As caixas fechadas
Em grande parte das análises e comentários aos resultados eleitorais desenhou-se um vício de rigidez e esquematismo que não pode passar em claro já que, visivelmente, ele é muito conveniente para os que, incapazes de engolir as profecias catastróficas que, semana após semana, despejaram sobre a CDU, procuram agora desvalorizar ou negar o seu bom resultado.
Trata-se do critério da exclusiva comparação dos resultados de domingo passado com os resultados registados em 1999 em idênticas eleições para o PE.
Como é óbvio, não contestamos que esse elemento de comparação seja referido e tido em conta. Mas o que, a nosso ver, é um absurdo é torná-lo o único critério de avaliação, como se a vida eleitoral do país decorresse dentro de um sistema de caixas fechadas ou por séries cronológicas especificas (a das legislativas, a das europeias, a das autarquias) e como se os diversos tipos de eleições não se entrecruzassem no tempo, com tudo o que isso significa.
O artificialismo e insuficiência deste critério único ficam particularmente patentes se, porventura, alguns dos resultados de domingo à noite tivessem sido algo diferentes.
Assim, por exemplo: a coligação «Força Portugal» até fica bastante abaixo do mau resultado que, somados, o PSD e o CDS obtiveram em 1999 (39,2%) nas eleições para o PE. Mas se tivessem agora alcançado um resultado semelhante, será que teriam legitimidade para cantar vitória quando seria certo que teriam perdido 10 pontos percentuais por comparação com as legislativas de 2002? Certamente que não.
E também se pode dar outro exemplo: o PS até regista uma subida (de 1,5 pontos) em relação ao seu bom resultado de 1999 (43%). Mas se, por acaso, tivesse tido no domingo passado 41% ou 42%, será que passaria pela cabeça de alguém sentenciar que teria tido um mau resultado ou que teria sofrido uma derrota, apesar de ter subido três ou quatro pontos por comparação com as legislativas de 2004 que, por escassa margem, permitiram a ascensão da direita ao Governo? Certamente que não.
Aliás, o critério da comparação exclusiva com os resultados para o PE em 1999 não bate certo com a onda de comentários que justamente interpreta os resultados como um monumental castigo da coligação de direita e do seu Governo.
Porque é óbvio que, quando se diz isso, não se está apenas a pensar que a direita perdeu 6 pontos por comparação com o PE/1999, está-se sobretudo a olhar de frente que perde quase 16 pontos por comparação com as últimas legislativas e que, sendo Governo e maioria parlamentar, valeu 1/3 dos votos no domingo passado e, coisa nunca vista desde o 25 de Abril, fica a 26-pontos-26 de distância da soma dos votos dos partidos de oposição.
Trata-se do critério da exclusiva comparação dos resultados de domingo passado com os resultados registados em 1999 em idênticas eleições para o PE.
Como é óbvio, não contestamos que esse elemento de comparação seja referido e tido em conta. Mas o que, a nosso ver, é um absurdo é torná-lo o único critério de avaliação, como se a vida eleitoral do país decorresse dentro de um sistema de caixas fechadas ou por séries cronológicas especificas (a das legislativas, a das europeias, a das autarquias) e como se os diversos tipos de eleições não se entrecruzassem no tempo, com tudo o que isso significa.
O artificialismo e insuficiência deste critério único ficam particularmente patentes se, porventura, alguns dos resultados de domingo à noite tivessem sido algo diferentes.
Assim, por exemplo: a coligação «Força Portugal» até fica bastante abaixo do mau resultado que, somados, o PSD e o CDS obtiveram em 1999 (39,2%) nas eleições para o PE. Mas se tivessem agora alcançado um resultado semelhante, será que teriam legitimidade para cantar vitória quando seria certo que teriam perdido 10 pontos percentuais por comparação com as legislativas de 2002? Certamente que não.
E também se pode dar outro exemplo: o PS até regista uma subida (de 1,5 pontos) em relação ao seu bom resultado de 1999 (43%). Mas se, por acaso, tivesse tido no domingo passado 41% ou 42%, será que passaria pela cabeça de alguém sentenciar que teria tido um mau resultado ou que teria sofrido uma derrota, apesar de ter subido três ou quatro pontos por comparação com as legislativas de 2004 que, por escassa margem, permitiram a ascensão da direita ao Governo? Certamente que não.
Aliás, o critério da comparação exclusiva com os resultados para o PE em 1999 não bate certo com a onda de comentários que justamente interpreta os resultados como um monumental castigo da coligação de direita e do seu Governo.
Porque é óbvio que, quando se diz isso, não se está apenas a pensar que a direita perdeu 6 pontos por comparação com o PE/1999, está-se sobretudo a olhar de frente que perde quase 16 pontos por comparação com as últimas legislativas e que, sendo Governo e maioria parlamentar, valeu 1/3 dos votos no domingo passado e, coisa nunca vista desde o 25 de Abril, fica a 26-pontos-26 de distância da soma dos votos dos partidos de oposição.