Valeu e vale a pena!
As comemorações dos 30 anos da Revolução de Abril e do 1.º de Maio em liberdade realizadas num quadro precedido por um grande embate ideológico constituíram dois grandes acontecimentos de grande significado histórico.
O partido bloquista tentou instrumentalizar a grande acção de massas
Desunhou-se a direita a procurar rescrever a história, branquear o trágico e repressivo papel do fascismo, absolver o capitalismo monopolista associado à ditadura, apagar e denegrir a luta do Partido e dos trabalhadores tanto na resistência contra a opressão como na construção da democracia, recusar o facto de em Portugal ter havido uma Revolução, com rupturas, com transformações socio-económicas, ou quanto muito dizer que «o 25 de Abril foi bom, mau foi o que se seguiu».
Porque para perceber o que foi a Revolução de Abril é preciso conhecer a Constituição da República de 1976, o PSD e o CDS-PP, no seu permanente ajuste de contas, avançaram com um projecto de revisão que visava varrer artigos marcantes da Lei Fundamental, discutidos rapidamente e em força até 24 de Abril. Mais uma vez contaram com a colaboração prestimosa do PS quanto à data e na alteração de fundo que permite a primazia do direito comunitário sobre a Constituição da República.
Julgaram também que tinham neutralizado as gerações mais novas que não tinham vivido o processo revolucionário (muitos nem sequer nascido) ou conquistado direitos.
As centenas de iniciativas promovidas pelo Partido e pela JCP, pelo movimento sindical e associativo, pelas autarquias, pelas escolas, os desfiles no Porto e em Lisboa revelaram que o povo português continua a identificar-se, não só com os seus valores e ideais, mas com os direitos resultantes da luta e da Revolução de Abril. Direitos tão concretos como o direito à greve, à contratação, à liberdade sindical, o direito a não ser despedido sem justa causa e a segurança no emprego, à segurança social, à saúde, ao ensino, direitos hoje abalados e ameaçados por esta direita no poder que nunca descansará enquanto não fizer o ajuste de contas com o acto e o processo que os derrotou há 30 anos atrás.
Grande adesão ao 1.º de Maio
Um bom Abril é sempre o sinal de um bom 1º de Maio. Tivessem os grandes meios de comunicação social feito notícia e imagem (curtas que fossem) das comemorações promovidas pela CGTP-IN em dezenas de cidades e localidades e teríamos a dimensão de um grande 1.º de Maio capaz de ombrear com as comemorações maiores em qualquer país da Europa.
Estiveram ali as aspirações, as reivindicações e a luta dos trabalhadores dos transportes, da Bombardier-Sorefame, da administração pública. Estiveram ali representados todos os sectores de actividade colocando no centro das palavras de ordem a exigência duma nova política e dum novo governo, como demonstração não só do descontentamento social que alastra, mas também da percepção de que quanto mais este Governo durar mais os problemas se agravam e mais os direitos dos trabalhadores estão ameaçados, mais custos e danos haverá para o País.
A dinâmica unitária só ficou ligeiramente ensombrada porque o partido bloquista, sempre na babugem do imediatismo e da visibilidade comunicacional, organizou-se partidariamente tentando instrumentalizar e capitalizar a seu favor a grande acção de massas realizada em Lisboa. Pode dizer-se que não vem grande mal ao mundo só porque «tentam subir acima do chinelo». Mas foi interessante verificar a apreciação política que o Bloco fez das comemorações do 1.º de Maio pela voz dum seu dirigente.
Descontada toda a arrogância de que «não fora a criatividade e participação dos bloquistas no desfile de Lisboa e tudo seria triste e cinzento», o fogoso esquerdista considerou que as palavras de ordem de «está na hora do Governo ser ir embora» ou «Governo rua» são profundamente erradas porque a maioria de deputados não deixa, porque o PS não quer (e o Bloco também não).
Estes fogosos radicais agora rendidos ao formalismo e à rigidez institucional e à acção eleitoral (mas sempre na perseguição do sonho pequeno-burguês de dirigir o movimento operário e sindical) não admitem que a luta coloque do ponto de vista de classe a necessidade de derrotar o mais depressa possível os que privatizam as empresas, os serviços públicos e as funções sociais do Estado, destroem o aparelho produtivo e a produção nacional com a sequela mais visível que é o desemprego, que desvalorizam os salários e aumentam o custo de vida, que aprovam leis desregulamentadoras do direito ao trabalho, que desencadeiam o ataque mais brutal aos trabalhadores da administração pública, ao Serviço Nacional de Saúde, à escola pública.
Compreender as reivindicações
Os trabalhadores sabem que «quanto pior…pior!», embora para quem viva apenas de eleições pense que «quanto pior... melhor». São paladinos da denúncia das consequências, mas calam as causas e as soluções. Exemplo recente foi o impacto da denúncia do negocismo e amiguismo do Governo em relação à privatização da GALP feita pelo Bloco na Assembleia da República. Foi justa a denúncia. Ninguém ficou a saber é se o Bloco é contra a privatização independentemente do grupo interessado em abocanhar esta empresa estratégica.
Mas, enfim, o que importa afinal é valorizar as comemorações dos 30 anos de Abril e Maio. É saber compreender os sentimentos, a justeza das reivindicações dos trabalhadores, valorizar os ganhos pequenos e grandes que resultam da luta quotidiana, estar com eles nas dificuldades e derrotas, prosseguir com tenacidade e confiança os tempos de enfrentamento de um Governo socialmente mais fragilizado, mas determinado em servir até ao fim e até poder os seus senhores do grande capital.
Abril e Maio valeram e valem a pena!
Porque para perceber o que foi a Revolução de Abril é preciso conhecer a Constituição da República de 1976, o PSD e o CDS-PP, no seu permanente ajuste de contas, avançaram com um projecto de revisão que visava varrer artigos marcantes da Lei Fundamental, discutidos rapidamente e em força até 24 de Abril. Mais uma vez contaram com a colaboração prestimosa do PS quanto à data e na alteração de fundo que permite a primazia do direito comunitário sobre a Constituição da República.
Julgaram também que tinham neutralizado as gerações mais novas que não tinham vivido o processo revolucionário (muitos nem sequer nascido) ou conquistado direitos.
As centenas de iniciativas promovidas pelo Partido e pela JCP, pelo movimento sindical e associativo, pelas autarquias, pelas escolas, os desfiles no Porto e em Lisboa revelaram que o povo português continua a identificar-se, não só com os seus valores e ideais, mas com os direitos resultantes da luta e da Revolução de Abril. Direitos tão concretos como o direito à greve, à contratação, à liberdade sindical, o direito a não ser despedido sem justa causa e a segurança no emprego, à segurança social, à saúde, ao ensino, direitos hoje abalados e ameaçados por esta direita no poder que nunca descansará enquanto não fizer o ajuste de contas com o acto e o processo que os derrotou há 30 anos atrás.
Grande adesão ao 1.º de Maio
Um bom Abril é sempre o sinal de um bom 1º de Maio. Tivessem os grandes meios de comunicação social feito notícia e imagem (curtas que fossem) das comemorações promovidas pela CGTP-IN em dezenas de cidades e localidades e teríamos a dimensão de um grande 1.º de Maio capaz de ombrear com as comemorações maiores em qualquer país da Europa.
Estiveram ali as aspirações, as reivindicações e a luta dos trabalhadores dos transportes, da Bombardier-Sorefame, da administração pública. Estiveram ali representados todos os sectores de actividade colocando no centro das palavras de ordem a exigência duma nova política e dum novo governo, como demonstração não só do descontentamento social que alastra, mas também da percepção de que quanto mais este Governo durar mais os problemas se agravam e mais os direitos dos trabalhadores estão ameaçados, mais custos e danos haverá para o País.
A dinâmica unitária só ficou ligeiramente ensombrada porque o partido bloquista, sempre na babugem do imediatismo e da visibilidade comunicacional, organizou-se partidariamente tentando instrumentalizar e capitalizar a seu favor a grande acção de massas realizada em Lisboa. Pode dizer-se que não vem grande mal ao mundo só porque «tentam subir acima do chinelo». Mas foi interessante verificar a apreciação política que o Bloco fez das comemorações do 1.º de Maio pela voz dum seu dirigente.
Descontada toda a arrogância de que «não fora a criatividade e participação dos bloquistas no desfile de Lisboa e tudo seria triste e cinzento», o fogoso esquerdista considerou que as palavras de ordem de «está na hora do Governo ser ir embora» ou «Governo rua» são profundamente erradas porque a maioria de deputados não deixa, porque o PS não quer (e o Bloco também não).
Estes fogosos radicais agora rendidos ao formalismo e à rigidez institucional e à acção eleitoral (mas sempre na perseguição do sonho pequeno-burguês de dirigir o movimento operário e sindical) não admitem que a luta coloque do ponto de vista de classe a necessidade de derrotar o mais depressa possível os que privatizam as empresas, os serviços públicos e as funções sociais do Estado, destroem o aparelho produtivo e a produção nacional com a sequela mais visível que é o desemprego, que desvalorizam os salários e aumentam o custo de vida, que aprovam leis desregulamentadoras do direito ao trabalho, que desencadeiam o ataque mais brutal aos trabalhadores da administração pública, ao Serviço Nacional de Saúde, à escola pública.
Compreender as reivindicações
Os trabalhadores sabem que «quanto pior…pior!», embora para quem viva apenas de eleições pense que «quanto pior... melhor». São paladinos da denúncia das consequências, mas calam as causas e as soluções. Exemplo recente foi o impacto da denúncia do negocismo e amiguismo do Governo em relação à privatização da GALP feita pelo Bloco na Assembleia da República. Foi justa a denúncia. Ninguém ficou a saber é se o Bloco é contra a privatização independentemente do grupo interessado em abocanhar esta empresa estratégica.
Mas, enfim, o que importa afinal é valorizar as comemorações dos 30 anos de Abril e Maio. É saber compreender os sentimentos, a justeza das reivindicações dos trabalhadores, valorizar os ganhos pequenos e grandes que resultam da luta quotidiana, estar com eles nas dificuldades e derrotas, prosseguir com tenacidade e confiança os tempos de enfrentamento de um Governo socialmente mais fragilizado, mas determinado em servir até ao fim e até poder os seus senhores do grande capital.
Abril e Maio valeram e valem a pena!