O passeio
A «reunião do Conselho de Ministros» realizada há dias no navio-escola Sagres deixou o País atónito, pois obviamente ninguém percebeu o que podia o Governo da Nação decidir de especial numa saleta apertada (inevitável em qualquer veleiro), onde - como se viu na propaganda que passou na televisão disfarçada de notícia – os ministros se acotovelavam manifestamente constrangidos apesar de muito sorridentes, todos apenas com direito a uma nesga de mesa decorada com um copo de água e um bloco de apontamentos, enquanto à cabeceira o Primeiro-Ministro Santana Lopes sorria para a posteridade, evidente capitão-mor daquela ideia genial de levar o Executivo, de cambulhada, para um barco felizmente ancorado no Estuário do Tejo, não fosse a ondulação tecê-las e desatasse a pôr a ministerial comitiva a gritar pelo Gregório.
É claro que o Executivo não decidiu nada que se visse ou justificasse a iniciativa e nem para isso fora organizado o entremez marítimo.
A essência da coisa estava nos blusões e bonés expressamente encomendados para os ilustres visitantes que, assim fardados em uniforme de alta-costura, ficaram prontos para o desfile que se pretendia: o que mostrava, a esta pátria de navegadores, um garboso Executivo todo vestido de marinheiro-de-água-doce.
Mas esta originalidade do Governo de Santana Lopes em reunir fora de portas – que é como quem diz, longe das instalações do Conselho de Ministros – está também longe de ser uma bizarria.
É mesmo um facto e uma constante, tal a insistência e a regularidade com que foi sendo realizada ao longo dos pouco mais de três meses que este Governo leva de exercício.
Veja-se.
Logo a 30 de Julho, mal tomara posse, Santana Lopes resolveu que o seu terceiro Conselho de Ministros tinha de arejar os dourados, pelo que rumou ao Porto e, no luxo do Palácio do Freixo, reuniu imenso.
Exactamente um mês depois, a 30 de Setembro, lá marcharam de novo todos, agora para Coimbra, onde conferenciaram no Pavilhão Centro de Portugal e tiveram o percalço de andar a fugir de manifestações de trabalhadores recém-desempregados por encerramentos selvagens de empresas, contrariedade notoriamente imprevista a que a polícia pôs fácil termo barrando o passo aos incómodos visitantes – referimo-nos aos visitantes trabalhadores, não aos visitantes governantes, evidentemente.
Depois veio Novembro e, a 11 desse mês, ala para Bragança, onde a deslocação dos senhores ministros decorreu com total tranquilidade e sem manifestações desagradáveis, pois a segurança governamental não dorme e, obviamente, aprende com os percalços.
Finalmente veio a «Sagres», o navio-escola há dias transformado em gabinete de reuniões governamentais, o que dá a impressionante média de mais de uma reunião por mês do Conselho de Ministros, em quatro possíveis, fora do seu local de trabalho próprio e adequado.
Nada se sabe do que foi decidido nestas reuniões ambulantes porque, obviamente, nada de substantivo nelas foi realizado, para além da exibição do Governo em trânsito.
Tal como não se tem nenhuma ideia do esbanjamento que paga cada uma destas exibições em transportes, instalações, alojamentos, deslocações de serviços, pessoas e equipamentos e etc. etc., tudo não se sabe para quê.
O que se sabe, por evidência, é que esta gente anda a gozar o País.
E a gozá-lo em passeio.
É claro que o Executivo não decidiu nada que se visse ou justificasse a iniciativa e nem para isso fora organizado o entremez marítimo.
A essência da coisa estava nos blusões e bonés expressamente encomendados para os ilustres visitantes que, assim fardados em uniforme de alta-costura, ficaram prontos para o desfile que se pretendia: o que mostrava, a esta pátria de navegadores, um garboso Executivo todo vestido de marinheiro-de-água-doce.
Mas esta originalidade do Governo de Santana Lopes em reunir fora de portas – que é como quem diz, longe das instalações do Conselho de Ministros – está também longe de ser uma bizarria.
É mesmo um facto e uma constante, tal a insistência e a regularidade com que foi sendo realizada ao longo dos pouco mais de três meses que este Governo leva de exercício.
Veja-se.
Logo a 30 de Julho, mal tomara posse, Santana Lopes resolveu que o seu terceiro Conselho de Ministros tinha de arejar os dourados, pelo que rumou ao Porto e, no luxo do Palácio do Freixo, reuniu imenso.
Exactamente um mês depois, a 30 de Setembro, lá marcharam de novo todos, agora para Coimbra, onde conferenciaram no Pavilhão Centro de Portugal e tiveram o percalço de andar a fugir de manifestações de trabalhadores recém-desempregados por encerramentos selvagens de empresas, contrariedade notoriamente imprevista a que a polícia pôs fácil termo barrando o passo aos incómodos visitantes – referimo-nos aos visitantes trabalhadores, não aos visitantes governantes, evidentemente.
Depois veio Novembro e, a 11 desse mês, ala para Bragança, onde a deslocação dos senhores ministros decorreu com total tranquilidade e sem manifestações desagradáveis, pois a segurança governamental não dorme e, obviamente, aprende com os percalços.
Finalmente veio a «Sagres», o navio-escola há dias transformado em gabinete de reuniões governamentais, o que dá a impressionante média de mais de uma reunião por mês do Conselho de Ministros, em quatro possíveis, fora do seu local de trabalho próprio e adequado.
Nada se sabe do que foi decidido nestas reuniões ambulantes porque, obviamente, nada de substantivo nelas foi realizado, para além da exibição do Governo em trânsito.
Tal como não se tem nenhuma ideia do esbanjamento que paga cada uma destas exibições em transportes, instalações, alojamentos, deslocações de serviços, pessoas e equipamentos e etc. etc., tudo não se sabe para quê.
O que se sabe, por evidência, é que esta gente anda a gozar o País.
E a gozá-lo em passeio.