Somincor reforçada
O Estado português deveria reforçar a sua posição na empresa, «como condição para garantir o aproveitamento integral e racional dos recursos mineiros e, consequentemente, prolongar ao máximo a vida útil da mina e com ela o desenvolvimento económico da região e a manutenção de emprego».
O erro da laboração contínua foi corrigido pela luta dos mineiros
O apoio dos trabalhadores à reclamação do sindicato foi expressa em plenário, uma semana depois de ter sido aberto, a 18 de Novembro de 2003, o concurso público para a privatização. Na mesma ocasião ficou decidida a realização de acções de luta, para depois de uma série de reuniões e diligências junto do Governo, da Assembleia da República e do Presidente da República.
No apelo à intervenção de Jorge Sampaio, os mineiros contestaram os dois principais fundamentos do Governo para a privatização.
Quanto à tese de que o Estado é mau gestor, recordam que quem geriu a empresa em nome do Estado não foi chamado a prestar contas por erros de gestão, «nomeadamente os que permitiram formas de exploração que terão deixado irremediavelmente perdidos valiosos recursos, segundo afirmações públicas de ex-quadros da empresa». A introdução da laboração contínua nos trabalhos subterrâneos foi um erro que acabou por ser corrigido por força da luta dos trabalhadores, que foram sancionados. «Falamos, assim, com a autoridade de quem representa aqueles que sentem na pele os erros de gestão e da acção repressiva, sem que isso leve ao endeusamento da gestão a fazer por privados, cujo objectivo primeiro e único é o lucro máximo», afirma o sindicato na missiva enviada para Belém no início de Dezembro passado.
Quanto ao objectivo de privatizar, o facto de ele estar inscrito no Programa Eleitoral que o Governo invoca «servirá, quanto muito, para co-responsabilizar quem votou nos partidos que o compõem». O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira defende junto do PR que «o que conta e vale é a Constituição, que o Governo está obrigado a cumprir e que a vossa excelência cabe garantir», e a qual «não preconiza a alienação dos recursos naturais nem a sua privatização, antes obriga o Governo a zelar pela eficácia do património público».
No apelo ao PR os mineiros manifestam-se «preocupados e empenhados em que não se torne um facto consumado uma alienação dum património natural e nacional e que, mais tarde, não se venha chorar sobre as ruínas à superfície, com riqueza enterrada e inexplorável debaixo dos pés».
A luta contra a privatização coincidiu com o processo reivindicativo para 2004, na empresa e a nível sectorial, e com o combate ao Código do Trabalho. Sempre presentes mantêm-se as provas de que a luta pode trazer resultados.
O que há em Neves-Corvo
A Somincor foi criada para explorar os jazigos de cobre e estanho descobertos, em 1977 e 1978, próximo de Santa Bárbara de Padrões, no concelho de Castro Verde, numa área de cerca de 600 quilómetros quadrados, integrada na faixa piritosa ibérica. As reservas fazem desta a maior mina de cobre da Europa, com teores muito elevados de cobre e estanho, bem como de zinco. «Trata-se duma mina de classe mundial, que se classifica entre as principais pela sua dimensão, capacidade e elevado nível tecnológico», informa a Empresa de Desenvolvimento Mineiro, holding estatal para o sector mineiro.
A produção iniciou-se em 1989, atingindo nesse ano um milhão de toneladas. Na primeira década foram extraídos quase 17 milhões de toneladas de minério, contendo percentagens de cobre muito elevadas. Em 2002, foram extraídas 1,745 milhões de toneladas, contendo 76 mil toneladas de concentrado de cobre. Num mercado mundial muito concorrencial, os resultados financeiros são influenciados pelas cotações e pelo câmbio do dólar, que entre 1998 e 2002 se têm situado nos níveis mais desfavoráveis da história da Somincor. Mesmo assim, os prejuízos registados são muito inferiores aos lucros dos primeiros dez anos. São estimados cerca de 7 milhões de euros de lucro no ano transacto.
Até 1999 a estimativa de vida da mina, com aproveitamento de zinco, previa o encerramento em 2011. Actualmente, estima-se que o cobre seja explorado até 2017 e o zinco até 2030.
A mina é servida por um poço principal, com 592 metros de profundidade, e por três rampas. No total, estão em operação mais de cem quilómetros de galerias e ainda 45 quilómetros de chaminés.
Na Somincor, que é o maior exportador e o maior contribuinte de impostos sobre lucros no Baixo Alentejo, trabalham 766 pessoas (em Dezembro de 2003), a que se juntam mais duas centenas por conta de empreiteiros.
Cerca de 90 por cento dos trabalhadores são dos concelhos de Castro Verde, Almodôvar e Aljustrel. Em 1996 um estudo avaliou o efeito da presença da Somincor em 2500 postos de trabalho, nos três concelhos (cerca de um quarto do emprego total). Quer pelos 3,5 milhões de contos pagos anualmente em salários, quer pelo fluxo financeiro anual de cerca de 5 milhões de contos, dispendidos na região pela empresa e pelos trabalhadores, a Somincor tem sido o principal motor da economia do Baixo Alentejo.
Enquanto a população do Baixo Alentejo diminuiu 10 por cento em 20 anos (1981-2001), a do concelho de Castro Verde aumentou 3,9 por cento. A mina teve reflexos positivos igualmente no índice de envelhecimento.
No apelo à intervenção de Jorge Sampaio, os mineiros contestaram os dois principais fundamentos do Governo para a privatização.
Quanto à tese de que o Estado é mau gestor, recordam que quem geriu a empresa em nome do Estado não foi chamado a prestar contas por erros de gestão, «nomeadamente os que permitiram formas de exploração que terão deixado irremediavelmente perdidos valiosos recursos, segundo afirmações públicas de ex-quadros da empresa». A introdução da laboração contínua nos trabalhos subterrâneos foi um erro que acabou por ser corrigido por força da luta dos trabalhadores, que foram sancionados. «Falamos, assim, com a autoridade de quem representa aqueles que sentem na pele os erros de gestão e da acção repressiva, sem que isso leve ao endeusamento da gestão a fazer por privados, cujo objectivo primeiro e único é o lucro máximo», afirma o sindicato na missiva enviada para Belém no início de Dezembro passado.
Quanto ao objectivo de privatizar, o facto de ele estar inscrito no Programa Eleitoral que o Governo invoca «servirá, quanto muito, para co-responsabilizar quem votou nos partidos que o compõem». O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira defende junto do PR que «o que conta e vale é a Constituição, que o Governo está obrigado a cumprir e que a vossa excelência cabe garantir», e a qual «não preconiza a alienação dos recursos naturais nem a sua privatização, antes obriga o Governo a zelar pela eficácia do património público».
No apelo ao PR os mineiros manifestam-se «preocupados e empenhados em que não se torne um facto consumado uma alienação dum património natural e nacional e que, mais tarde, não se venha chorar sobre as ruínas à superfície, com riqueza enterrada e inexplorável debaixo dos pés».
A luta contra a privatização coincidiu com o processo reivindicativo para 2004, na empresa e a nível sectorial, e com o combate ao Código do Trabalho. Sempre presentes mantêm-se as provas de que a luta pode trazer resultados.
O que há em Neves-Corvo
A Somincor foi criada para explorar os jazigos de cobre e estanho descobertos, em 1977 e 1978, próximo de Santa Bárbara de Padrões, no concelho de Castro Verde, numa área de cerca de 600 quilómetros quadrados, integrada na faixa piritosa ibérica. As reservas fazem desta a maior mina de cobre da Europa, com teores muito elevados de cobre e estanho, bem como de zinco. «Trata-se duma mina de classe mundial, que se classifica entre as principais pela sua dimensão, capacidade e elevado nível tecnológico», informa a Empresa de Desenvolvimento Mineiro, holding estatal para o sector mineiro.
A produção iniciou-se em 1989, atingindo nesse ano um milhão de toneladas. Na primeira década foram extraídos quase 17 milhões de toneladas de minério, contendo percentagens de cobre muito elevadas. Em 2002, foram extraídas 1,745 milhões de toneladas, contendo 76 mil toneladas de concentrado de cobre. Num mercado mundial muito concorrencial, os resultados financeiros são influenciados pelas cotações e pelo câmbio do dólar, que entre 1998 e 2002 se têm situado nos níveis mais desfavoráveis da história da Somincor. Mesmo assim, os prejuízos registados são muito inferiores aos lucros dos primeiros dez anos. São estimados cerca de 7 milhões de euros de lucro no ano transacto.
Até 1999 a estimativa de vida da mina, com aproveitamento de zinco, previa o encerramento em 2011. Actualmente, estima-se que o cobre seja explorado até 2017 e o zinco até 2030.
A mina é servida por um poço principal, com 592 metros de profundidade, e por três rampas. No total, estão em operação mais de cem quilómetros de galerias e ainda 45 quilómetros de chaminés.
Na Somincor, que é o maior exportador e o maior contribuinte de impostos sobre lucros no Baixo Alentejo, trabalham 766 pessoas (em Dezembro de 2003), a que se juntam mais duas centenas por conta de empreiteiros.
Cerca de 90 por cento dos trabalhadores são dos concelhos de Castro Verde, Almodôvar e Aljustrel. Em 1996 um estudo avaliou o efeito da presença da Somincor em 2500 postos de trabalho, nos três concelhos (cerca de um quarto do emprego total). Quer pelos 3,5 milhões de contos pagos anualmente em salários, quer pelo fluxo financeiro anual de cerca de 5 milhões de contos, dispendidos na região pela empresa e pelos trabalhadores, a Somincor tem sido o principal motor da economia do Baixo Alentejo.
Enquanto a população do Baixo Alentejo diminuiu 10 por cento em 20 anos (1981-2001), a do concelho de Castro Verde aumentou 3,9 por cento. A mina teve reflexos positivos igualmente no índice de envelhecimento.