Piloto automático
Lembrei-me há dias, quando as parangonas se enchiam de «esperanças» na nomeação de Barroso para presidente da Comissão Europeia, que o próprio não-candidato, depois de uma viagem a Bruxelas, se queixava publicamente da falta de liderança na União Europeia. Dizia ele que era como num avião em pleno voo, onde se sentassem os Quinze (então ainda não eram 25) e alguém se lembrasse de ir espreitar na cabina de pilotagem, encontrando-a vazia!
Isto da memória é coisa que nem toda a gente usa e por vezes as brumas são muitas, mas desta tirada lembro-me perfeitamente e ela sugeriu-me que o caminho que leva Barroso a Bruxelas foi longo e tortuoso e não um acidente de percurso, um não achar alguém disposto ao frete de ocupar a cabina de pilotagem numa altura em que os passageiros são mais, não o escolher um peão no meio de um xadrez em debandada. Os grandes escolheram Barroso, num momento em que Barroso lhes fazia falta e, de uma penada, deram um sinal ao mundo. O sinal de que estavam, no essencial, ultrapassadas as divisões entre as grandezas europeias e a suprema grandeza do império americano. O mestre de cerimónias dos Açores vinha mesmo a calhar para o lugar da obediência e do zelo «europeísta», dentro do espírito da NATO comandada pelos Estados Unidos.
Assim, o avião é como se fosse pilotado automaticamente.
Transformar a decisão numa «honra para Portugal» é próprio daquele provincianismo lusitano a que nem o Presidente da República parece ter escapado. Nem o PS, que ficou engasgado entre a exigência das eleições antecipadas e a veneração «patriótica». Mas destes engasganços estamos nós abundantemente edificados. O cartão amarelo, transformado em vermelho pelos eleitores, deixou o PS sem forças para a alegria de uma vitória e as exigências dela e o que aconteceu foi o aparecimento não de um mas de vários «candidatos a primeiro ministro»...
Quem não se deixou enganar pelo «patrioteirismo» da escolha de Barroso foi o patrão dos patrões portugueses. O presidente da CIP, assustado com a hipótese de Santana Lopes, critica o abandono de Barroso e afirma que ser presidente da Comissão é ficar ao serviço de quatro ou cinco grandes países. Esqueceu-se de juntar, para fazer meia dúzia, os Estados Unidos da América. Terá sido ele a enviar os SMS para a mini-manifestação de Belém?
De qualquer modo, não é caso para agitar bandeiras. É que parece, nesse frenesim de símbolos, que andam a esconder qualquer coisa. Como quando o Governo apela ao sentido patriótico dos trabalhadores e se esquece de avivar o «portuguesismo» do patronato. Como quem anda a tentar tapar o sol com a peneira. Não tapem o País com a bandeira!
Isto da memória é coisa que nem toda a gente usa e por vezes as brumas são muitas, mas desta tirada lembro-me perfeitamente e ela sugeriu-me que o caminho que leva Barroso a Bruxelas foi longo e tortuoso e não um acidente de percurso, um não achar alguém disposto ao frete de ocupar a cabina de pilotagem numa altura em que os passageiros são mais, não o escolher um peão no meio de um xadrez em debandada. Os grandes escolheram Barroso, num momento em que Barroso lhes fazia falta e, de uma penada, deram um sinal ao mundo. O sinal de que estavam, no essencial, ultrapassadas as divisões entre as grandezas europeias e a suprema grandeza do império americano. O mestre de cerimónias dos Açores vinha mesmo a calhar para o lugar da obediência e do zelo «europeísta», dentro do espírito da NATO comandada pelos Estados Unidos.
Assim, o avião é como se fosse pilotado automaticamente.
Transformar a decisão numa «honra para Portugal» é próprio daquele provincianismo lusitano a que nem o Presidente da República parece ter escapado. Nem o PS, que ficou engasgado entre a exigência das eleições antecipadas e a veneração «patriótica». Mas destes engasganços estamos nós abundantemente edificados. O cartão amarelo, transformado em vermelho pelos eleitores, deixou o PS sem forças para a alegria de uma vitória e as exigências dela e o que aconteceu foi o aparecimento não de um mas de vários «candidatos a primeiro ministro»...
Quem não se deixou enganar pelo «patrioteirismo» da escolha de Barroso foi o patrão dos patrões portugueses. O presidente da CIP, assustado com a hipótese de Santana Lopes, critica o abandono de Barroso e afirma que ser presidente da Comissão é ficar ao serviço de quatro ou cinco grandes países. Esqueceu-se de juntar, para fazer meia dúzia, os Estados Unidos da América. Terá sido ele a enviar os SMS para a mini-manifestação de Belém?
De qualquer modo, não é caso para agitar bandeiras. É que parece, nesse frenesim de símbolos, que andam a esconder qualquer coisa. Como quando o Governo apela ao sentido patriótico dos trabalhadores e se esquece de avivar o «portuguesismo» do patronato. Como quem anda a tentar tapar o sol com a peneira. Não tapem o País com a bandeira!