A sério!
Termina esta semana a campanha eleitoral e impõe-se algum registo.
Como é infrutífero deslindar quem paga o quê e a quem nas campanhas, registe-se apenas o absurdo do esbanjamento de fortunas em tempo de matraqueada crise, simplesmente para publicitar rostos e, atrás deles, esconder intenções – as tais que, até hoje, só se revelam quando se chega à governança a cavalo nos votos.
Começando pelo Bloco de Esquerda, constata-se que foi tão obsessivo o atrelamento ao PS, que um dos seus dirigentes, o iluminado Miguel Portas, se descuidou a proclamar, em Almada, que «o voto no PS é um voto que expressa a vontade que algo comece a mudar», enquanto, irreprimivelmente abacial, a estrela da companhia, Francisco Louçã, apontava a dedo o PCP para lhe chamar «esquerda fria», mas elidindo que o «Bloco» se apropriava tranquilamente das ideias mais «quentes» desse PCP, como por exemplo a luta contra o aborto clandestino, ao mesmo tempo que escaldava na alucinação de subir ao terceiro lugar nas eleições.
Nesta obcecação por mais votos, o «Bloco» e os bloquistas têm esquecido estoicamente que são uma manta de retalhos ou o tal «depósito geral de adidos» onde vagueia a «nova esquerda» inventada pelo velho esquerdismo da UDP e do PSR.
Seria interessante ver o que aconteceria à manta, se caíssem das urnas mais umas cadeiritas à mesa do poder...
Quanto ao CDS/PP, consta que se gastou um milhão de contos num enorme espalhafato: ele são cartazes gigantescos por tudo o que é sítio e com o «chefe» sempre à frente, ele é uma tenda que monta, literalmente, uma barraca diária em cada cidade para o «chefe» falar a multidões não só vigiadas como escolhidas, ele é uma salgalhada do «chefe» em «actos oficiais» e «acções de campanha», tudo numa mixórdia onde quem paga o grosso é o erário público, ele é o «chefe» ao infinito atacando furiosamente a peregrina tese de que este «chefe», Paulo Portas de sua pose (de Estado, evidentemente), não teve nada a ver com os desmandos da governação que viabilizou e, em muitos casos, dirigiu ao longo dos últimos três anos.
Por isso gaba-se do que não fez, nega o que fez e promete que há-de fazer muito mais, num assanhado estrebuchar pela sobrevivência política que não poupa e apupa seja o que for.
Em relação ao PSD de Santana Lopes, a sua campanha já parece um cotejo do título A Nave dos Loucos, bastando respigar, ao acaso, algumas das guinadas diárias que aquelas cabeças inventam, seja a «conspiração» das empresas de sondagens, a «maquinação» do jornalismo em geral ou «os ataques dos grandes interesses» - sempre contra o pobre Santana - quando este «meteu a mão no pote do mel» e «assanhou as abelhas», seja lá isso o que for.
Finalmente, o PS de José Sócrates faz lembrar a célebre «escola do elogio mútuo» de que falava Antero para demolir Castilho, só que agora os Castilhos emergem dos escombros do guterrismo e acantonam-se, pletóricos com o poder que de novo vibra no ar, à sombra do actual secretário-geral que, como de costume, se esmera em discursos redondos, que viajam imenso a rodar no mesmo sítio.
No meio disto tudo, não há um projecto de País, um estudo dos problemas, uma simples ideia com princípio, meio e fim: tudo se resume à promessa desbragada, ao insulto indecoroso e à volúpia da caça ao voto que, sem excepção, é a cartilha por onde toda esta gente lê, com mais ou menos palavreado «de esquerda» ou retintamente de direita.
É por isso que, no próximo dia 20, votar na CDU constitui, irrevogavelmente, a única alternativa a quem quer mudar a sério.
Como é infrutífero deslindar quem paga o quê e a quem nas campanhas, registe-se apenas o absurdo do esbanjamento de fortunas em tempo de matraqueada crise, simplesmente para publicitar rostos e, atrás deles, esconder intenções – as tais que, até hoje, só se revelam quando se chega à governança a cavalo nos votos.
Começando pelo Bloco de Esquerda, constata-se que foi tão obsessivo o atrelamento ao PS, que um dos seus dirigentes, o iluminado Miguel Portas, se descuidou a proclamar, em Almada, que «o voto no PS é um voto que expressa a vontade que algo comece a mudar», enquanto, irreprimivelmente abacial, a estrela da companhia, Francisco Louçã, apontava a dedo o PCP para lhe chamar «esquerda fria», mas elidindo que o «Bloco» se apropriava tranquilamente das ideias mais «quentes» desse PCP, como por exemplo a luta contra o aborto clandestino, ao mesmo tempo que escaldava na alucinação de subir ao terceiro lugar nas eleições.
Nesta obcecação por mais votos, o «Bloco» e os bloquistas têm esquecido estoicamente que são uma manta de retalhos ou o tal «depósito geral de adidos» onde vagueia a «nova esquerda» inventada pelo velho esquerdismo da UDP e do PSR.
Seria interessante ver o que aconteceria à manta, se caíssem das urnas mais umas cadeiritas à mesa do poder...
Quanto ao CDS/PP, consta que se gastou um milhão de contos num enorme espalhafato: ele são cartazes gigantescos por tudo o que é sítio e com o «chefe» sempre à frente, ele é uma tenda que monta, literalmente, uma barraca diária em cada cidade para o «chefe» falar a multidões não só vigiadas como escolhidas, ele é uma salgalhada do «chefe» em «actos oficiais» e «acções de campanha», tudo numa mixórdia onde quem paga o grosso é o erário público, ele é o «chefe» ao infinito atacando furiosamente a peregrina tese de que este «chefe», Paulo Portas de sua pose (de Estado, evidentemente), não teve nada a ver com os desmandos da governação que viabilizou e, em muitos casos, dirigiu ao longo dos últimos três anos.
Por isso gaba-se do que não fez, nega o que fez e promete que há-de fazer muito mais, num assanhado estrebuchar pela sobrevivência política que não poupa e apupa seja o que for.
Em relação ao PSD de Santana Lopes, a sua campanha já parece um cotejo do título A Nave dos Loucos, bastando respigar, ao acaso, algumas das guinadas diárias que aquelas cabeças inventam, seja a «conspiração» das empresas de sondagens, a «maquinação» do jornalismo em geral ou «os ataques dos grandes interesses» - sempre contra o pobre Santana - quando este «meteu a mão no pote do mel» e «assanhou as abelhas», seja lá isso o que for.
Finalmente, o PS de José Sócrates faz lembrar a célebre «escola do elogio mútuo» de que falava Antero para demolir Castilho, só que agora os Castilhos emergem dos escombros do guterrismo e acantonam-se, pletóricos com o poder que de novo vibra no ar, à sombra do actual secretário-geral que, como de costume, se esmera em discursos redondos, que viajam imenso a rodar no mesmo sítio.
No meio disto tudo, não há um projecto de País, um estudo dos problemas, uma simples ideia com princípio, meio e fim: tudo se resume à promessa desbragada, ao insulto indecoroso e à volúpia da caça ao voto que, sem excepção, é a cartilha por onde toda esta gente lê, com mais ou menos palavreado «de esquerda» ou retintamente de direita.
É por isso que, no próximo dia 20, votar na CDU constitui, irrevogavelmente, a única alternativa a quem quer mudar a sério.