Golpe derruba Aristide
Jean Bertrand Aristide renunciou, na madrugada de sábado, ao mandato de presidente do Haiti. Tropas americanas, canadianas e francesas ocupam Port-au-Prince, enquanto esperam pela chegada de reforços que permitam controlar o país.
«EUA e França enviaram contingentes militares para Port-au-Prince»
Depois de quatro semanas de violentos confrontos com a oposição armada, Jean Bertrad Aristide abandonou o Haiti, facto confirmado por Yvon Neptune, primeiro-ministro do país, que no domingo leu a declaração de renúncia de Aristide.
Tal como prevê a constituição do país, o poder foi assumido transitoriamente pelo responsável máximo do Supremo Tribunal de Justiça, Boniface Alexandre, o qual, em declarações à imprensa, apelou ao fim da violência e decretou o recolher obrigatório, declarando que «ninguém deve fazer justiça com as próprias mãos».
Da parte da cúpula da oposição política, reunida em torno da plataforma Convergência Democrática (CD), Evans Paul sublinhou que «com a partida de Aristide, é o momento de cooperar com a comunidade internacional, que nos ajudou a tirar o presidente do poder».
Pelo mesmo diapasão alinharam os sublevados em armas, que afirmaram estar na disposição de ordenar um cessar-fogo e voltar atrás na intenção de tomar de assalto a capital do país, Port-au-Prince, uma vez que esta parece já não escapar às forças militares estrangeiras ali instaladas.
Diplomacia do golpe
Indiferentes ao que a oposição pretende, ou se está disposta a negociar, os EUA e a França enviaram contingentes militares para Port-au-Prince, cidade praticamente entregue a bandos armados, pró e contra Aristide, que espalham a violência indiscriminada entre a população, pilham lojas e casas, obrigando milhares de pessoas a fugirem para a periferia.
O caos instalado é, aliás, o principal pretexto invocado pelo grupo informal «amigos do Haiti», constituído pelos EUA, Canadá e França, para a invasão militar, já consubstanciada, de acordo com algumas fontes, no controle do aeroporto por parte do exército canadiano e na ocupação de pontos nevrálgicos, como a zona portuária da capital, por parte dos marines norte-americanos.
Reunido de emergência na noite de domingo, o Conselho de Segurança das Nações Unidas discutiu uma proposta de envio imediato de uma Força Multinacional de Interposição, com mandato de três meses, seguindo-se-lhe a constituição de uma missão de «capacetes azuis».
Também aqui, os interesses do eixo EUA-França parecem ter-se movido em antecipação, relegando o Conselho de Segurança da ONU para o papel de legitimador dos factos consumados nos corredores da diplomacia.
A intensificação da pressão externa, desde o final da semana passada e até à retirada de Aristide, isolou o presidente e conduziu à ocupação do país.
Depois da oposição ter rejeitado o projecto de cessar-fogo que previa a manutenção de Aristide até ao final do mandato, os responsáveis norte-americanos e franceses moveram-se em torno da renúncia presidencial.
Ainda assim, numa derradeira tentativa de conservar a autoridade vigente, representantes governamentais haitianos deslocaram-se a Paris para reunir com o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jacques de Villepin, reunião da qual resultou a certeza de que, daquele lado do atlântico, já não havia interesse na manutenção do então Chefe de Estado.
Da mesma forma, os EUA perceberam que Aristide já não tinha condições para continuar e, recebidos no palácio presidencial na noite de sábado, «convidaram-no» a deixar o poder e a abrir as portas aos «senhores que se seguem».
Tal como prevê a constituição do país, o poder foi assumido transitoriamente pelo responsável máximo do Supremo Tribunal de Justiça, Boniface Alexandre, o qual, em declarações à imprensa, apelou ao fim da violência e decretou o recolher obrigatório, declarando que «ninguém deve fazer justiça com as próprias mãos».
Da parte da cúpula da oposição política, reunida em torno da plataforma Convergência Democrática (CD), Evans Paul sublinhou que «com a partida de Aristide, é o momento de cooperar com a comunidade internacional, que nos ajudou a tirar o presidente do poder».
Pelo mesmo diapasão alinharam os sublevados em armas, que afirmaram estar na disposição de ordenar um cessar-fogo e voltar atrás na intenção de tomar de assalto a capital do país, Port-au-Prince, uma vez que esta parece já não escapar às forças militares estrangeiras ali instaladas.
Diplomacia do golpe
Indiferentes ao que a oposição pretende, ou se está disposta a negociar, os EUA e a França enviaram contingentes militares para Port-au-Prince, cidade praticamente entregue a bandos armados, pró e contra Aristide, que espalham a violência indiscriminada entre a população, pilham lojas e casas, obrigando milhares de pessoas a fugirem para a periferia.
O caos instalado é, aliás, o principal pretexto invocado pelo grupo informal «amigos do Haiti», constituído pelos EUA, Canadá e França, para a invasão militar, já consubstanciada, de acordo com algumas fontes, no controle do aeroporto por parte do exército canadiano e na ocupação de pontos nevrálgicos, como a zona portuária da capital, por parte dos marines norte-americanos.
Reunido de emergência na noite de domingo, o Conselho de Segurança das Nações Unidas discutiu uma proposta de envio imediato de uma Força Multinacional de Interposição, com mandato de três meses, seguindo-se-lhe a constituição de uma missão de «capacetes azuis».
Também aqui, os interesses do eixo EUA-França parecem ter-se movido em antecipação, relegando o Conselho de Segurança da ONU para o papel de legitimador dos factos consumados nos corredores da diplomacia.
A intensificação da pressão externa, desde o final da semana passada e até à retirada de Aristide, isolou o presidente e conduziu à ocupação do país.
Depois da oposição ter rejeitado o projecto de cessar-fogo que previa a manutenção de Aristide até ao final do mandato, os responsáveis norte-americanos e franceses moveram-se em torno da renúncia presidencial.
Ainda assim, numa derradeira tentativa de conservar a autoridade vigente, representantes governamentais haitianos deslocaram-se a Paris para reunir com o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jacques de Villepin, reunião da qual resultou a certeza de que, daquele lado do atlântico, já não havia interesse na manutenção do então Chefe de Estado.
Da mesma forma, os EUA perceberam que Aristide já não tinha condições para continuar e, recebidos no palácio presidencial na noite de sábado, «convidaram-no» a deixar o poder e a abrir as portas aos «senhores que se seguem».