Mudança necessária
Dois traços marcantes das eleições de 13 de Junho: a esmagadora maioria dos eleitores dos vinte e cinco países da União Europeia não votou; a maioria dos eleitores que votou, derrotou estrondosamente os partidos governamentais (com duas excepções: Espanha e Grécia, cujos governos, recentemente eleitos, ainda não tiveram tempo para mostrar o que valem...). Quer isto dizer que a essa imensa maioria de abstencionistas, a União Europeia pouco ou nada diz, ou o que diz é negativo. E que o mesmo acontece, de certa forma, à maioria dos que foram votar, na medida em que se mostraram preocupados, essencialmente, em castigar a má política praticada pelos maus governos dos seus países. São de registar, ainda, as votações, nalguns casos expressivas, obtidas por partidos que se opõem ou levantam dúvidas à presença dos seus países na UE.
Quanto à abstenção, que em vários países foi a maior de sempre, ela não há-de estar desligada do processo de construção desta UE – um processo congeminado e executado lá em cima, tendo como preocupação essencial a defesa dos interesses do grande capital europeu, portanto longe, muito longe dos interesses, da opinião, da participação e da vontade dos povos; um processo, por tudo isso, profundamente carenciado de conteúdo democrático.
No que respeita aos votos expressos, eles são, na sua maioria, simultaneamente, votos de inequívoco protesto contra as políticas dos governos que cumprem o actual turno de serviço e de óbvia ineficácia no combate a essas políticas. Com efeito, a maior parte dos protagonistas destes votos de protesto o que fez foi votar um desabafo, baralhar e dar de novo, alternar o destino do seu voto – acabando por votar naquilo que, com o seu voto de protesto, quis condenar: a política única europeia, também conhecida por política de direita. Porque, na realidade, os partidos vencedores das eleições de domingo serão os que, no cumprimento do ciclo alternante, irão substituir, nos governos dos vários países, os partidos agora derrotados e levar à prática a mesma política de direita que tantos descontentamentos provoca e tantos votos de protesto suscita... A não ser que... ou seja: a questão fundamental que continua a colocar-se é a de como pôr fim a este ciclo alternante, a esta ilusão de mudança, a este finge que muda mas não muda; de como transformar este voto de protesto inócuo num voto na mudança necessária.
Quanto à abstenção, que em vários países foi a maior de sempre, ela não há-de estar desligada do processo de construção desta UE – um processo congeminado e executado lá em cima, tendo como preocupação essencial a defesa dos interesses do grande capital europeu, portanto longe, muito longe dos interesses, da opinião, da participação e da vontade dos povos; um processo, por tudo isso, profundamente carenciado de conteúdo democrático.
No que respeita aos votos expressos, eles são, na sua maioria, simultaneamente, votos de inequívoco protesto contra as políticas dos governos que cumprem o actual turno de serviço e de óbvia ineficácia no combate a essas políticas. Com efeito, a maior parte dos protagonistas destes votos de protesto o que fez foi votar um desabafo, baralhar e dar de novo, alternar o destino do seu voto – acabando por votar naquilo que, com o seu voto de protesto, quis condenar: a política única europeia, também conhecida por política de direita. Porque, na realidade, os partidos vencedores das eleições de domingo serão os que, no cumprimento do ciclo alternante, irão substituir, nos governos dos vários países, os partidos agora derrotados e levar à prática a mesma política de direita que tantos descontentamentos provoca e tantos votos de protesto suscita... A não ser que... ou seja: a questão fundamental que continua a colocar-se é a de como pôr fim a este ciclo alternante, a esta ilusão de mudança, a este finge que muda mas não muda; de como transformar este voto de protesto inócuo num voto na mudança necessária.