As velhinhas

Leandro Martins
Sempre que há eleições, a coisa repete-se. Mas a repetição, com os anos, é cada vez pior ou, se nos pusermos na óptica do patrão, fia cada vez mais fino. Já não basta a campanha executada pelos lacaios do jornalismo caseiro, que trata os comunistas como mortos e enterrados e os seus aliados como apêndices sem direitos - seguindo as ordens de Barroso e Portas -, como não basta o silenciamento das iniciativas do PCP ou de «Os Verdes» agravando-se durante anos. Na própria campanha eleitoral, fingindo «pluralismo», lá vem o tratamento desigual, para não dizer o favorecimento de uns em detrimento do único partido que, com os seus aliados, faz frente à política de direita.
Cheios de dinheiro para comprarem a boa propaganda - e até a má - os partidos da ribalta multiplicam-se em dispendiosos meios, a que se soma o servilismo dos media. Partidos de meia-tijela, como o de Manuel Monteiro, sem eleitores que lhe valham nem militantes que acreditem, pespegam out-doors irreais, onde pode ler-se em críptica mensagem WWW: Diz ao manel: come! Por seu lado, o esperto Miguel, que esconde o seu federalismo europeu com os mais descarados protestos sobre um equívoco «europeísmo de esquerda», abre a «campanha» a passear longas horas no Douro para rematar a viagem com um embrulho mal atado de palavras.
Os jornais - de papel ou de imagem televisiva - acarinham-nos. E não querem realmente saber de projectos. No que toca aos maiores partidos eleitoralistas - PS e PSD - é mais sobre o insulto que se debruçam, para além de relatarem as amenidades dos piqueniques e as ridículas acusações que mal escondem o entendimento que, sobre o que é essencial, os une.
Os renegados da «esquerda» também têm o seu lugar cativo durante todo o ano. E, para o não perderem em tempo de eleições, lá vai um Semedo mostrar a face visível da «renovação» revelha, seguidos simpaticamente por tudo quanto é «jornalismo objectivo e criterioso».
Pegando num pasquim de «referência», o DN de segunda-feira, temos o cartão amarelo de Sousa Franco a dominar uma página; o Bloco «confiante em que vai bater comunistas», a partilhar outra página com o «encantado» Manuel Monteiro; Deus Pinheiro, «de febra na mão» num «pequeno oásis de frescura», segundo as preciosas palavras de um tal Pedro Correia, que perde logo o fel quando não escreve sobre comunistas; e o seu parceiro, Fonseca, a escrever, tal Pedro Correia, sobre «as velhinhas» que não sabem nada disto da CDU... Para primeiro dia, é esclarecedor...


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