Repressão na Guatemala
O exército e a polícia guatemaltecos reprimiram brutalmente, dia 14, as manifestações pacíficas de protesto contra o Tratado de Livre Comércio (TLC).
«80 por cento da população vivem em condições de pobreza»
Em várias regiões da Guatemala, a população saiu à rua no início da semana - em resposta ao apelo do Movimento Indígena, Campesino, Sindical e Popular (MICSP) - para protestar contra a ratificação do TLC com os Estados Unidos. Na capital, as manifestações terminaram em violentos confrontos com a Polícia Nacional Civil e o exército, que se saldaram em meia centena de feridos e afectados pelos gases lacrimogéneos, e um número indeterminado de detenções.
De acordo com informações da Prensa Latina, que cita rádios locais, entre os feridos conta-se uma criança de dois anos e pelo menos um jornalista atingido com uma bomba lacrimogénea no rosto.
A carga policial ocorreu durante a tarde, quando os manifestantes tentavam concentrar-se junto ao Congresso Nacional e à Casa Presidencial, exigindo ser recebidos pelo presidente Oscar Berger. Na parte da manhã, cerca de mil e quinhentas pessoas marcharam em frente à embaixada dos EUA, onde escreveram palavras de ordem como «fora gringos» e «não ao TLC».
Segundo o MICSP, participaram no protesto, em todo o país, mais de 10 mil pessoas. A Guatemala é o terceiro país centro-americano a subscrever o Tratado, após a sua ratificação pelos parlamentos das Honduras e de El Salvador.
Cedência a Washington
No final da semana passada, o Congresso Nacional guatemalteco deu luz verde ao Tratado de Livre Comércio entre a América Central, República Dominicana e Estados Unidos, cujo polémico texto já havia sido subscrito pelo presidente do país em Maio de 2004.
De acordo com a organização humanitária Centro para a Acção Legal em Direitos Humanos (CALDH), os protestos populares contra o TLC e as concessões mineiras «são resultado da imposição e da falta de diálogo das altas instâncias do governo e dos deputados ao Congresso».
Em vez de ouvir as petições e propostas da sociedade civil, afirma o CALDH, o governo de Oscar Berger aceita as pressões de Washington e das grandes transnacionais que, na sua opinião, vão ser as únicas a beneficiar com o TLC.
O Centro exige que Berger e o Congresso retomem o diálogo com os sectores que contestam o tratado (conhecido como CAFTA, na sigla em inglês), «sem criminalizar o legítimo protesto social».
Também várias organizações de solidariedade norte-americanas, membros da coligação STOP-CAFTA, denunciaram a violência policial na Guatemala e manifestaram o seu apoio à exigência de uma consulta popular para decidir o futuro do Tratado, que alguns sectores consideram ser inconstitucional.
A liberalização do comércio consagrada no TLC ameaça tornar ainda mais dramática a sobrevivência da maioria da população da Guatemala, onde actualmente 80 por cento vivem em condições de pobreza e de pobreza extrema.
De acordo com informações da Prensa Latina, que cita rádios locais, entre os feridos conta-se uma criança de dois anos e pelo menos um jornalista atingido com uma bomba lacrimogénea no rosto.
A carga policial ocorreu durante a tarde, quando os manifestantes tentavam concentrar-se junto ao Congresso Nacional e à Casa Presidencial, exigindo ser recebidos pelo presidente Oscar Berger. Na parte da manhã, cerca de mil e quinhentas pessoas marcharam em frente à embaixada dos EUA, onde escreveram palavras de ordem como «fora gringos» e «não ao TLC».
Segundo o MICSP, participaram no protesto, em todo o país, mais de 10 mil pessoas. A Guatemala é o terceiro país centro-americano a subscrever o Tratado, após a sua ratificação pelos parlamentos das Honduras e de El Salvador.
Cedência a Washington
No final da semana passada, o Congresso Nacional guatemalteco deu luz verde ao Tratado de Livre Comércio entre a América Central, República Dominicana e Estados Unidos, cujo polémico texto já havia sido subscrito pelo presidente do país em Maio de 2004.
De acordo com a organização humanitária Centro para a Acção Legal em Direitos Humanos (CALDH), os protestos populares contra o TLC e as concessões mineiras «são resultado da imposição e da falta de diálogo das altas instâncias do governo e dos deputados ao Congresso».
Em vez de ouvir as petições e propostas da sociedade civil, afirma o CALDH, o governo de Oscar Berger aceita as pressões de Washington e das grandes transnacionais que, na sua opinião, vão ser as únicas a beneficiar com o TLC.
O Centro exige que Berger e o Congresso retomem o diálogo com os sectores que contestam o tratado (conhecido como CAFTA, na sigla em inglês), «sem criminalizar o legítimo protesto social».
Também várias organizações de solidariedade norte-americanas, membros da coligação STOP-CAFTA, denunciaram a violência policial na Guatemala e manifestaram o seu apoio à exigência de uma consulta popular para decidir o futuro do Tratado, que alguns sectores consideram ser inconstitucional.
A liberalização do comércio consagrada no TLC ameaça tornar ainda mais dramática a sobrevivência da maioria da população da Guatemala, onde actualmente 80 por cento vivem em condições de pobreza e de pobreza extrema.