nos milhares de homens, mulheres e jovens que construíram este Partido e que a essa tarefa dedicaram toda a sua inteligência, a sua coragem, a sua determinação, a sua vida. Temos legítimo orgulho em sermos os dignos continuadores desses milhares de camaradas. O reforço orgânico do PCP, o recrutamento, em especial de mais mulheres e jovens, o rejuvenescimento, a responsabilização de mais quadros, a realização de assembleias da organização, o contacto com os membros do Partido para a clarificação da sua situação perante o colectivo partidário são algumas das tarefas apontadas pelo XVII Congresso, realizado no passado mês de Novembro em Almada e do qual saímos com muito mais força, motivação, alegria e confiança, colocou a todas as organizações do Partido. É também necessário dar particular atenção para o êxito do nosso trabalho, quer seja na defesa dos trabalhadores e da população mais desfavorecida, quer seja para melhor enfrentar a próxima batalha eleitoral de Outubro.


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