Boicote à Shell na Argentina
As vendas da Shell na Argentina caíram cerca de 70 por cento na sequência do apelo do presidente do país, Néstor Kirchner, ao boicote à empresa petrolífera em retaliação pela subida do preços dos combustíves, anunciou no início da semana a Federação de Empresários de Combustíveis (Fecra).
«A empresa (Shell) está a fazer um estudo comparando as vendas da última semana com as da anterior. Os vendedores de combustível da Shell falam numa queda de cerca de 70 por cento nas vendas», disse o presidente de Fecra, Carlos Calabró, citado pelo diário brasileiro Vermelho.
A Presidência da República publicou no domingo um anúncio nos jornais incentivando os argentinos ao boicote geral ao aumento de preços.
Sob o slogan «Digamos todos nós: se aumenta, não compro», o anúncio advertia que «mais uma vez, os argentinos devem enfrentar as pressões dos que sempre apostam no nosso fracasso como sociedade e como país» e disponibilizava um número de telefone gratuito para defesa do consumidor.
«(Os empresários) têm a liberdade de decidir como e quando aumentar. Nós temos o direito de dizer: aí não compro», lia-se no texto.
Após o surpreendente apelo de Kirchner para que a população não comprasse «nem uma lata de óleo» da Shell, os postos da companhia foram ocupados por manifestantes, sem que a polícia tenha reprimido os protestos.
O governo argentino admite alargar o boicote a outros sectores da economia em que se tenham registado aumentos abusivos de preços. A subsecretária de Defesa do Consumidor, Patricia Narvaja, afirmou ao jornal Página 12 que estão a ser analisados os aumentos de preços da carne, chá e peixe, não excluindo que também aqui venham a ser tomada «acções colectivas».
Uruguaia Sol anula aumentos
Entretanto, a petrolífera estatal uruguaia Sol anulou na segunda-feira o aumento dos preços de combustível para o mercado argentino anunciado sexta-feira passada. A decisão é da responsabilidade do recém-empossado presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, e foi tomada após negociações com o governo argentino. A Sol possui 168 postos na Argentina e comercializa cerca de 2% da gasolina consumida no país.
Resta saber agora qual vai ser o comportamento de outra petrolífera presente no mercado, a Esso, que também actualizou as suas tarifas na semana passada (de 2,6% a 4,2%). A Shell e Esso detêm aproximadamente um terço do mercado argentino, cuja liderança está nas mãos da espanhola Repsol. Tanto a Repsol como a brasileira Petrobras — que ao contrário das restantes produzem na Argentina — já descartaram a possibilidade de aumentar os preços.
«A empresa (Shell) está a fazer um estudo comparando as vendas da última semana com as da anterior. Os vendedores de combustível da Shell falam numa queda de cerca de 70 por cento nas vendas», disse o presidente de Fecra, Carlos Calabró, citado pelo diário brasileiro Vermelho.
A Presidência da República publicou no domingo um anúncio nos jornais incentivando os argentinos ao boicote geral ao aumento de preços.
Sob o slogan «Digamos todos nós: se aumenta, não compro», o anúncio advertia que «mais uma vez, os argentinos devem enfrentar as pressões dos que sempre apostam no nosso fracasso como sociedade e como país» e disponibilizava um número de telefone gratuito para defesa do consumidor.
«(Os empresários) têm a liberdade de decidir como e quando aumentar. Nós temos o direito de dizer: aí não compro», lia-se no texto.
Após o surpreendente apelo de Kirchner para que a população não comprasse «nem uma lata de óleo» da Shell, os postos da companhia foram ocupados por manifestantes, sem que a polícia tenha reprimido os protestos.
O governo argentino admite alargar o boicote a outros sectores da economia em que se tenham registado aumentos abusivos de preços. A subsecretária de Defesa do Consumidor, Patricia Narvaja, afirmou ao jornal Página 12 que estão a ser analisados os aumentos de preços da carne, chá e peixe, não excluindo que também aqui venham a ser tomada «acções colectivas».
Uruguaia Sol anula aumentos
Entretanto, a petrolífera estatal uruguaia Sol anulou na segunda-feira o aumento dos preços de combustível para o mercado argentino anunciado sexta-feira passada. A decisão é da responsabilidade do recém-empossado presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, e foi tomada após negociações com o governo argentino. A Sol possui 168 postos na Argentina e comercializa cerca de 2% da gasolina consumida no país.
Resta saber agora qual vai ser o comportamento de outra petrolífera presente no mercado, a Esso, que também actualizou as suas tarifas na semana passada (de 2,6% a 4,2%). A Shell e Esso detêm aproximadamente um terço do mercado argentino, cuja liderança está nas mãos da espanhola Repsol. Tanto a Repsol como a brasileira Petrobras — que ao contrário das restantes produzem na Argentina — já descartaram a possibilidade de aumentar os preços.