Desfaçatez e impunidade
A ausência das questões de política externa e de defesa no debate eleitoral não é inocente
Se há questão que tem estado arredada da campanha eleitoral, essa questão é a política externa e de defesa e com ela as grandes questões da situação internacional e do desenvolvimento mundial.
Entretanto trata-se de questões absolutamente decisivas para o presente e o futuro de Portugal e dos portugueses. Mais de 28 anos de políticas de abdicação nacional e de submissão às grandes potências estrangeiras criaram amarras fortíssimas que condicionam dramaticamente o desenvolvimento independente e progressista do país, amarras que para serem cortadas exigem precisamente o contrário daquilo que sucessivos governos do PS, PSD e CDS têm feito: uma política de brio patriótico e independência nacional, centrada na defesa firme dos interesses do povo e da nação portuguesa e orientada pelos valores da paz, da amizade e da cooperação internacional. E mais ainda, exige a vigilância e mobilização nacional para rechaçar previsíveis pressões e ingerências do imperialismo que, como bem se vê por esse mundo fora, declarou guerra à soberania dos Estados para assegurar a mais ampla liberdade de movimentos à política exploradora dos grandes grupos económicos multi e transnacionais.
Um novo rumo, de esquerda, para Portugal exige viragens e rupturas em matéria de política externa e relações internacionais – nomeadamente no quadro «euro-atlântico», em relação à União Européia e à NATO e frente às orientações neoliberais, militaristas e anti-democráticas conjunturalmente dominantes – viragens e rupturas impossíveis sem uma consciência nacional esclarecida e sem o apoio popular a decisões políticas – contra as ruinosas imposições do Pacto de Estabilidade, rejeição da chamada «Constituição europeia», completa retirada das forças da GNR do Iraque e fim de qualquer envolvimento em operações de agressão e ocupação imperialista, proteção da indústria têxtil e outros sectores de vital interesse nacional,.... – que com grande probabilidade serão alvo de inaceitáveis pressões e retaliações externas.
Claro que a ausência das questões de política externa e de defesa no debate eleitoral não é inocente. Bem pelo contrário, é um acto deliberado do bloco central de interesses para que a identidade de posições entre o PS, PSD e CDS também nesta matéria de decisiva importância nacional não prejudique a dinâmica bipolarizadora que pretendem imprimir à campanha e, sobretudo, para que a posição de abdicação nacional que está a comprometer o futuro soberano e independente de Portugal, não venha (justamente) a premiar nas urnas a posição patriótica e internacionalista do PCP e da CDU.
Entretanto importantes acontecimentos da vida internacional não têm praticamente qualquer eco numa campanha dominada pelo poder económico, a manipulação mediática e a instrumentalização do aparelho de Estado. É o caso das provocatórias conceptualizações e ameaças agressivas da segunda administração Bush, das perigosas evoluções no Iraque e em todo o Médio Oriente, da próxima visita de Bush à Europa com o objectivo de fortalecer e instrumentalizar o «elo transatlântico», das operações de manipulação em torno do drama da fome no mundo, entre muitos outros, sem esquecer grandes mobilizações populares como a de França pelas 35 horas. Aliás, para os partidos que se têm revezado no poder Portugal não tem que ter opinião e posição própria. As grandes potências decidem em seu nome, basta copiar e correr atrás. É a isto que chamam «consenso de Estado», e é isto que leva Paulo Portas com toda a desfaçatez e pondo-se a jeito para eventuais entendimentos com o PS, a considerar (Expresso de 5.02.05) como «valores essenciais» para Portugal «a fidelidade ao projecto da NATO e ao projecto europeu» ao mesmo tempo que se reclama de «O voto útil para Portugal». A impunidade de um tal insulto à inteligência dos portugueses só é possível porque o CDS, como aliás o PSD e o PS não são confrontados com o debate democrático que se impunha.
Entretanto trata-se de questões absolutamente decisivas para o presente e o futuro de Portugal e dos portugueses. Mais de 28 anos de políticas de abdicação nacional e de submissão às grandes potências estrangeiras criaram amarras fortíssimas que condicionam dramaticamente o desenvolvimento independente e progressista do país, amarras que para serem cortadas exigem precisamente o contrário daquilo que sucessivos governos do PS, PSD e CDS têm feito: uma política de brio patriótico e independência nacional, centrada na defesa firme dos interesses do povo e da nação portuguesa e orientada pelos valores da paz, da amizade e da cooperação internacional. E mais ainda, exige a vigilância e mobilização nacional para rechaçar previsíveis pressões e ingerências do imperialismo que, como bem se vê por esse mundo fora, declarou guerra à soberania dos Estados para assegurar a mais ampla liberdade de movimentos à política exploradora dos grandes grupos económicos multi e transnacionais.
Um novo rumo, de esquerda, para Portugal exige viragens e rupturas em matéria de política externa e relações internacionais – nomeadamente no quadro «euro-atlântico», em relação à União Européia e à NATO e frente às orientações neoliberais, militaristas e anti-democráticas conjunturalmente dominantes – viragens e rupturas impossíveis sem uma consciência nacional esclarecida e sem o apoio popular a decisões políticas – contra as ruinosas imposições do Pacto de Estabilidade, rejeição da chamada «Constituição europeia», completa retirada das forças da GNR do Iraque e fim de qualquer envolvimento em operações de agressão e ocupação imperialista, proteção da indústria têxtil e outros sectores de vital interesse nacional,.... – que com grande probabilidade serão alvo de inaceitáveis pressões e retaliações externas.
Claro que a ausência das questões de política externa e de defesa no debate eleitoral não é inocente. Bem pelo contrário, é um acto deliberado do bloco central de interesses para que a identidade de posições entre o PS, PSD e CDS também nesta matéria de decisiva importância nacional não prejudique a dinâmica bipolarizadora que pretendem imprimir à campanha e, sobretudo, para que a posição de abdicação nacional que está a comprometer o futuro soberano e independente de Portugal, não venha (justamente) a premiar nas urnas a posição patriótica e internacionalista do PCP e da CDU.
Entretanto importantes acontecimentos da vida internacional não têm praticamente qualquer eco numa campanha dominada pelo poder económico, a manipulação mediática e a instrumentalização do aparelho de Estado. É o caso das provocatórias conceptualizações e ameaças agressivas da segunda administração Bush, das perigosas evoluções no Iraque e em todo o Médio Oriente, da próxima visita de Bush à Europa com o objectivo de fortalecer e instrumentalizar o «elo transatlântico», das operações de manipulação em torno do drama da fome no mundo, entre muitos outros, sem esquecer grandes mobilizações populares como a de França pelas 35 horas. Aliás, para os partidos que se têm revezado no poder Portugal não tem que ter opinião e posição própria. As grandes potências decidem em seu nome, basta copiar e correr atrás. É a isto que chamam «consenso de Estado», e é isto que leva Paulo Portas com toda a desfaçatez e pondo-se a jeito para eventuais entendimentos com o PS, a considerar (Expresso de 5.02.05) como «valores essenciais» para Portugal «a fidelidade ao projecto da NATO e ao projecto europeu» ao mesmo tempo que se reclama de «O voto útil para Portugal». A impunidade de um tal insulto à inteligência dos portugueses só é possível porque o CDS, como aliás o PSD e o PS não são confrontados com o debate democrático que se impunha.