A mensagem
Um folheto assinado por um desconhecido Comité para um Portugal livre-Free Portugal (sic), profusamente distribuído em Fátima aquando da cerimónia religiosa de 13 de Maio, começou agora a aparecer nas caixas de correio, trazido certamente por piedosas mãos que assim se querem certificar de que a mensagem chega a toda a gente.
Com um despudor como há muito não se via, o panfleto alia uma imagem cara aos crentes, a da Senhora de Fátima, com um nada subliminar apelo ao voto nos partidos da direita no poder.
«Tem compaixão de Nossa Senhora. Com o teu voto não permitas que o Seu Filho seja posto fora da Europa!», reza o papel, que no verso dá conta da «inquietante decisão» tomada a 24 de Setembro de 2003 no Parlamento Europeu (PE), resultante da rejeição da proposta do Partido Popular Europeu para fazer incluir no texto da Constituição Europeia «uma referência explícita às raízes cristãs da Europa».
A mensagem já seria grave se se ficasse por aqui, pelo que denota de exploração de sentimentos religiosos para fins políticos, para já não falar da intolerância implícita em relação às restantes crenças livremente seguidas na Europa, ou da prepotência que representa esta clara tentativa de romper o princípio da laicização dos estados no espaço europeu. Mas a coisa não se fica por aqui. Com um requinte persecutório muito pouco cristão, o auto designado Comité para um Portugal livre-Free Portugal dá-se ao trabalho de reproduzir os nomes dos deputados e dos respectivos partidos, assinalando a forma como votaram. Para que não subsistam quaisquer dúvidas, o texto que encima esta nova espécie de index afirma que «é triste ver como os da esquerda votaram contra».
Confesso que não consigo imaginar como é que os cristãos, de direita ou de esquerda, encaram semelhante comportamento. Mais sei que para as pessoas íntegras, seja qual for a sua ideologia ou religião, tamanha desonestidade moral e ética só pode merecer condenação e repúdio.
Chega a ser degradante que uma pseudo organização que se diz crente desça tão baixo na caça ao voto, e é ainda mais deplorável que os hipotéticos beneficiários deste expediente - admitindo que nada têm a ver com o assunto - não se demarquem de tamanha ignomínia.
Num país que se preza da liberdade de religião e da tolerância, a liberdade de expressão não devia servir para a «caça às bruxas» dos saudosos das fogueiras da Inquisição. Dizem-se eles cristãos, democratas e populares. Que faria se o não fossem!
Com um despudor como há muito não se via, o panfleto alia uma imagem cara aos crentes, a da Senhora de Fátima, com um nada subliminar apelo ao voto nos partidos da direita no poder.
«Tem compaixão de Nossa Senhora. Com o teu voto não permitas que o Seu Filho seja posto fora da Europa!», reza o papel, que no verso dá conta da «inquietante decisão» tomada a 24 de Setembro de 2003 no Parlamento Europeu (PE), resultante da rejeição da proposta do Partido Popular Europeu para fazer incluir no texto da Constituição Europeia «uma referência explícita às raízes cristãs da Europa».
A mensagem já seria grave se se ficasse por aqui, pelo que denota de exploração de sentimentos religiosos para fins políticos, para já não falar da intolerância implícita em relação às restantes crenças livremente seguidas na Europa, ou da prepotência que representa esta clara tentativa de romper o princípio da laicização dos estados no espaço europeu. Mas a coisa não se fica por aqui. Com um requinte persecutório muito pouco cristão, o auto designado Comité para um Portugal livre-Free Portugal dá-se ao trabalho de reproduzir os nomes dos deputados e dos respectivos partidos, assinalando a forma como votaram. Para que não subsistam quaisquer dúvidas, o texto que encima esta nova espécie de index afirma que «é triste ver como os da esquerda votaram contra».
Confesso que não consigo imaginar como é que os cristãos, de direita ou de esquerda, encaram semelhante comportamento. Mais sei que para as pessoas íntegras, seja qual for a sua ideologia ou religião, tamanha desonestidade moral e ética só pode merecer condenação e repúdio.
Chega a ser degradante que uma pseudo organização que se diz crente desça tão baixo na caça ao voto, e é ainda mais deplorável que os hipotéticos beneficiários deste expediente - admitindo que nada têm a ver com o assunto - não se demarquem de tamanha ignomínia.
Num país que se preza da liberdade de religião e da tolerância, a liberdade de expressão não devia servir para a «caça às bruxas» dos saudosos das fogueiras da Inquisição. Dizem-se eles cristãos, democratas e populares. Que faria se o não fossem!