Tristemente actual
O livro do escritor francês Henri Alleg, A Questão, foi lançado em Portugal, quase cinquenta anos após ter sido escrito numa prisão argelina, da qual saiu clandestinamente, quase folha a folha. O escritor, que esteve em Lisboa segunda-feira na apresentação, afirmou que preferia ver o tema do seu livro – a tortura na Argélia colonial – a ser discutido como algo pertencente ao passado. Mas, «infelizmente, não é assim».
Para o escritor comunista, o livro está a ser editado em Portugal (como no Brasil ou na Turquia) porque o tema é «tristemente actual». E exemplificou com os actos de tortura praticados pelas tropas norte-americanas no Iraque e no Afeganistão.
Destacou as semelhanças entre o que se passava na Argélia «francesa» e o que se passa hoje no Iraque. Em ambas as situações, o poder político finge desconhecer a realidade da tortura e descarta as responsabilidades para os torturadores.
O autor lembrou ainda que, em França, o único oficial condenado por acções levadas a cabo durante a chamada «Guerra da Argélia» foi um general que se recusou a participar em torturas e que as denunciou. O filme que anos mais tarde foi feito com base nos seus relatos, e que inclusivamente denunciava Le Pen como um dos torturadores, foi censurado e o realizador obrigado a indemnizar o líder da extrema-direita francesa.
Na mesa estavam ainda o escritor Urbano Tavares Rodrigues, o editor José Henriques e o tradutor Luís Nogueira. Citando Henri Alleg num outro livro, Luís Nogueira afirmou que não era a tortura que interessava ao poder francês, mas sim que se soubesse que ela se praticava. Era assim na França colonialista mas é assim também hoje, nos EUA.
Para Luís Nogueira, o que ressalta do livro é a sua dimensão ética, mais do que a épica ou heróica. O tradutor lembrou que o livro foi censurado em França, mas que quanto mais era proibido mais era lido, em edições clandestinas. Por seu lado, o editor afirmou que, pelo tema e pelo impacto que teve ao longo de gerações, está-se perante um dos mais importantes livros do século XX.
Para o escritor comunista, o livro está a ser editado em Portugal (como no Brasil ou na Turquia) porque o tema é «tristemente actual». E exemplificou com os actos de tortura praticados pelas tropas norte-americanas no Iraque e no Afeganistão.
Destacou as semelhanças entre o que se passava na Argélia «francesa» e o que se passa hoje no Iraque. Em ambas as situações, o poder político finge desconhecer a realidade da tortura e descarta as responsabilidades para os torturadores.
O autor lembrou ainda que, em França, o único oficial condenado por acções levadas a cabo durante a chamada «Guerra da Argélia» foi um general que se recusou a participar em torturas e que as denunciou. O filme que anos mais tarde foi feito com base nos seus relatos, e que inclusivamente denunciava Le Pen como um dos torturadores, foi censurado e o realizador obrigado a indemnizar o líder da extrema-direita francesa.
Na mesa estavam ainda o escritor Urbano Tavares Rodrigues, o editor José Henriques e o tradutor Luís Nogueira. Citando Henri Alleg num outro livro, Luís Nogueira afirmou que não era a tortura que interessava ao poder francês, mas sim que se soubesse que ela se praticava. Era assim na França colonialista mas é assim também hoje, nos EUA.
Para Luís Nogueira, o que ressalta do livro é a sua dimensão ética, mais do que a épica ou heróica. O tradutor lembrou que o livro foi censurado em França, mas que quanto mais era proibido mais era lido, em edições clandestinas. Por seu lado, o editor afirmou que, pelo tema e pelo impacto que teve ao longo de gerações, está-se perante um dos mais importantes livros do século XX.