Electrolux sai da Suécia

O grupo sueco de electrodomésticos Electrulux vai encerrar até final do ano a fábrica de aspiradores situada no porto de Vastervik, a sul de Estocolmo.
A direcção do grupo, um dos líderes mundiais do sector, anunciou, na quarta-feira, 11, que, após três meses de reflexão, decidiu transferir as suas actividades para a fábrica que já possui na Hungria.
A unidade de Vastervik produz um milhão de aspiradores por ano, emprega directamente 500 trabalhadores e cerca de um milhar indirectamente, constituindo o principal empregador numa localidade que conta com apenas 20 mil habitantes.
A deslocalização é justificada pelo director-geral da Electrolux, Hans Straaberg, pelo facto de «os salários serem entre oito e dez vezes mais baixos na Hungria» do que na Suécia, facto que torna inviável a produção de aspiradores no país.
Contudo este argumento é contestado por Per Aspeteg, dirigente local do Mettal, sindicato metalúrgico da central LO, que recorda que: «em 2003, a fábrica teve lucros de 164 milhões de coronas (17,9 milhões de euros). A produtividade aumentou 10 por cento... O problema é que hoje se faz tudo para maximizar os lucros».
A multinacional detém mais de 400 empresas espalhadas pelo mundo e empregava 77 mil pessoas no final de 2003. A escolha da Hungria, segundo afirma o diário francês, Le Monde, na sua edição de segunda-feira, 17, está na realidade ligada a outro negócio,
A Electrolux é detida pela família sueca Wallenberg, que controla igualmente a Saab. Esta última integra o consórcio com a British Aerospace que está a desenvolver o avião caça Jas 39-Gripen, do qual o governo húngaro já se comprometeu a comprar 14 unidades.
A deslocalização da fabrica sueca de aspiradores para as instalações húngaras, que já actualmente empregam três mil trabalhadores, terá sido incluída no pacote de contrapartidas que habitualmente são negociadas neste tipo de contratos.
Independentemente das verdadeiras razões, o facto é que este é mais um caso que comprova a a preocupante tendência de indústria para países com mão de obra mais barata. Só nos últimos três anos, de acordo com o matutino francês que cita a revista Affarsvarden, foram destruídos cerca de 90 mil empregos na indústria e quarenta outras fábricas com mais de 500 empregados estarão ameaçadas de encerramento ou redução de pessoal.


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