Os espiões
Ouvi há pouco, numa rádio, o embaixador Cutileiro a explicar a embrulhada em que Bush e Blair se meteram, agora que é dado como certo que não havia armas de destruição maciça no Iraque. O que lá vai lá vai, parecia querer dizer o embaixador, que não adiantou nada quanto ao que, a partir desse conhecimento - ou desconhecimento - os agressores deveriam fazer. Ou seja, sair do Iraque com apresentação de desculpas ao povo iraquiano e aos outros povos todos do mundo e, já agora, também aos povos americano e britânico, enganados provavelmente com as «informações» de Collin Powell que, de novo recordamos, até mostrou bonecos a «mostrar» como é que Saddam escondia as terríveis armas.
O embaixador, embora lamentasse o facto de a agressão ter sido baseada em informações erradas, desculpava «os americanos». «Ou os americanos mentiram - e não mentiram», disse Cutileiro, de uma penada arredando a hipótese de má fé por parte do inefável Bush, ou então as informações eram deficientes. E o embaixador dava uma razão, a seu ver plausível, para a deficiência. É que as informações de que os «aliados» dispunham baseavam-se em vigilância electrónica, porque «não havia espiões no terreno».
Tal candura fez-me pensar, embora saiba quanto valem as explicações de um embaixador.
Sabemos que há sempre espiões. E pode ser mais ou menos difícil arranjá-los quanto seja maior ou menor a disposição de «trair» por parte de uma população no seu conjunto. Traidores também os há, e mesmo a mais antiga tradição, a da última ceia, parece sugerir-nos que em cada mesa de treze, um dos comensais tem mais olhos que barriga. Não fazemos questão no número. Nem pretendemos aqui expor razões para uma traiçãozinha - pode ser a tentação da bolsa com os trinta dinheiros, mas também pode ser o facto de se saber que a ceia é a última ou que tão cedo não haverá mais vitualhas em determinada mesa.
O certo é que as explicações de Cutileiro são bastantes frouxas. Espiões certamente haveria. Poucos? É que a vontade de trair não era muita. E isto vem mais uma vez mostrar que a vida dos invasores não vai ser fácil.
O embaixador, embora lamentasse o facto de a agressão ter sido baseada em informações erradas, desculpava «os americanos». «Ou os americanos mentiram - e não mentiram», disse Cutileiro, de uma penada arredando a hipótese de má fé por parte do inefável Bush, ou então as informações eram deficientes. E o embaixador dava uma razão, a seu ver plausível, para a deficiência. É que as informações de que os «aliados» dispunham baseavam-se em vigilância electrónica, porque «não havia espiões no terreno».
Tal candura fez-me pensar, embora saiba quanto valem as explicações de um embaixador.
Sabemos que há sempre espiões. E pode ser mais ou menos difícil arranjá-los quanto seja maior ou menor a disposição de «trair» por parte de uma população no seu conjunto. Traidores também os há, e mesmo a mais antiga tradição, a da última ceia, parece sugerir-nos que em cada mesa de treze, um dos comensais tem mais olhos que barriga. Não fazemos questão no número. Nem pretendemos aqui expor razões para uma traiçãozinha - pode ser a tentação da bolsa com os trinta dinheiros, mas também pode ser o facto de se saber que a ceia é a última ou que tão cedo não haverá mais vitualhas em determinada mesa.
O certo é que as explicações de Cutileiro são bastantes frouxas. Espiões certamente haveria. Poucos? É que a vontade de trair não era muita. E isto vem mais uma vez mostrar que a vida dos invasores não vai ser fácil.