Bem bom
Portugal redescobriu a sua vocação histórica. Já não se trata de dar novos mundos ao mundo, hoje uma aldeia global sob a batuta do soba americano, mas de garantir que seja lá onde for não há-de faltar o engenho e a arte da massa cinzenta nacional.
Por razões óbvias, a União Europeia é o destino privilegiado, e por ela estão os portugueses dispostos aos maiores sacrifícios. Veja-se o caso de Durão Barroso, cujo elevado espírito patriótico e internacionalista ditou a troca de Lisboa por Bruxelas - por acaso logo a seguir a umas eleições que o devem ter abalado -, na profunda certeza de que a sua abnegação, numa espécie de dois em um, beneficiará o País e a Europa.
A escolha de Barroso pelos parceiros europeus era inevitável. Em tempo de crise, quem melhor do que o primeiro-ministro de um país que há dois anos estava de tanga e hoje está na cauda da frente da União Europeia para presidir aos destinos dos 25?
A expectativa com que além fronteiras se aguarda o desempenho de Barroso não é porém caso único.
No Parlamento Europeu, quando os novos eurodeputados iniciarem funções, mais uma estrela portuguesa estará sob as luzes da ribalta. Falamos de Miguel Portas, evidentemente, cuja eleição foi tão desejada que os mais destacados comentadores da direita a chegaram a classificar como o único caso digno de registo das eleições europeias. É claro que isso foi durante a campanha, mas vale pela intenção.
Mas o motivo por que Portas vai concatenar as atenções dos seus pares é outro. Todos, sem excepção, vão querer assistir ao milagre dos euros, anunciado há duas semanas pelo Expresso, que Portas vai protagonizar. Trocando por miúdos, trata-se de saber como é que o deputado do BE vai ajudar a pagar os 210 mil euros de dívidas da campanha eleitoral do partido com o seu novo ordenado.
Informa o Expresso, com desvelo, que Portas «ficará apenas com cerca de 3 mil euros, que equivalem ao vencimento de um deputado da Assembleia da República, acrescido das despesas de instalação em Bruxelas», sendo o resto «uma importante fonte de receitas» para o BE.
Ora, é aqui que se vai dar o milagre, pois sendo o vencimento dos eurodeputados portugueses igual ao dos deputados da AR, e ficando Portas com as ajudas de custo para viagens e estadas, como é da mais elementar justiça, importa saber como é que o resto de zero se transforma numa fonte de receitas.
Como não nos passa pela cabeça que a notícia do Expresso tenha sido feita na mais total ignorância e/ou na mais execrável má fé, com o intuito de mistificar os leitores e esclarecer de passagem que os caríssimos cartazes e «outdoors» da campanha do BE foram possíveis com recurso a empréstimo bancário e não a qualquer outra suspeita fonte, porque não nos passa pela cabeça tal coisa, dizíamos, há que acompanhar de perto o fenómeno a que Estrasburgo vai assistir.
Duma coisa estamos certos: quando passar a febre do futebol, e seja qual for o resultado, já não ficamos sem desígnio nacional. Há um português ao leme e outro a navegar, o que é muito bé, perdão, bem bom. A Europa que se cuide.
Por razões óbvias, a União Europeia é o destino privilegiado, e por ela estão os portugueses dispostos aos maiores sacrifícios. Veja-se o caso de Durão Barroso, cujo elevado espírito patriótico e internacionalista ditou a troca de Lisboa por Bruxelas - por acaso logo a seguir a umas eleições que o devem ter abalado -, na profunda certeza de que a sua abnegação, numa espécie de dois em um, beneficiará o País e a Europa.
A escolha de Barroso pelos parceiros europeus era inevitável. Em tempo de crise, quem melhor do que o primeiro-ministro de um país que há dois anos estava de tanga e hoje está na cauda da frente da União Europeia para presidir aos destinos dos 25?
A expectativa com que além fronteiras se aguarda o desempenho de Barroso não é porém caso único.
No Parlamento Europeu, quando os novos eurodeputados iniciarem funções, mais uma estrela portuguesa estará sob as luzes da ribalta. Falamos de Miguel Portas, evidentemente, cuja eleição foi tão desejada que os mais destacados comentadores da direita a chegaram a classificar como o único caso digno de registo das eleições europeias. É claro que isso foi durante a campanha, mas vale pela intenção.
Mas o motivo por que Portas vai concatenar as atenções dos seus pares é outro. Todos, sem excepção, vão querer assistir ao milagre dos euros, anunciado há duas semanas pelo Expresso, que Portas vai protagonizar. Trocando por miúdos, trata-se de saber como é que o deputado do BE vai ajudar a pagar os 210 mil euros de dívidas da campanha eleitoral do partido com o seu novo ordenado.
Informa o Expresso, com desvelo, que Portas «ficará apenas com cerca de 3 mil euros, que equivalem ao vencimento de um deputado da Assembleia da República, acrescido das despesas de instalação em Bruxelas», sendo o resto «uma importante fonte de receitas» para o BE.
Ora, é aqui que se vai dar o milagre, pois sendo o vencimento dos eurodeputados portugueses igual ao dos deputados da AR, e ficando Portas com as ajudas de custo para viagens e estadas, como é da mais elementar justiça, importa saber como é que o resto de zero se transforma numa fonte de receitas.
Como não nos passa pela cabeça que a notícia do Expresso tenha sido feita na mais total ignorância e/ou na mais execrável má fé, com o intuito de mistificar os leitores e esclarecer de passagem que os caríssimos cartazes e «outdoors» da campanha do BE foram possíveis com recurso a empréstimo bancário e não a qualquer outra suspeita fonte, porque não nos passa pela cabeça tal coisa, dizíamos, há que acompanhar de perto o fenómeno a que Estrasburgo vai assistir.
Duma coisa estamos certos: quando passar a febre do futebol, e seja qual for o resultado, já não ficamos sem desígnio nacional. Há um português ao leme e outro a navegar, o que é muito bé, perdão, bem bom. A Europa que se cuide.