Filial brasileira à beira do colapso

Um tribunal de S. Paulo colocou a filial brasileira da Parmalat sob controlo de uma junta administrativa, que deverá elaborar um relatório sobre a verdadeira situação financeira da empresa.
A decisão, anunciada na sexta-feira, 13, surge depois de, em Janeiro passado, as investigações terem detectado dívidas gigantescas acumuladas na última década, que foram em parte financiadas pela emissão de acções no valor de 900 milhões de dólares.
A emaranhada rede de empresa criadas pelo grupo italiano incluía a Parmalat Participações Brasil que controlava a Parmalat Brasil SA. Só estas duas firmas somam uma dívida de 1760 milhões de dólares.
Entretanto, alegadamente para gerir as dívidas do grupo, foi criada a Carital Brasil, que contraiu empréstimos à banca estimados em 650 milhões de dólares, que terão sido enviados para outra filial no Uruguai.
Face à situação de iminente ruptura, o Tribunal decidiu suspender por seis meses os pagamentos da empresa que se encontra completamente descapitalizada. Sem meios para adquirir matéria-prima, a Parmalat Brasil, a maior filial desta multinacional na América Latina, está a operar com apenas 30 por cento das suas capacidades.
Nos últimos anos, a Parmalat brasileira alienou dezenas de fábricas e inúmeros imóveis, tendo beneficiado em 2003 de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil.
A justiça determinou ainda que a filial tinha uma estreita ligação com a casa mãe e que os seus administradores prestavam contas «directa e exclusivamente» a Calisto Tanzi, o ex-presidente da multinacional, actualmente preso em Itália.


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