«Pacto de Regime» – a manobra recorrente

Carlos Gonçalves
Desde Fevereiro, da assembleia dos «beatos» do «Compromisso Portugal», que a questão dos «Pactos de Regime» não tinha, na «agenda político-mediática», que o respectivo poder económico determina, a dimensão e relevância que agora assumiu.
Na altura, em vésperas de eleições para o Parlamento Europeu, o PCP clarificou como objectivos daquele «movimento» – absolver as políticas de direita pelo estado do país, garantir a polarização da riqueza conforme os interesses de classe dominantes e assegurar a prazo mais do mesmo.
Já se percebeu que as coisas não são agora muito diferentes.
No fundo esta é uma manobra recorrente para as dificuldade, quando importa aos grandes interesses pressionar a continuidade das suas políticas de direita, sejam ou não concretizadas pela direita «quimicamente pura».
Desta feita tudo começou (?) no Expresso, pouco depois de ser conhecido o quadro de eleições antecipadas. Foi o Arquitecto Saraiva que estendeu a passadeira vermelha para o PR promover um «acordo de regime» entre PS e PSD e, entre as matérias propostas, além dos dogmas neoliberais de combate ao défice e redução da despesa do Estado, tratava-se de salvaguardar «os mesmos objectivos independentemente do Governo», o que, dizia ele, podia até incluír aspectos da «Lei das Rendas».
Objectivamente, as actuais propostas do PR às «principais forças políticas» vão no mesmo sentido – «acordos» para, nomeadamente, «finanças sãs e economia competitiva» e para a gestão da saúde e da segurança social. Ou seja, «consensos» entre PS e PSD, em tudo semelhantes aos mais recentes de revisão da Constituição, das «secretas», ou das leis dos partidos, para prosseguir as mesmíssimas políticas de direita destes vinte oito anos, e para as levar mais longe, com a «estabilidade política» de «protagonistas» com «credibilidade e competência».
E mesmo que isto não seja uma indicação de voto (embora pareça), o facto é que encaixa direitinho nas leituras do Arquitecto Saraiva e outros escribas quejandos – a direita já perdeu (!), e agora o que importa é que prossiga no essencial a mesma política de direita, sustentada por um bloco central inorgânico e concretizada por um governo PS.
E a Direcção do PS põs-se a jeito destes interesses e saliva pelo «poder absoluto» para os servir. Por isso é preciso votar CDU contra a direita e as políticas de direita, por uma mudança a sério.


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