Inacreditável!
Por proposta do Governo de Durão Barroso e decisão do Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, foi anunciada a atribuição da Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique ao ex-embaixador dos EUA em Portugal entre 1975-1978, Frank Carlucci.
A Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique – das mais importantes condecorações da República Portuguesa – é concedida, genericamente, a individualidades que «prestem serviços relevantes a Portugal no País ou no estrangeiro» ou, ainda, «serviços na expansão da cultura portuguesa, da sua história e valores».
A pergunta impõe-se.
Quais, destes «serviços», prestou Frank Carlucci a Portugal?
Para quem tenha memória curta ou, simplesmente, desconheça a história recente do nosso País, há que reapresentar a personagem, ainda que sucintamente.
Frank Carlucci é, essencialmente, um conspirador encartado pela CIA – que chegou a dirigir, após a sua «comissão» como «embaixador» em Portugal -, cuja vida pública foi, notoriamente e por inteiro, dedicada à urdidura dos mais tenebrosos atentados, golpes, assassinatos e crimes políticos perpetrados em vários países do mundo (incluindo Portugal, onde culminou a «carreira»), sempre contra forças, poderes ou regimes que pugnavam do lado democrático da vida e impondo as políticas mais reaccionárias, ilícitas e imperialistas determinadas pelas administrações dos EUA nos últimos 50 anos, por esse mundo fora.
Em Portugal, para onde veio em 1975, como embaixador dos EUA, com a missão concreta de travar a Revolução de Abril, praticamente nada do que do que de mais malévolo, criminoso e contra-revolucionário se praticou no nosso País contra as forças progressistas e a construção do regime democrático se realizou sem o clandestino e activíssimo apoio deste tenebroso «diplomata», quer se fale de atentados bombistas, conspirações golpistas, banditismos de extrema-direita, apoios a partidos, movimentos e actos contra-revolucionários e toda a panóplia de crimes orquestrados, conduzidos e praticados pelas mais diversas forças reaccionárias contra não apenas o processo revolucionário, mas o próprio regime democrático. Para se ter uma ideia da amplitude das suas maquinações em Portugal contra a Revolução de Abril basta recordar que as suas conspirações se estendiam desde o apoio vital a grupos de extrema-direita, como o ELP ou o MDLP, até à «amizade colaborante» com partidos e altos dirigentes democráticos, ao tempo também empenhados no processo contra-revolucionário.
Mas esta figura sinistra não chegou a Portugal por acaso: trazia, a recomendá-lo para a missão de «abortar» a Revolução de Abril, um currículo exuberante.
Começara a sua carreira no longínquo Congo belga, onde organizou o assassinato de Patrício Lumumba. Poucos anos depois, em 1964, estava no Brasil a preparar o golpe militar que instaurou a ditadura fascista no nosso «país irmão» por largas décadas, seguindo-se o Chile, onde foi figura decisiva na organização do golpe sangrento comandado pelo general Augusto Pinochet para, em 1973, derrubar o Governo de Unidade Popular presidido por Salvador Allende e democraticamente eleito, impondo também durante décadas uma das mais sinistras ditaduras fascistas de que há memória na América Latina.
Propor um homem destes para receber a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, ainda por cima no ano em que se comemoram 30 anos sobre a Revolução de Abril, é uma inacreditável provocação do Governo chefiado por Durão Barroso.
Ratificar tal proposta é, por parte do Chefe de Estado, simplesmente incompreensível.
A Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique – das mais importantes condecorações da República Portuguesa – é concedida, genericamente, a individualidades que «prestem serviços relevantes a Portugal no País ou no estrangeiro» ou, ainda, «serviços na expansão da cultura portuguesa, da sua história e valores».
A pergunta impõe-se.
Quais, destes «serviços», prestou Frank Carlucci a Portugal?
Para quem tenha memória curta ou, simplesmente, desconheça a história recente do nosso País, há que reapresentar a personagem, ainda que sucintamente.
Frank Carlucci é, essencialmente, um conspirador encartado pela CIA – que chegou a dirigir, após a sua «comissão» como «embaixador» em Portugal -, cuja vida pública foi, notoriamente e por inteiro, dedicada à urdidura dos mais tenebrosos atentados, golpes, assassinatos e crimes políticos perpetrados em vários países do mundo (incluindo Portugal, onde culminou a «carreira»), sempre contra forças, poderes ou regimes que pugnavam do lado democrático da vida e impondo as políticas mais reaccionárias, ilícitas e imperialistas determinadas pelas administrações dos EUA nos últimos 50 anos, por esse mundo fora.
Em Portugal, para onde veio em 1975, como embaixador dos EUA, com a missão concreta de travar a Revolução de Abril, praticamente nada do que do que de mais malévolo, criminoso e contra-revolucionário se praticou no nosso País contra as forças progressistas e a construção do regime democrático se realizou sem o clandestino e activíssimo apoio deste tenebroso «diplomata», quer se fale de atentados bombistas, conspirações golpistas, banditismos de extrema-direita, apoios a partidos, movimentos e actos contra-revolucionários e toda a panóplia de crimes orquestrados, conduzidos e praticados pelas mais diversas forças reaccionárias contra não apenas o processo revolucionário, mas o próprio regime democrático. Para se ter uma ideia da amplitude das suas maquinações em Portugal contra a Revolução de Abril basta recordar que as suas conspirações se estendiam desde o apoio vital a grupos de extrema-direita, como o ELP ou o MDLP, até à «amizade colaborante» com partidos e altos dirigentes democráticos, ao tempo também empenhados no processo contra-revolucionário.
Mas esta figura sinistra não chegou a Portugal por acaso: trazia, a recomendá-lo para a missão de «abortar» a Revolução de Abril, um currículo exuberante.
Começara a sua carreira no longínquo Congo belga, onde organizou o assassinato de Patrício Lumumba. Poucos anos depois, em 1964, estava no Brasil a preparar o golpe militar que instaurou a ditadura fascista no nosso «país irmão» por largas décadas, seguindo-se o Chile, onde foi figura decisiva na organização do golpe sangrento comandado pelo general Augusto Pinochet para, em 1973, derrubar o Governo de Unidade Popular presidido por Salvador Allende e democraticamente eleito, impondo também durante décadas uma das mais sinistras ditaduras fascistas de que há memória na América Latina.
Propor um homem destes para receber a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, ainda por cima no ano em que se comemoram 30 anos sobre a Revolução de Abril, é uma inacreditável provocação do Governo chefiado por Durão Barroso.
Ratificar tal proposta é, por parte do Chefe de Estado, simplesmente incompreensível.