Revolução inacabada
A lotação do Fórum esgotou para o debate sobre a força e a actualidade da Revolução de Abril, com Vasco Gonçalves, Domingos Abrantes e, como moderador, Américo Nunes, no domingo à tarde.
Calorosamente aplaudido, o general que foi primeiro-ministro do 2.º ao 5.º governos provisórios começou por ressalvar que a liberdade de falar, conquistada ao fascismo, não é o mesmo que actuar em conformidade com as palavras. Elencou várias causas da inversão da correlação de forças no processo revolucionário, destacando a ideologia da propriedade.
Respondendo a questões colocadas pelo público – cerca de uma dezena – e lamentando o pouco tempo disponível para o debate, Vasco Gonçalves sublinhou que o movimento popular é que fez com que os militares que estavam com o povo tivessem predominância na correlação de poder. Classificou as nacionalizações de sectores estratégicos como uma medida de salvação nacional e recordou que, num estudo feito em Dezembro de 1975 para a OCDE, três economistas americanos disseram que a economia portuguesa estava surpreendentemente sólida.
Ao enorme esforço para esquecer o que foi a revolução, há que opor o esforço persistente e continuado para a manter na ordem do dia, apelou Domingos Abrantes, congratulando-se pela inalienável felicidade dos que foram protagonistas de um raro momento revolucionário, como o 25 de Abril. Lembrou que o fascismo não era apenas a ausência de liberdade, mas também os grupos económicos e financeiros que se serviam do Estado para acumular as suas enormes riquezas. Havia vítimas e beneficiários do fascismo, pelo que não se pode dizer com verdade que o 25 de Abril foi feito para todos os portugueses. As divisões nas forças democráticas, disse o dirigente comunista, não foram por questões ideológicas, mas com o rumo que a revolução tomou. Tal como então, o PS não está nada virado para atacar os grupos económicos e o latifúndio.
Foi ao tocar interesses de poderosos, que a revolução suscitou oposições, afirmou Domingos Abrantes, já na resposta às intervenções do público, notando que as transformações realizadas foram, mesmo assim, tão profundas, que ainda não as conseguiram liquidar todas. A Revolução de Abril, não sendo vitoriosa, também não está derrotada, o que leva a classificá-la como revolução inacabada. Batendo-se por um alternativa política, o PCP continuará a lutar pelos princípios de Abril, mantendo-os vivos no povo.
DM
Calorosamente aplaudido, o general que foi primeiro-ministro do 2.º ao 5.º governos provisórios começou por ressalvar que a liberdade de falar, conquistada ao fascismo, não é o mesmo que actuar em conformidade com as palavras. Elencou várias causas da inversão da correlação de forças no processo revolucionário, destacando a ideologia da propriedade.
Respondendo a questões colocadas pelo público – cerca de uma dezena – e lamentando o pouco tempo disponível para o debate, Vasco Gonçalves sublinhou que o movimento popular é que fez com que os militares que estavam com o povo tivessem predominância na correlação de poder. Classificou as nacionalizações de sectores estratégicos como uma medida de salvação nacional e recordou que, num estudo feito em Dezembro de 1975 para a OCDE, três economistas americanos disseram que a economia portuguesa estava surpreendentemente sólida.
Ao enorme esforço para esquecer o que foi a revolução, há que opor o esforço persistente e continuado para a manter na ordem do dia, apelou Domingos Abrantes, congratulando-se pela inalienável felicidade dos que foram protagonistas de um raro momento revolucionário, como o 25 de Abril. Lembrou que o fascismo não era apenas a ausência de liberdade, mas também os grupos económicos e financeiros que se serviam do Estado para acumular as suas enormes riquezas. Havia vítimas e beneficiários do fascismo, pelo que não se pode dizer com verdade que o 25 de Abril foi feito para todos os portugueses. As divisões nas forças democráticas, disse o dirigente comunista, não foram por questões ideológicas, mas com o rumo que a revolução tomou. Tal como então, o PS não está nada virado para atacar os grupos económicos e o latifúndio.
Foi ao tocar interesses de poderosos, que a revolução suscitou oposições, afirmou Domingos Abrantes, já na resposta às intervenções do público, notando que as transformações realizadas foram, mesmo assim, tão profundas, que ainda não as conseguiram liquidar todas. A Revolução de Abril, não sendo vitoriosa, também não está derrotada, o que leva a classificá-la como revolução inacabada. Batendo-se por um alternativa política, o PCP continuará a lutar pelos princípios de Abril, mantendo-os vivos no povo.
DM