Declaração de falência
São os trabalhadores a arrastar os dirigentes e as estruturas sindicais para os protestos.
O presidente da República da Alemanha, Horst Köhler, acaba de declarar numa entrevista a um semanário de Munique que não é possível restabelecer o mesmo nível de vida no Leste e no Ocidente da Alemanha. O ex-funcionário do Banco Mundial e ferveroso adepto do neoliberalismo, proposto para a Presidência da República pela democracia-cristã, desfez assim oficialmente o mito de um capitalismo com „paisagens floridas“ no território da antiga Alemanha Socialista com o qual o antigo chanceler Helmut Kohl no momento da anexação ludibriara a população da RDA. A uma semana das eleições em mais dois estados do Leste esta declaração involuntária de falência total do chamada processo de „unificação“ lançou a confusão quer na democracia-cristã quer na social-democracia cujas estratégias eleitorais assentam exactamente no contrário: convencer o cada vez mais empobrecido povo da antiga RDA de que o capitalismo lhe irá proporcionar um nível de vida superior ao do socialismo.
Aliás não é só no Leste que a pobreza e o desemprego atingem níveis nunca vistos e que o povo continua a recusar votar nos partidos do sistema e a fugir das urnas como o diabo da cruz. Nas eleições realizadas a semana passada no „Saarland“ a participação eleitoral voltou a baixar de 68,7 para 52,5 por cento. O SPD perdeu 45% do eleitorado em relação a 1999 (menos 110 000 votos) e a democracia-cristã perdeu 17% (menos 44 000 votos). Nos estados ocidentais da Alemanha, mais de meio século de anticomunismo de Estado e de perseguição política e ideológica contra os comunistas tem bloqueado sistemáticamente uma alternativa de esquerda e conduzido ao reforço da extrema-direita e dos neonazis. Esta situação deveria constituir um aviso a todos os democratas para os perigos das novas leis repressivas que um pouco por todo o lado, incluindo Portugal, têm sido aprovadas.
Durante décadas a social-democracia escondeu aos trabalhadores qual a real correlação de forças no interior do sistema capitalista alimentando a ideia de que o trabalho e o capital se encontravam num plano de igualdade como parceiros sociais. Hoje que a oligarquia financeira utiliza o SPD como um instrumento governativo para a destruição das conquistas sociais e dos direitos dos trabalhadores o movimento sindical está completamente desorientado. Nas manifestações das segundas-feiras em muitas regiões são os trabalhadores a arrastar os dirigentes e as estruturas sindicais para os protestos. Habituados a funcionar como uma espécie de interlocutores privilegiados entre o capital e o trabalho, mas sem verdadeiro sentido de classe, os dirigentes da DGB não sabem o que hão-de fazer. Ora tomam partido pelas reivindicações dos manifestantes, ora afirmam que os encontros com o governo são muito positivos, ora repetem as palavras de ordem do capital financeiro de que o chamado „Estado-social“ tem de se „modernizar“ sem conseguirem verdadeiramente identificar-se com os trabalhadores e as sua reivindicações. A rendição da social-democracia ao neoliberalismo e a falência do sindicalismo reformista estão a levar milhares de sindicalistas a abandonarem o SPD. Figuras históricas da social-democracia como por exemplo o ex-presidente do SPD e ex-Ministro das Financas Lafontaine, vêem-se obrigadas não só a exigir a demissão de Schröder mas face à realidade tem de reconhecer que „é um absurdo pensar-se que quanto pior viver o povo melhor será para a economia“ e que o povo esta a ser enganado, pois quando o governo e o patronato „falam de „flexibilidade“ o que se pretende é „liberalizar e facilitar os despedimentos“, e quando se exige o „aumento do horário de trabalho“ o que se pretende é a „redução dos salários“ (mais trabalho pelo mesmo dinheiro).
Outros oradores salientam que „ao contrário do que afirma o governo existe dinheiro suficiente. Os 8 mais ricos multimilionários alemães possuem 50 mil milhões de euros. 4% da população mais rica possui metade de toda a riqueza da Alemanha enquanto 50% não possui nada“ ou ainda que „o novo avião de combate“, o eurofighter, custará entre 13 e 16 mil milhões de euros“, uma soma muito superior ao endividamento de todas as autarquias da Alemanha.
As manifestações das segundas-feiras, além de grandes acções de protesto são verdadeiras tribunas de esclarecimento sobre as mentiras e os mitos do capitalismo.
Aliás não é só no Leste que a pobreza e o desemprego atingem níveis nunca vistos e que o povo continua a recusar votar nos partidos do sistema e a fugir das urnas como o diabo da cruz. Nas eleições realizadas a semana passada no „Saarland“ a participação eleitoral voltou a baixar de 68,7 para 52,5 por cento. O SPD perdeu 45% do eleitorado em relação a 1999 (menos 110 000 votos) e a democracia-cristã perdeu 17% (menos 44 000 votos). Nos estados ocidentais da Alemanha, mais de meio século de anticomunismo de Estado e de perseguição política e ideológica contra os comunistas tem bloqueado sistemáticamente uma alternativa de esquerda e conduzido ao reforço da extrema-direita e dos neonazis. Esta situação deveria constituir um aviso a todos os democratas para os perigos das novas leis repressivas que um pouco por todo o lado, incluindo Portugal, têm sido aprovadas.
Durante décadas a social-democracia escondeu aos trabalhadores qual a real correlação de forças no interior do sistema capitalista alimentando a ideia de que o trabalho e o capital se encontravam num plano de igualdade como parceiros sociais. Hoje que a oligarquia financeira utiliza o SPD como um instrumento governativo para a destruição das conquistas sociais e dos direitos dos trabalhadores o movimento sindical está completamente desorientado. Nas manifestações das segundas-feiras em muitas regiões são os trabalhadores a arrastar os dirigentes e as estruturas sindicais para os protestos. Habituados a funcionar como uma espécie de interlocutores privilegiados entre o capital e o trabalho, mas sem verdadeiro sentido de classe, os dirigentes da DGB não sabem o que hão-de fazer. Ora tomam partido pelas reivindicações dos manifestantes, ora afirmam que os encontros com o governo são muito positivos, ora repetem as palavras de ordem do capital financeiro de que o chamado „Estado-social“ tem de se „modernizar“ sem conseguirem verdadeiramente identificar-se com os trabalhadores e as sua reivindicações. A rendição da social-democracia ao neoliberalismo e a falência do sindicalismo reformista estão a levar milhares de sindicalistas a abandonarem o SPD. Figuras históricas da social-democracia como por exemplo o ex-presidente do SPD e ex-Ministro das Financas Lafontaine, vêem-se obrigadas não só a exigir a demissão de Schröder mas face à realidade tem de reconhecer que „é um absurdo pensar-se que quanto pior viver o povo melhor será para a economia“ e que o povo esta a ser enganado, pois quando o governo e o patronato „falam de „flexibilidade“ o que se pretende é „liberalizar e facilitar os despedimentos“, e quando se exige o „aumento do horário de trabalho“ o que se pretende é a „redução dos salários“ (mais trabalho pelo mesmo dinheiro).
Outros oradores salientam que „ao contrário do que afirma o governo existe dinheiro suficiente. Os 8 mais ricos multimilionários alemães possuem 50 mil milhões de euros. 4% da população mais rica possui metade de toda a riqueza da Alemanha enquanto 50% não possui nada“ ou ainda que „o novo avião de combate“, o eurofighter, custará entre 13 e 16 mil milhões de euros“, uma soma muito superior ao endividamento de todas as autarquias da Alemanha.
As manifestações das segundas-feiras, além de grandes acções de protesto são verdadeiras tribunas de esclarecimento sobre as mentiras e os mitos do capitalismo.