A Sorefame não pode fechar
Ameaçados com o encerramento, os trabalhadores decidiram, em plenário no dia 18, dar início a uma greve por tempo indeterminado e ocupar as instalações.
O Governo é totalmente submisso às multinacionais
A partir da meia-noite de hoje, a luta dos trabalhadores da Bombardier/ex-Sorefame na Venda Nova, Amadora, vai endurecer. Como o Governo não pretende assumir uma alternativa que garanta a continuidade da empresa, os trabalhadores vão ocupar de forma continua as instalações, afirmou António Tremoço, dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos e membro da Comissão de Trabalhadores, ao Avante!. A moção aprovada no plenário justifica a atitude com a situação dramática em que se encontram os mais de 400 trabalhadores, «uma vez que está em causa a sobrevivência de centenas de famílias».
A multinacional canadiana, Bombardier anunciou, no dia 17, a intenção de encerrar a produção na unidade da Amadora e em mais seis fábricas noutros países. Para os trabalhadores, a situação veio provar a indiferença do Governo depois de vários meses de avisos e denúncias públicas, perante um «crime» que compromete o futuro de muitos operários altamente qualificados.
A moção, aprovada no plenário por unanimidade, recorda a posição assumida pelo ministro dos Transportes, Carmona Rodrigues, que, no dia 22 de Janeiro, afirmou estar a desenvolver todos os esforços para resolver o problema da carteira de encomendas da Sorefame. O ministro até apresentou um documento à CT que confirma investimentos vultuosos em material ferroviário nos próximos anos.
Antes do início do plenário, o secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, deslocou-se à unidade, integrado numa delegação comunista, em manifestação de solidariedade. Lembrando que, desde a primeira hora, o PCP tem-se multiplicado em iniciativas de apoio à luta pela continuação da empresa e a dignificação dos trabalhadores, Carvalhas acusou o Governo de se demitir das suas responsabilidades e de ter cruzado os braços perante o processo de encerramento, anunciado para fim de Maio. O secretário-geral do PCP lembrou ainda que o encerramento desta empresa lesa o interesse nacional, a economia da região e a capacidade produtiva do País.
O desprezo pela qualidade
Com o fim da Bombardier, não resta alternativa ao Estado – através da CP e dos Metros do Porto e Lisboa - senão transferir para o estrangeiro as encomendas em carteira, juntamente com todo o tipo de projectos futuros.
Os trabalhadores exigem que o Governo e outros órgãos de soberania assumam uma intervenção directa neste processo para travar o encerramento da unidade, «única no País em termos de material ferroviário e detentora de uma tecnologia das mais avançadas a nível mundial».
Após o plenário, os trabalhadores desfilaram em protesto até à porta da Câmara Municipal para denunciar a situação e apelar à solidariedade da autarquia e da população, manifestando total disponibilidade para continuar a luta.
Na Assembleia da República, a bancada comunista manifestou o seu repúdio pela forma como o Governo geriu todo o processo e como agora assiste contemplativamente à destruição da Sorefame (ver página 22).
Há soluções
Como refere um comunicado conjunto da Comissão Concelhia da Amadora do PCP e das Comissões de Freguesia comunistas da Brandoa e Alfornelos, distribuído à população no dia 18, numa acção de solidariedade com os trabalhadores da Sorefame, «o Governo tem todos os instrumentos necessários para impedir este desastre para a economia nacional».
O documento explica como a situação pode ser evitada, apesar de o ministro da Economia, Carlos Tavares, ter afirmado, segundo a Lusa, também no dia 18, que o Governo «não pode atribuir encomendas directas a nenhuma empresa», e que as obras para os Metros do Porto e de Lisboa que podem viabilizar a empresa, «terão de ser objecto de concurso público».
Para os comunistas da Amadora, o que falta é vontade política do Governo PSD/PP, para fazer como fazem outros governos europeus perante situações semelhantes.
O Governo português pode proteger os concursos públicos por forma a dar prioridade às empresas sediadas em território nacional. Pode também desbloquear investimentos que atrasou e que a não serem feitos este ano, significarão mais importações para o País, menos emprego e menor criação de riqueza (como nos casos referidos das encomendas para os Metros do Porto e de Lisboa).
Durão, Portas e companhia «podem ainda dizer com muita clareza à Bombardier que, se encerra a Sorefame, não ganha mais um euro em concursos públicos em Portugal». Por último, o comunicado salienta que o Governo «pode nacionalizar a empresa que é altamente lucrativa e viável» economicamente, com o gigantesco volume de investimentos previstos para o sector nos próximos anos. Por tudo isto, o PCP considera que «o Governo mente, quando diz que nada pode fazer».
Sem a Sorefame, todo o material circulante de que o País necessite terá de ser importado.
Os comunistas lembram ainda a importância da Sorefame para o Concelho, que «precisa de mais emprego com qualidade e não da destruição do existente, e a sua substituição por novas urbanizações», considerando que «se o Governo não faz nada para defender os interesses do País, façamos nós algo, e livremos o País deste Governo».
Termina com um apelo à população, para apoiar activamente a luta dos trabalhadores da Sorefame em defesa da empresa e da economia nacional.
As mentiras do Governo
A Concelhia tomou também posição sobre as declarações proferidas no dia 19 pelo Governo, à saída da reunião com o embaixador do Canadá. Para o PCP, os ministros da Economia e dos Transportes confirmaram «a postura de completa submissão aos interesses das multinacionais».
Os dois ministros afirmaram, naquele momento, ter pedido à Bombardier para canalizar trabalho da unidade espanhola para Portugal. A Concelhia faz notar que – como é do conhecimento do Governo, embora finja não o saber – «o governo espanhol não permite que concursos ganhos em Espanha pela Bombardier sejam produzidos noutros países e coloca à cabeça desses concursos uma forte percentagem obrigatória de incorporação nacional». Segundo o PCP, «bastava os últimos Governos - do PS e do PSD/PP - terem seguido este exemplo e a Sorefame teria hoje trabalho» garantido.
Os governantes disseram ainda que a Bombardier tinha exigido garantias de ganhar todos os concursos em Portugal para encarar a possibilidade de não encerrar a Sorefame. O PCP recorda que os Governos PS e PSD venderam a Sorefame - e não só - às multinacionais, «por tuta e meia».
A Concelhia considera que «através de uma correcta e atempada planificação da expansão do transporte ferroviário em Portugal e da sua ligação à Sorefame, é possível «coordenar essa mesma expansão com a plena ocupação da capacidade produtiva instalada».
Perante a gravidade da situação, o PCP apelou à marcação urgente de reuniões extraordinárias da Assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia, uma vez que estão em causa mais de 400 empregos directos.
O PCP solicitou ainda, no dia 22, ao Presidente da Assembleia Municipal e aos 11 presidentes das assembleias de Freguesia da Amadora, a marcação de reuniões extraordinárias que terão como ponto único da ordem de trabalhos a aprovação deuma moção de solidariedade com a luta dos trabalhadores da Sorefame.
PCP alerta Europa
A eurodeputada do PCP, Ilda Figueiredo, cabeça-de-lista da CDU às eleições europeias de 13 de Junho, levantou a situação da Bombardier/Sorefame no Parlamento Europeu, também no passado dia 18, através de uma pergunta oral e de uma pergunta escrita prioritária. Nesta última, a eurodeputada recordou já ter levantado o problema no dia 28 de Novembro.
Tendo-se confirmado «as piores expectativas», Ilda Figueiredo voltou a falar da importância da Sorefame em Portugal, para depois perguntar «que medidas pensa a Comissão Europeia tomar» para garantir a laboração da unidade e se não considera que este exemplo «evidencia a necessidade de uma intervenção pública em empresas de importância estratégica fundamental, designadamente, multinacionais, para garantir o emprego, a produção e o desenvolvimento».
Na pergunta oral, Ilda Figueiredo quis ainda saber se a Bombardier recebeu apoios ao abrigo de programas comunitários e, se sim, quais e que medidas pensa tomar para que esse investimento não seja perdido, bem como para garantir o emprego e a produção nestas empresas».
O Grupo Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica, que integra os deputados do PCP, solicitou ao Parlamento Europeu o agendamento de um debate sobre esta matéria, para a próxima sessão plenária, a ter início no dia 29.
A concorrência e o mercado
O Grupo Siemens manifestou-se interessado na compra da unidade portuguesa da Bombardier, ao que a administração da multinacional canadiana respondeu não ter recebido qualquer proposta. No dia 17, a Bombardier anunciou um plano de reestruturação neste sector que prevê o encerramento de sete unidades em cinco países europeus, entre elas a portuguesa.
As restantes unidades agora em causa estão em países onde a protecção social é um garante mais eficaz nestas situações do que a portuguesa: Alemanha, Suíça, Suécia e Reino Unido. Ao todo, a Bombardier pretende suprimir 6.600 empregos.
Uma vez que a Siemens é sua concorrente, a Bombardier prefere antes extinguir as unidades para manter a sua posição no mercado internacional, como refere uma nota da Concelhia da Amadora do PCP à comunicação social.
A multinacional canadiana, Bombardier anunciou, no dia 17, a intenção de encerrar a produção na unidade da Amadora e em mais seis fábricas noutros países. Para os trabalhadores, a situação veio provar a indiferença do Governo depois de vários meses de avisos e denúncias públicas, perante um «crime» que compromete o futuro de muitos operários altamente qualificados.
A moção, aprovada no plenário por unanimidade, recorda a posição assumida pelo ministro dos Transportes, Carmona Rodrigues, que, no dia 22 de Janeiro, afirmou estar a desenvolver todos os esforços para resolver o problema da carteira de encomendas da Sorefame. O ministro até apresentou um documento à CT que confirma investimentos vultuosos em material ferroviário nos próximos anos.
Antes do início do plenário, o secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, deslocou-se à unidade, integrado numa delegação comunista, em manifestação de solidariedade. Lembrando que, desde a primeira hora, o PCP tem-se multiplicado em iniciativas de apoio à luta pela continuação da empresa e a dignificação dos trabalhadores, Carvalhas acusou o Governo de se demitir das suas responsabilidades e de ter cruzado os braços perante o processo de encerramento, anunciado para fim de Maio. O secretário-geral do PCP lembrou ainda que o encerramento desta empresa lesa o interesse nacional, a economia da região e a capacidade produtiva do País.
O desprezo pela qualidade
Com o fim da Bombardier, não resta alternativa ao Estado – através da CP e dos Metros do Porto e Lisboa - senão transferir para o estrangeiro as encomendas em carteira, juntamente com todo o tipo de projectos futuros.
Os trabalhadores exigem que o Governo e outros órgãos de soberania assumam uma intervenção directa neste processo para travar o encerramento da unidade, «única no País em termos de material ferroviário e detentora de uma tecnologia das mais avançadas a nível mundial».
Após o plenário, os trabalhadores desfilaram em protesto até à porta da Câmara Municipal para denunciar a situação e apelar à solidariedade da autarquia e da população, manifestando total disponibilidade para continuar a luta.
Na Assembleia da República, a bancada comunista manifestou o seu repúdio pela forma como o Governo geriu todo o processo e como agora assiste contemplativamente à destruição da Sorefame (ver página 22).
Há soluções
Como refere um comunicado conjunto da Comissão Concelhia da Amadora do PCP e das Comissões de Freguesia comunistas da Brandoa e Alfornelos, distribuído à população no dia 18, numa acção de solidariedade com os trabalhadores da Sorefame, «o Governo tem todos os instrumentos necessários para impedir este desastre para a economia nacional».
O documento explica como a situação pode ser evitada, apesar de o ministro da Economia, Carlos Tavares, ter afirmado, segundo a Lusa, também no dia 18, que o Governo «não pode atribuir encomendas directas a nenhuma empresa», e que as obras para os Metros do Porto e de Lisboa que podem viabilizar a empresa, «terão de ser objecto de concurso público».
Para os comunistas da Amadora, o que falta é vontade política do Governo PSD/PP, para fazer como fazem outros governos europeus perante situações semelhantes.
O Governo português pode proteger os concursos públicos por forma a dar prioridade às empresas sediadas em território nacional. Pode também desbloquear investimentos que atrasou e que a não serem feitos este ano, significarão mais importações para o País, menos emprego e menor criação de riqueza (como nos casos referidos das encomendas para os Metros do Porto e de Lisboa).
Durão, Portas e companhia «podem ainda dizer com muita clareza à Bombardier que, se encerra a Sorefame, não ganha mais um euro em concursos públicos em Portugal». Por último, o comunicado salienta que o Governo «pode nacionalizar a empresa que é altamente lucrativa e viável» economicamente, com o gigantesco volume de investimentos previstos para o sector nos próximos anos. Por tudo isto, o PCP considera que «o Governo mente, quando diz que nada pode fazer».
Sem a Sorefame, todo o material circulante de que o País necessite terá de ser importado.
Os comunistas lembram ainda a importância da Sorefame para o Concelho, que «precisa de mais emprego com qualidade e não da destruição do existente, e a sua substituição por novas urbanizações», considerando que «se o Governo não faz nada para defender os interesses do País, façamos nós algo, e livremos o País deste Governo».
Termina com um apelo à população, para apoiar activamente a luta dos trabalhadores da Sorefame em defesa da empresa e da economia nacional.
As mentiras do Governo
A Concelhia tomou também posição sobre as declarações proferidas no dia 19 pelo Governo, à saída da reunião com o embaixador do Canadá. Para o PCP, os ministros da Economia e dos Transportes confirmaram «a postura de completa submissão aos interesses das multinacionais».
Os dois ministros afirmaram, naquele momento, ter pedido à Bombardier para canalizar trabalho da unidade espanhola para Portugal. A Concelhia faz notar que – como é do conhecimento do Governo, embora finja não o saber – «o governo espanhol não permite que concursos ganhos em Espanha pela Bombardier sejam produzidos noutros países e coloca à cabeça desses concursos uma forte percentagem obrigatória de incorporação nacional». Segundo o PCP, «bastava os últimos Governos - do PS e do PSD/PP - terem seguido este exemplo e a Sorefame teria hoje trabalho» garantido.
Os governantes disseram ainda que a Bombardier tinha exigido garantias de ganhar todos os concursos em Portugal para encarar a possibilidade de não encerrar a Sorefame. O PCP recorda que os Governos PS e PSD venderam a Sorefame - e não só - às multinacionais, «por tuta e meia».
A Concelhia considera que «através de uma correcta e atempada planificação da expansão do transporte ferroviário em Portugal e da sua ligação à Sorefame, é possível «coordenar essa mesma expansão com a plena ocupação da capacidade produtiva instalada».
Perante a gravidade da situação, o PCP apelou à marcação urgente de reuniões extraordinárias da Assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia, uma vez que estão em causa mais de 400 empregos directos.
O PCP solicitou ainda, no dia 22, ao Presidente da Assembleia Municipal e aos 11 presidentes das assembleias de Freguesia da Amadora, a marcação de reuniões extraordinárias que terão como ponto único da ordem de trabalhos a aprovação de
PCP alerta Europa
A eurodeputada do PCP, Ilda Figueiredo, cabeça-de-lista da CDU às eleições europeias de 13 de Junho, levantou a situação da Bombardier/Sorefame no Parlamento Europeu, também no passado dia 18, através de uma pergunta oral e de uma pergunta escrita prioritária. Nesta última, a eurodeputada recordou já ter levantado o problema no dia 28 de Novembro.
Tendo-se confirmado «as piores expectativas», Ilda Figueiredo voltou a falar da importância da Sorefame em Portugal, para depois perguntar «que medidas pensa a Comissão Europeia tomar» para garantir a laboração da unidade e se não considera que este exemplo «evidencia a necessidade de uma intervenção pública em empresas de importância estratégica fundamental, designadamente, multinacionais, para garantir o emprego, a produção e o desenvolvimento».
Na pergunta oral, Ilda Figueiredo quis ainda saber se a Bombardier recebeu apoios ao abrigo de programas comunitários e, se sim, quais e que medidas pensa tomar para que esse investimento não seja perdido, bem como para garantir o emprego e a produção nestas empresas».
O Grupo Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica, que integra os deputados do PCP, solicitou ao Parlamento Europeu o agendamento de um debate sobre esta matéria, para a próxima sessão plenária, a ter início no dia 29.
A concorrência e o mercado
O Grupo Siemens manifestou-se interessado na compra da unidade portuguesa da Bombardier, ao que a administração da multinacional canadiana respondeu não ter recebido qualquer proposta. No dia 17, a Bombardier anunciou um plano de reestruturação neste sector que prevê o encerramento de sete unidades em cinco países europeus, entre elas a portuguesa.
As restantes unidades agora em causa estão em países onde a protecção social é um garante mais eficaz nestas situações do que a portuguesa: Alemanha, Suíça, Suécia e Reino Unido. Ao todo, a Bombardier pretende suprimir 6.600 empregos.
Uma vez que a Siemens é sua concorrente, a Bombardier prefere antes extinguir as unidades para manter a sua posição no mercado internacional, como refere uma nota da Concelhia da Amadora do PCP à comunicação social.