Lacaios & Açambarcadores
A classe governante abastece-se com pensões de luxo e projecta diminuir as reformas dos trabalhadores
No auge da contestação ao pacote antilaboral «Hartz IV», o chanceler Schröder acusou os trabalhadores alemães de possuírem uma mentalidade de «açambarcadores» acrescentando que o fenómeno se estendia «até às classes médias». Com tal afirmação o «camarada dos patrões» ultrapassou as injúrias proferidas contra o movimento operário pelo antigo chanceler Helmut Kohl, cujo programa político, se resumia a que a Alemanha não podia «continuar a ser um parque de tempos livres». A subserviência perante o poder do grande capital, além de destruir a dignidade de quem governa, está a provocar o aparecimento de uma ideologia que visa a criminalização das vítimas da exploração capitalista segundo o princípio agarra que é ladrão. Estamos a assistir à transposição para o plano interno da doutrina que glorifica os agressores e transforma em «párias» e «eixos do mal» as vítimas da agressão imperialista. O Professor de Ética Social e Económica da Faculdade de Teologia de Frankfurt, o padre jesuíta Friedhelm Hengsbach, numa entrevista a revista Stern (48/2003) afirma que «Schröder quer agradar às elites económicas, deixa-se impulsionar por elas e ataca os que se encontram no último degrau da escala social».
Enquanto a classe governante se abastece com pensões de luxo que chegam a ultrapassar os 10 mil euros mensais (valor da pensão estatal de Kohl), fazem-se projectos infames para diminuir o valor das reformas dos trabalhadores e impedir que estes usufruam desse direito antes dos 67 e mesmo dos 70 anos, o que na Alemanha já não se verificava desde o período que precedeu a primeira grande guerra (1914-1918). E como as empresas despedem cada vez mais trabalhadores aos 55 anos, que vão engrossar o exército dos desempregados de longa duração, é evidente que o que se pretende é substituir o direito à reforma pela miséria e a assistência social.
Como salienta o semanário Die Zeit, só entre 1990 e 2002 o rendimento bruto proveniente do capital aumentou na Alemanha em cerca de 40% enquanto que os aumentos salariais ficaram-se pelos 7%. Mas se considerarmos o aumento líquido verifica-se que os trabalhadores perderam 0,7% e o capital enriqueceu 50%. A diferença entre o rendimento bruto e líquido é determinada pela política fiscal e de descontos do Estado. São os governantes democratas-cristãos e social-democratas quem têm vindo a transferir para os trabalhadores os custos dos sistemas sociais, da sustentação das despesas do Estado, das aventuras militaristas da oligarquia financeira e da burocracia parasitária de Bruxelas, isto é, do próprio aparelho de domínio e opressão que serve as classes dominantes. Estas, por sua vez, refugiam-se com as respectivas fortunas nos paraísos fiscais do Liechtenstein, da Áustria, dos bairros londrinos de Kensington e Hampstead ou dos lagos suíços. A partir daí, organizam o açambarcamento e o saque dos povos da Europa e de vastas regiões do globo com a cumplicidade dos Schröder & Blair, dos Barroso & Berlusconi.
As chamadas «terceira via» e «novo centro» que ainda não há muito tempo tanto entusiasmaram Guterres e Sampaio, só serviram para mascarar a mais desavergonhada mudança de turno entre a democracia-cristã e a social-democracia no processo de consolidação do capitalismo neoliberal e militarista.
No momento em que escrevo esta crónica, estou a ver na TV alemã (RTL) o ministro do trabalho da Renânia do Norte e Vestefália, Harald Schartau (antigo dirigente do sindicato dos metalúrgicos) a ser acusado em Bochum pelos trabalhadores em greve da OPEL de «traidor da classe operária».
Como Lenine já constatava num escrito sobre «o oportunismo e o colapso da II Internacional», publicado em Janeiro de 1916, verifica-se «uma aliança dos lacaios da burguesia contra as classes por ela exploradas».
Vivemos um momento histórico em que a afirmação da identidade, da moral e dos objectivos dos comunistas são absolutamente necessários para preservar os direitos dos povos e dos trabalhadores. O fim da exploração do homem pelo homem aparece cada vez mais claramente como a única solução capaz de repor a dignidade do ser humano e acabar definitivamente com um mundo dominado pelos açambarcadores e pelos seus lacaios.
Enquanto a classe governante se abastece com pensões de luxo que chegam a ultrapassar os 10 mil euros mensais (valor da pensão estatal de Kohl), fazem-se projectos infames para diminuir o valor das reformas dos trabalhadores e impedir que estes usufruam desse direito antes dos 67 e mesmo dos 70 anos, o que na Alemanha já não se verificava desde o período que precedeu a primeira grande guerra (1914-1918). E como as empresas despedem cada vez mais trabalhadores aos 55 anos, que vão engrossar o exército dos desempregados de longa duração, é evidente que o que se pretende é substituir o direito à reforma pela miséria e a assistência social.
Como salienta o semanário Die Zeit, só entre 1990 e 2002 o rendimento bruto proveniente do capital aumentou na Alemanha em cerca de 40% enquanto que os aumentos salariais ficaram-se pelos 7%. Mas se considerarmos o aumento líquido verifica-se que os trabalhadores perderam 0,7% e o capital enriqueceu 50%. A diferença entre o rendimento bruto e líquido é determinada pela política fiscal e de descontos do Estado. São os governantes democratas-cristãos e social-democratas quem têm vindo a transferir para os trabalhadores os custos dos sistemas sociais, da sustentação das despesas do Estado, das aventuras militaristas da oligarquia financeira e da burocracia parasitária de Bruxelas, isto é, do próprio aparelho de domínio e opressão que serve as classes dominantes. Estas, por sua vez, refugiam-se com as respectivas fortunas nos paraísos fiscais do Liechtenstein, da Áustria, dos bairros londrinos de Kensington e Hampstead ou dos lagos suíços. A partir daí, organizam o açambarcamento e o saque dos povos da Europa e de vastas regiões do globo com a cumplicidade dos Schröder & Blair, dos Barroso & Berlusconi.
As chamadas «terceira via» e «novo centro» que ainda não há muito tempo tanto entusiasmaram Guterres e Sampaio, só serviram para mascarar a mais desavergonhada mudança de turno entre a democracia-cristã e a social-democracia no processo de consolidação do capitalismo neoliberal e militarista.
No momento em que escrevo esta crónica, estou a ver na TV alemã (RTL) o ministro do trabalho da Renânia do Norte e Vestefália, Harald Schartau (antigo dirigente do sindicato dos metalúrgicos) a ser acusado em Bochum pelos trabalhadores em greve da OPEL de «traidor da classe operária».
Como Lenine já constatava num escrito sobre «o oportunismo e o colapso da II Internacional», publicado em Janeiro de 1916, verifica-se «uma aliança dos lacaios da burguesia contra as classes por ela exploradas».
Vivemos um momento histórico em que a afirmação da identidade, da moral e dos objectivos dos comunistas são absolutamente necessários para preservar os direitos dos povos e dos trabalhadores. O fim da exploração do homem pelo homem aparece cada vez mais claramente como a única solução capaz de repor a dignidade do ser humano e acabar definitivamente com um mundo dominado pelos açambarcadores e pelos seus lacaios.