Desígnios
Uma vez mais, mas desta porque o homem se mete connosco, torno a quebrar a regra de bom tom que é não falar do que se passa na casa dos outros. Já adivinharam - trata-se do badalado congresso do PS que, apesar de se tratar de um conclave ultra-rápido, promovido e organizado nos moldes «democráticos» que solicitam apenas o voto dos militantes, que alguns candidatos dizem controlados pelo «aparelho», tem feito correr muita tinta por aí. Se compararmos esse mediático evento com o congresso que os comunistas preparam, duas diferenças ressaltam - a primeira é que o processo de aprofundamento do debate é coisa que, quase exclusivamente, o PCP faz, no panorama partidário nacional; a segunda é que dos comunistas não se fala, a não ser para editar a velha cassete recheada de mentira e de funéreas aspirações.
Mas vamos ao que, de momento, interessa. Já notáramos a simpatia que o candidato Sócrates suscita nos órgãos de comunicação em geral, sujeitos que estão ao poder de quem os tem. Certamente, arriscamos, por se tratar do candidato mais igual a um qualquer expoente dos partidos da direita. Isto por muito de «esquerda» que ele se afirme e, já agora, recordo a definição que o homem pretendeu expor sobre o seu conceito de esquerda - uma coisa que é moderna porque é de esquerda e que é de esquerda porque é moderna. Aliás, é confrangedor verificar que o problema do PS, ao nível dos seus dirigentes, é definir-se, arranjar um lugar no arco partidário compatível com a ideologia que propagandeia ter e a prática que desde sempre vem tendo. Mas, pronto, é coisa que lhe diz respeito, arranje lá maneira de se arrumar.
Quanto ao outro par de candidatos, inspirados ambos por um Mário Soares que deve hesitar entre as fidelidades familiares e políticas, acabam por, divididos, indicar que os media têm razão ao prenunciar a vitória de Sócrates. Um comentador chegou a respingar, no Expresso, uma frase «sintomática» de Manuel Alegre quando entregou a sua moção: «Esta candidatura já cumpriu o seu papel»... E, com um toque do que supomos ser uma ironia derrubante, demonstrando a salada de apoios ao candidato da voz grossa, J. A. Lima acrescenta: «Basta, aliás, a presença de Carrilho para dar à candidatura de Manuel Alegre um inconfundível toque de modernidade.»
Por seu lado, para se dar um inconfundível «toque de esquerda», Sócrates escolheu reeditar a manobra de sedução aos trânsfugas do comunismo.
Ficaríamos agradecidos com a clarificação que assim produziria. Mas pensamos que, com este aliciamento, que não temos dúvidas irá encontrar alguma resposta positiva, arrisca-se a arrastar o PS ainda mais para a direita.
Mas vamos ao que, de momento, interessa. Já notáramos a simpatia que o candidato Sócrates suscita nos órgãos de comunicação em geral, sujeitos que estão ao poder de quem os tem. Certamente, arriscamos, por se tratar do candidato mais igual a um qualquer expoente dos partidos da direita. Isto por muito de «esquerda» que ele se afirme e, já agora, recordo a definição que o homem pretendeu expor sobre o seu conceito de esquerda - uma coisa que é moderna porque é de esquerda e que é de esquerda porque é moderna. Aliás, é confrangedor verificar que o problema do PS, ao nível dos seus dirigentes, é definir-se, arranjar um lugar no arco partidário compatível com a ideologia que propagandeia ter e a prática que desde sempre vem tendo. Mas, pronto, é coisa que lhe diz respeito, arranje lá maneira de se arrumar.
Quanto ao outro par de candidatos, inspirados ambos por um Mário Soares que deve hesitar entre as fidelidades familiares e políticas, acabam por, divididos, indicar que os media têm razão ao prenunciar a vitória de Sócrates. Um comentador chegou a respingar, no Expresso, uma frase «sintomática» de Manuel Alegre quando entregou a sua moção: «Esta candidatura já cumpriu o seu papel»... E, com um toque do que supomos ser uma ironia derrubante, demonstrando a salada de apoios ao candidato da voz grossa, J. A. Lima acrescenta: «Basta, aliás, a presença de Carrilho para dar à candidatura de Manuel Alegre um inconfundível toque de modernidade.»
Por seu lado, para se dar um inconfundível «toque de esquerda», Sócrates escolheu reeditar a manobra de sedução aos trânsfugas do comunismo.
Ficaríamos agradecidos com a clarificação que assim produziria. Mas pensamos que, com este aliciamento, que não temos dúvidas irá encontrar alguma resposta positiva, arrisca-se a arrastar o PS ainda mais para a direita.