O «sistema» dourado
Parabéns à selecção por estar nos quartos de final do Euro 2004. É grande a festa. Compreende-se, mas é desejável contenção, por elementar bom senso e por contraponto à inaceitável instrumentalização do Governo, que, entretanto, como se viu dia 13, nem assim consegue enganar este povo, pelo menos como pretendiam PSD e CDS-PP.
A equipa nacional chegou até aqui – diz-se em «futebolês» – porque é bem melhor que o «sistema», que quase sempre decide no negócio do pontapé na bola.
O futebol profissional, por via das SAD dos principais clubes, tornou-se um negócio dos grandes bancos – BES, BCP, BPI, BPN. Não apenas, como dizia um alto quadro do Grupo Espírito Santo, porque «é a realidade social que se pode patrocinar com maior impacto na vida dos portugueses», como se vê na respectiva publicidade, mas também porque a desgraça financeira de muitos clubes não impede retornos bancários confessados de 400%, lucros de empresas de «colocação de jogadores», como a Superfute, de 120%, ganhos das televisões privadas e por cabo de muitos milhões, enormíssimos contratos publicitários, no turismo e nas telecomunicações e mais de cem milhões de Euros de lucro das grandes construtoras dos estádios do Euro 2004.
É nos bancos e nos grandes interesses, na especulação imobiária, no capital financeiro e nas transnacionais, que repercutem estes muitos milhões, directamente ou através dos clubes, autarquias e instituições, que intermediam enormes transferências de dinheiros públicos.
E é este o «sistema» que realmente governa os negócios da bola, acolitado pelos «pequenos e médios bandidos», da corrupção e do cambalacho da verdade desportiva, a quem cabe concretizar, por via criminal, a «acumulação primitiva», e depois a fuga ao fisco, o branqueamento e todos os crimes económicos do Código Penal.
Por isso, o que mais importa na operação «apito dourado» não é o «Gondomarense», mas sim as conexões criminosas referidas – peculato, corrupção, tráfico de influências e financiamento político oculto. Importa que se apure toda a verdade. Que não aconteça, outra vez, qualquer «congelamento» processual, erro grosseiro na acção penal, rotação de investigadores, ou incidente administrativo da influência do governo que deite tudo a perder, e que nada se esclareça, ou tudo prescreva.
É imperioso que seja feita Justiça e o regime democrático se afirme, face ao «sistema» dourado e ao governo da sua confiança.
A equipa nacional chegou até aqui – diz-se em «futebolês» – porque é bem melhor que o «sistema», que quase sempre decide no negócio do pontapé na bola.
O futebol profissional, por via das SAD dos principais clubes, tornou-se um negócio dos grandes bancos – BES, BCP, BPI, BPN. Não apenas, como dizia um alto quadro do Grupo Espírito Santo, porque «é a realidade social que se pode patrocinar com maior impacto na vida dos portugueses», como se vê na respectiva publicidade, mas também porque a desgraça financeira de muitos clubes não impede retornos bancários confessados de 400%, lucros de empresas de «colocação de jogadores», como a Superfute, de 120%, ganhos das televisões privadas e por cabo de muitos milhões, enormíssimos contratos publicitários, no turismo e nas telecomunicações e mais de cem milhões de Euros de lucro das grandes construtoras dos estádios do Euro 2004.
É nos bancos e nos grandes interesses, na especulação imobiária, no capital financeiro e nas transnacionais, que repercutem estes muitos milhões, directamente ou através dos clubes, autarquias e instituições, que intermediam enormes transferências de dinheiros públicos.
E é este o «sistema» que realmente governa os negócios da bola, acolitado pelos «pequenos e médios bandidos», da corrupção e do cambalacho da verdade desportiva, a quem cabe concretizar, por via criminal, a «acumulação primitiva», e depois a fuga ao fisco, o branqueamento e todos os crimes económicos do Código Penal.
Por isso, o que mais importa na operação «apito dourado» não é o «Gondomarense», mas sim as conexões criminosas referidas – peculato, corrupção, tráfico de influências e financiamento político oculto. Importa que se apure toda a verdade. Que não aconteça, outra vez, qualquer «congelamento» processual, erro grosseiro na acção penal, rotação de investigadores, ou incidente administrativo da influência do governo que deite tudo a perder, e que nada se esclareça, ou tudo prescreva.
É imperioso que seja feita Justiça e o regime democrático se afirme, face ao «sistema» dourado e ao governo da sua confiança.