A Farsa
“Os maiores terroristas do planeta neste ano de 2004 nomearam um terrorista”...
Com grande destaque na comunicação social, mas sem qualquer pompa e circunstância, os ocupantes do Iraque fizeram de contas que «transferiram a soberania do Iraque para os iraquianos». A cerimónia oficial foi clandestina: alguns homens fechados numa pequena sala, sem público, sem transmissão em directo, com 2 dias de antecedência sobre o que fora anunciado. Porque não controlam o país e não confiam no povo. Até nas formalidades, a dita «transferência» foi uma farsa.
Mas a farsa não está sobretudo na forma. Porque é que o Iraque não era (e não é) soberano? Porque a maior potência imperialista do planeta desencadeou uma guerra de ocupação ilegal daquele país. Os homens a quem agora «entregam a soberania» foram todos escolhidos a dedo pelas forças de ocupação imperialistas, e não pelo povo iraquiano. Os jornais dos EUA proclamam alegremente que o novo «Primeiro Ministro» do Iraque, Iyad Allawi, «foi recrutado para a CIA em 1992» (New York Times, 8.6.04). «Dirigiu uma organização [...] que enviou agentes para Bagdade no início dos anos 90 para colocar bombas e sabotar instalações governamentais, sob a direcção da CIA [...]. Na altura o governo iraquiano alegou que as bombas, uma das quais explodiu num cinema, tinham provocado mortes civis. [...] Um ex-agente da CIA [...] recorda-se que, nesse período, uma bomba “fez ir pelos ares um autocarro escolar; crianças em idade escolar foram mortas”». Em nome da “luta contra o terrorismo”, os maiores terroristas do planeta neste ano de 2004 nomearam um terrorista para ser a cabeça visível da sua estrutura de ocupação no Iraque.
O que vai agora ser feito, oficialmente «por decisão soberana de iraquianos» é não só tristemente previsível, mas foi dito, com a desfaçatez que caracteriza este imperialismo cada vez mais putrefacto, no despacho noticioso da BBC das 23h36m do próprio dia 28.6.04: «Horas após a transferência do poder pelos EUA no Iraque, os EUA e o Reino Unido comprometeram-se a apoiar o governo iraquiano e matar os militantes responsáveis por muita da violência». Assim mesmo, «matar» (http://news.bbc.co.uk/go/pr/fr/-/1/hi/world/middle_east/3847607.stm). Para dirigir esta guerra ainda mais suja, em que se adivinham esquadrões da morte, mais atentados terroristas indiscriminados (para virar a população contra a Resistência legítima), e mais torturas e mortes de presos (agora «soberanamente iraquianos»), os EUA enviaram como seu «Embaixador» um homem com provas dadas neste campo: John Negroponte, ex-embaixador dos EUA nas Honduras, quando esse país serviu de base para a guerra suja dos «contras» nicaraguenses. Vai agora chefiar a «maior embaixada do mundo» (BBC, 28.6.04): a missão de «representação diplomática» dos EUA no «Iraque soberano» vai ter quase 3000 funcionários…
É evidente que será essa «Embaixada dos EUA» o verdadeiro centro de poder no «Iraque soberano». Mais de 150 000 soldados dos EUA continuarão a ocupar o Iraque. E, como titula o Washington Post (27.6.04) «as normas aprovadas pelos EUA [antes da “transferência” – NT] limitam o poder dos dirigentes iraquianos». Nunca fiando, entre “gente respeitável”.
Mas a farsa não está sobretudo na forma. Porque é que o Iraque não era (e não é) soberano? Porque a maior potência imperialista do planeta desencadeou uma guerra de ocupação ilegal daquele país. Os homens a quem agora «entregam a soberania» foram todos escolhidos a dedo pelas forças de ocupação imperialistas, e não pelo povo iraquiano. Os jornais dos EUA proclamam alegremente que o novo «Primeiro Ministro» do Iraque, Iyad Allawi, «foi recrutado para a CIA em 1992» (New York Times, 8.6.04). «Dirigiu uma organização [...] que enviou agentes para Bagdade no início dos anos 90 para colocar bombas e sabotar instalações governamentais, sob a direcção da CIA [...]. Na altura o governo iraquiano alegou que as bombas, uma das quais explodiu num cinema, tinham provocado mortes civis. [...] Um ex-agente da CIA [...] recorda-se que, nesse período, uma bomba “fez ir pelos ares um autocarro escolar; crianças em idade escolar foram mortas”». Em nome da “luta contra o terrorismo”, os maiores terroristas do planeta neste ano de 2004 nomearam um terrorista para ser a cabeça visível da sua estrutura de ocupação no Iraque.
O que vai agora ser feito, oficialmente «por decisão soberana de iraquianos» é não só tristemente previsível, mas foi dito, com a desfaçatez que caracteriza este imperialismo cada vez mais putrefacto, no despacho noticioso da BBC das 23h36m do próprio dia 28.6.04: «Horas após a transferência do poder pelos EUA no Iraque, os EUA e o Reino Unido comprometeram-se a apoiar o governo iraquiano e matar os militantes responsáveis por muita da violência». Assim mesmo, «matar» (http://news.bbc.co.uk/go/pr/fr/-/1/hi/world/middle_east/3847607.stm). Para dirigir esta guerra ainda mais suja, em que se adivinham esquadrões da morte, mais atentados terroristas indiscriminados (para virar a população contra a Resistência legítima), e mais torturas e mortes de presos (agora «soberanamente iraquianos»), os EUA enviaram como seu «Embaixador» um homem com provas dadas neste campo: John Negroponte, ex-embaixador dos EUA nas Honduras, quando esse país serviu de base para a guerra suja dos «contras» nicaraguenses. Vai agora chefiar a «maior embaixada do mundo» (BBC, 28.6.04): a missão de «representação diplomática» dos EUA no «Iraque soberano» vai ter quase 3000 funcionários…
É evidente que será essa «Embaixada dos EUA» o verdadeiro centro de poder no «Iraque soberano». Mais de 150 000 soldados dos EUA continuarão a ocupar o Iraque. E, como titula o Washington Post (27.6.04) «as normas aprovadas pelos EUA [antes da “transferência” – NT] limitam o poder dos dirigentes iraquianos». Nunca fiando, entre “gente respeitável”.