Nova imagem esconde má gestão

Burla nos CTT

Na comemoração do Dia Mundial dos Correios, no passado dia 7, os sindicalistas desmontaram a «burla» da nova imagem das estações, onde foi gasto meio milhão de contos.

Menos 2 mil postos de trabalho em ano e meio

Na comemoração do Dia Mundial dos Correios, no passado dia 7, os sindicalistas desmontaram a «burla» da nova imagem das estações, onde foi gasto meio milhão de contos.
Vítor Narciso, secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, afirmou ao Avante!, frente à estação dos Restauradores, que a comemoração do aniversário «é uma data triste» para os trabalhadores: «A empresa está no mau caminho e muitos postos de trabalho estão em perigo».
No dia da comemoração, a administração apresentou o que classificou como uma «nova imagem» para a empresa: remodelaram as estações dos Restauradores, em Lisboa, da Praça do Município, no Porto, da Avenida Fernão de Magalhães, em Coimbra, e do Largo do Carmo, em Faro, apresentaram um novo fardamento para os trabalhadores, e criaram um novo logotipo da empresa.
O dirigente sindical recordou que «já vimos este filme antes».«Chamava-se “o rei vai nú”: uma imagem muito bonita por fora, para esconder a total podridão interior.»
Vítor Narciso recordou que os CTT têm excelentes trabalhadores e uma grande capacidade técnica reconhecida, mas, paralelamente, «temos meia dúzia de administradores e directores que tudo estão a fazer para que os CTT percam cada vez mais quota de mercado».
Embora reconheça a importância da modernização das estações, o dirigente do SNTCT salienta, no entanto, ter sido gasto meio milhão de contos – embora algumas tenham tido obras há dois anos – que podiam ter servido para integrar mais trezentos trabalhadores na empresa, que resolveriam os atrasos registados nas entregas de correspondência. Assim, «a nova imagem das estações é uma burla» que nem a inclusão de um posto para servir cafés, consegue disfarçar.
«Dizer que estão inauguradas para servir melhor o público, como diz o presidente do Conselho de Administração, é uma mentira para tapar os olhos à população e para esconder a má gestão dos CTT», afirmou.
Iniciativas semelhantes a esta Tribuna de Protesto foram desenvolvidas no mesmo dia, pelo sindicato, nas restantes estações remodeladas.
Na Assembleia da República, foi entregue, na semana anterior, uma petição com quase 23 mil assinaturas, para que a situação dos CTT seja discutida, em plenário.

Má gestão

«Não vale a pena remodelar quatro estações quando temos mais de 15 mil trabalhadores com problemas nos locais de trabalho, quando estão por pagar milhares de horas extraordinárias e quanto os tempos de espera para se ser atendido nos correios são cada vez maiores, segundo um estudo da DECO», referiu o mesmo dirigente, para quem esta política é mais um passo no sentido de privatizar a empresa, o que daria origem a piores condições de trabalho e de prestação de serviços.
No último ano e meio, a administração reduziu o quadro em cerca de dois mil postos de trabalho, e os trabalhadores estão a sofrer pressões quotidianas no sentido de trabalharem além do horário regular, sem direito ao pagamento de horas extra.
Também «a forma leviana como a empresa está a tratar os trabalhadores, no sentido de executarem tarefas às quais não estão obrigados, está a gerar alguns receios», denunciou Vítor Narciso.

Discriminação

Trabalhadores que sempre receberam prémios a comprovar a sua competência estão a ser transferidos das quatro estações agora com «nova imagem», devido à sua fisionomia ou idade. A administração de Horta e Costa avançou com novos critérios de jovialidade, em detrimento dos trabalhadores que estão há anos naquelas estações, numa grosseira violação das regras estabelecidas no Acordo de Empresa.
Numa Tribuna de Protesto montada pela União dos Sindicatos de Lisboa/CGTP-IN, nos Restauradores, salientou-se também que a administração está a investir em sectores sem rentabilidade e a criar out-sourcings para as seguradoras e para os grupos que pretendam comprar postos de correio, atitude que mais não é, para o SNTCT, do que entregar dinheiro e as partes rentáveis da empresa a interesses privados.
Os actuais administradores foram acusados de criar empresas para que, no dia em que deixem de exercer funções nos CTT, possam ter lugar na administração de uma delas.


Travar a destruição

Vítor Narciso revelou ainda que, desde o início do processo de transferências de competências relativas aos postos de correio, foram já suprimidas 114 estações e postos por todo o País, além de 32 que estão agora em regime de parceria.
No entanto, de acordo com o projecto inicial da administração, previa-se que, até ao fim do ano passado, fossem vendidos ou cedidos, 950 postos e estações. «A luta dos trabalhadores e das suas estruturas sindicais tem contribuído para travar as intenções iniciais, e ajudado à tomada de posição das populações afectadas que se têm mobilizado em acções contra o fim daqueles postos e estações», afirmou Vítor Narciso.

Correio com qualidade

Na Tribuna de Protesto, realizada por dirigentes e activistas sindicais concentrados nos Restauradores, foram denunciados os atrasos na entrega de correspondência e nos despachos de pagamentos, motivados por um enorme aumento na prestação de variados serviços que nada têm que ver com o serviço de correios.
Salientou-se, no entanto, que estudos europeus colocam a qualidade do serviço dos CTT em segundo lugar na Europa. A eficácia é apenas superada pelos correios do Luxemburgo. São dados que, para o SNTCT, revelam a excelente produtividade da empresa e dos seus quadros, ao contrário do que dizem a administração e o Governo, que consideram que os trabalhadores dos correios são pouco produtivos.
Foi ainda denunciado o facto de a empresa ter poupado muito através de horas extras não pagas, quantia que, posteriormente, não foi usada para aliviar as contas da empresa, mas antes transferida, por via de atribuições de prémios, para os quadros da confiança da administração.


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