Perigos e resistência
19 de Março, nas manifestações de Lisboa e Porto, vamos todos juntar a nossa voz!
Os colossais desequilíbrios da maior potência capitalista estão-se a agravar rapidamente. O défice comercial dos EUA em mercadorias e serviços foi, em 2004, de 617,7 mil milhões de dólares (Economic Policy Institute, www.epinet.org), um valor recorde. Já em Janeiro registou-se um saldo mensal negativo de 58,3 mil milhões, o segundo pior de sempre (www.census.gov/foreign-trade). Isto, apesar da desvalorização do dólar desde 2002. O maior saldo negativo é com a China, país que acaba de ultrapassar os EUA, pela primeira vez, como maior parceiro comercial do Japão (Financial Times, 26.1.05). Entretanto, o orçamento de Estado dos EUA não pára de se afundar. Em 2004 registou um défice recorde de 412 mil milhões de dólares. Para 2005 prevê-se um buraco de 427 mil milhões (Washington Post, 26.1.05). Uma das principais causas deste agravamento das contas públicas dos EUA são os custos das suas guerras, que desde o 11 de Setembro totalizam (oficialmente) 277 mil milhões de dólares: mais do que os EUA pagaram (em termos reais) na I Guerra Mundial (WP, 26.1.05). Os EUA são hoje o país mais endividado do mundo. A sua dívida pública em 10 de Março era $7.750.514.131.991 (www.publicdebt.treas.gov), mais de 1000 dólares por cada ser humano! Por outras palavras: os EUA vivem muito acima dos seus meios. Parasitam a economia mundial. A situação é insustentável. Para combater o défice comercial, os EUA terão de desvalorizar acentuadamente a sua moeda. Isso significará perdas enormes para quem a detiver. Os Bancos Centrais já começaram as vendas de dólares. Todos temem que a corrida se torne uma debandada, lançando a economia dos EUA (e do planeta) numa crise de enormes proporções. A agressividade homicida do imperialismo norte-americano passa também por aqui.
Na Europa têm-nos dito que Bush estaria mais dialogante. Mas os factos desmentem todos os dias esta visão cor-de-rosa: a recondução ou promoção dos elementos mais reaccionários no seu governo; a nomeação do fascistóide John Bolton como novo Embaixador na ONU (organização que sempre desprezou); o pedido do Ministro da Defesa Rumsfeld para retomar o programa de armas nucleares anti-abrigo - as «bunker busters» (AFP, 2.2.05); as ameaças de um ataque israelita ao Irão (Haaretz, 22.2.05) e o apoio manifestado quer pelo Vice-Presidente Cheney (Los Angeles Times, 21.1.05) quer por Bush (Daily Telegraph, 18.2.05); a tentativa de golpe no Líbano e as ameaças contra a Síria (ameaças antigas: o Parlamento americano já havia aprovado sanções contra esse país em 2003); as declarações da CIA considerando a China «uma ameaça para as forças dos EUA» na Ásia (Financial Times, 16.2.05); a inclusão, por Condoleeza Rice, na lista do «eixo do Mal» (agora re-baptizado «fortalezas da tirania») de Cuba, Bielorússia, Zimbabwe e Birmânia (BBC, 19.1.05); a multiplicação de denúncias da prática regular de torturas pelos EUA (NY Times, 18.2.05; Independent, 1.12.04; AP, 17.2.05), incluíndo contra o motorista dos jornalistas franceses raptados e libertados, Chesnot e Malbrunot (Il Manifesto, 7.1.05)! O general americano que declarou publicamente que «matar é divertido» (Herald Tribune, 5.2.05) e as tropas dos EUA que mataram o agente secreto italiano que acompanhava a jornalista raptada de volta para Roma revelam com eloquência quão velho é o «novo Bush».
Não espanta que os países que se sentem ameaçados, de uma forma ou outra, pela ofensiva hegemónica do imperialismo, estejam a começar a coordenar a sua acção. Cuba, Venezuela, Irão, China, Síria, Rússia, Índia, Brasil e outros países têm protagonizado, em particular nos últimos três meses, uma sucessão intensa de contactos bilaterais, acordos económicos (em particular energéticos) e/ou militares. A resistência vai-se, inevitavelmente, organizando. Os trabalhadores e povos têm uma palavra decisiva a dizer, a esse respeito. Este sábado, 19 de Março, nas manifestações de Lisboa e Porto, vamos todos juntar a nossa voz!
Na Europa têm-nos dito que Bush estaria mais dialogante. Mas os factos desmentem todos os dias esta visão cor-de-rosa: a recondução ou promoção dos elementos mais reaccionários no seu governo; a nomeação do fascistóide John Bolton como novo Embaixador na ONU (organização que sempre desprezou); o pedido do Ministro da Defesa Rumsfeld para retomar o programa de armas nucleares anti-abrigo - as «bunker busters» (AFP, 2.2.05); as ameaças de um ataque israelita ao Irão (Haaretz, 22.2.05) e o apoio manifestado quer pelo Vice-Presidente Cheney (Los Angeles Times, 21.1.05) quer por Bush (Daily Telegraph, 18.2.05); a tentativa de golpe no Líbano e as ameaças contra a Síria (ameaças antigas: o Parlamento americano já havia aprovado sanções contra esse país em 2003); as declarações da CIA considerando a China «uma ameaça para as forças dos EUA» na Ásia (Financial Times, 16.2.05); a inclusão, por Condoleeza Rice, na lista do «eixo do Mal» (agora re-baptizado «fortalezas da tirania») de Cuba, Bielorússia, Zimbabwe e Birmânia (BBC, 19.1.05); a multiplicação de denúncias da prática regular de torturas pelos EUA (NY Times, 18.2.05; Independent, 1.12.04; AP, 17.2.05), incluíndo contra o motorista dos jornalistas franceses raptados e libertados, Chesnot e Malbrunot (Il Manifesto, 7.1.05)! O general americano que declarou publicamente que «matar é divertido» (Herald Tribune, 5.2.05) e as tropas dos EUA que mataram o agente secreto italiano que acompanhava a jornalista raptada de volta para Roma revelam com eloquência quão velho é o «novo Bush».
Não espanta que os países que se sentem ameaçados, de uma forma ou outra, pela ofensiva hegemónica do imperialismo, estejam a começar a coordenar a sua acção. Cuba, Venezuela, Irão, China, Síria, Rússia, Índia, Brasil e outros países têm protagonizado, em particular nos últimos três meses, uma sucessão intensa de contactos bilaterais, acordos económicos (em particular energéticos) e/ou militares. A resistência vai-se, inevitavelmente, organizando. Os trabalhadores e povos têm uma palavra decisiva a dizer, a esse respeito. Este sábado, 19 de Março, nas manifestações de Lisboa e Porto, vamos todos juntar a nossa voz!