Os adeptos
O professor mandou. Terá sido ele, ou foi apenas a face de uma operação tão subterrânea como aquela que pôs uma rede de telemóveis a dar «força» a Portugal? O certo é que terá sido a cara do professor a aparecer nas tevês sugerindo que cada português arvorasse uma bandeira nacional para dar «força» à selecção. Em poucos dias as belas cores de Portugal embandeiraram o País, de Norte a Sul, como é costume dizer. Ruas e avenidas de vermelho e verde. E praças. E becos. E auto-estradas com as cores em desfilada, tornando o País tão saloio como os Estados Unidos, onde a bandeira é tão banal que aparece por tudo quanto é sítio, mesmo nos sítios mais inesperados.
A preocupação do professor - que terá depois aconselhado que acendêssemos uma velinha - será a de recordar aos cidadãos que são portugueses, nesta diluição federalista em que os estados se vêm atolando? Terá o professor meditado e, qual ideia brilhante saltando como chispa, decidido que não há como as cores nacionais para pôr ao rubro uma união entre todos os portugueses, desconfiados que eles andam uns com os outros? Para atenuar, por exemplo, o clubismo que os divide, decidindo-os a esquecer a Taça e a torcer por uma equipa de jogadores selecccionados entre os melhores para fazer crescer a «auto-estima», esse sentimento tão badalado como raro entre nós? Ou para, subliminarmente, levar o geral dos cidadãos a aceitar que, encontrando-se no mesmo barco nacional, seja docilmente conduzido pelo mesmo timoneiro que vem conduzindo os negócios públicos?
Seja como for, o professor foi secundado pelo próprio Presidente da República, também ele apostado em elevar o moral do povo e persuadi-lo que, um dia destes, podemos chegar, com esta política, ao «pelotão da frente».
E foram muitos os portugueses que, para além da natural simpatia que nutrem pelos seus representantes futebolísticos, se acharam transformados em «adeptos». Compraram a bandeira, o que deve ter enchido, pelo menos, alguns bolsos. Uma valorosa operação de marketing.
O certo é que, por muito numerosas que sejam as bandeiras, não são elas que podem conduzir a uma vitória certa. Como não é um deputado eleito a golpes de marketing que pode contribuir para a resolução dos problemas do País.
A preocupação do professor - que terá depois aconselhado que acendêssemos uma velinha - será a de recordar aos cidadãos que são portugueses, nesta diluição federalista em que os estados se vêm atolando? Terá o professor meditado e, qual ideia brilhante saltando como chispa, decidido que não há como as cores nacionais para pôr ao rubro uma união entre todos os portugueses, desconfiados que eles andam uns com os outros? Para atenuar, por exemplo, o clubismo que os divide, decidindo-os a esquecer a Taça e a torcer por uma equipa de jogadores selecccionados entre os melhores para fazer crescer a «auto-estima», esse sentimento tão badalado como raro entre nós? Ou para, subliminarmente, levar o geral dos cidadãos a aceitar que, encontrando-se no mesmo barco nacional, seja docilmente conduzido pelo mesmo timoneiro que vem conduzindo os negócios públicos?
Seja como for, o professor foi secundado pelo próprio Presidente da República, também ele apostado em elevar o moral do povo e persuadi-lo que, um dia destes, podemos chegar, com esta política, ao «pelotão da frente».
E foram muitos os portugueses que, para além da natural simpatia que nutrem pelos seus representantes futebolísticos, se acharam transformados em «adeptos». Compraram a bandeira, o que deve ter enchido, pelo menos, alguns bolsos. Uma valorosa operação de marketing.
O certo é que, por muito numerosas que sejam as bandeiras, não são elas que podem conduzir a uma vitória certa. Como não é um deputado eleito a golpes de marketing que pode contribuir para a resolução dos problemas do País.