A carne e os ossos
Incansável e diligente guardador de interesses do capitalismo, e por isso mesmo depositário de máxima confiança enquanto instrumento da mais pura ortodoxia neoliberal, Vítor Constâncio veio a terreiro defender a imperiosa necessidade do alargamento da idade da reforma e do prolongamento da vida activa dos trabalhadores.
Enganados estarão todos aqueles que viam no avanço tecnológico e cientifico imprimido à produção e no desenvolvimento das forças produtivas que o capitalismo propiciara, condição e possibilidade de ser traduzido em ganhos de bem estar dos trabalhadores, de redução do horário da jornada de trabalho, de maior tempo destinado à fruição e ao lazer. Não porque assim não devesse ou pudesse ser, mas sim porque a lógica inumana do capital assim o impede.
Ganhos de direito a repouso após uma vida de trabalho são conquistas incompatíveis com a indispensável sobre-exploração do trabalho e os superiores interesse de acumulação de capital.
Manter ou baixar a idade da reforma de quem ao longo de quarenta ou mais anos produziu e agora julgaria poder ter legítimo direito a mais tempo para si? Um desperdício de mão de obra ainda reproduzível que o país não pode dispensar, vocifera o Governador do Banco de Portugal! Reforma aos sessenta e cinco anos como horizonte para um percurso de vida preenchido pela fase de vida activa e laboral? Um desperdício de energia aplicável à produção de quem viu a sua esperança de vida alargar-se, grita indignado o governador do Banco de Portugal! O trabalho enquanto factor de satisfação das necessidades do Homem, de progresso e protecção social, de elevação das suas condições de vida? E a produtividade, a competitividade, as margens de lucro, o pacto de estabilidade ou o défice orçamental, contrapõe, agitado, o zelador dos interesses instalados por quem exerce tão responsável função! Quem lhe comeu a carne que lhe coma também os ossos, pretende concluir Vítor Constâncio.
Desinquieto se ficaria se tais afirmações fossem sinais isolados, desabafos irresponsáveis ou meras perturbações de carácter de quem as sustenta. Elas são na sua mais crua expressão o rosto de um sistema e da lógica em que assenta. Tal como a fome que hoje atinge e mata milhões de seres humanos só é explicável pela falta de direitos e não pela escassez de bens; tal como hoje se sabe que o declínio acentuado do nível de vida das populações não resulta da escassez dos recursos produtivos; também a busca até ao limite do explorável em matéria de força de trabalho constitui prova da evidência da mais completa falência do capitalismo na mobilização, ao serviço dos trabalhadores e da melhoria das suas condições de vida, dos recursos humanos e materiais que o desenvolvimento das forças produtivas possibilitou.
Enganados estarão todos aqueles que viam no avanço tecnológico e cientifico imprimido à produção e no desenvolvimento das forças produtivas que o capitalismo propiciara, condição e possibilidade de ser traduzido em ganhos de bem estar dos trabalhadores, de redução do horário da jornada de trabalho, de maior tempo destinado à fruição e ao lazer. Não porque assim não devesse ou pudesse ser, mas sim porque a lógica inumana do capital assim o impede.
Ganhos de direito a repouso após uma vida de trabalho são conquistas incompatíveis com a indispensável sobre-exploração do trabalho e os superiores interesse de acumulação de capital.
Manter ou baixar a idade da reforma de quem ao longo de quarenta ou mais anos produziu e agora julgaria poder ter legítimo direito a mais tempo para si? Um desperdício de mão de obra ainda reproduzível que o país não pode dispensar, vocifera o Governador do Banco de Portugal! Reforma aos sessenta e cinco anos como horizonte para um percurso de vida preenchido pela fase de vida activa e laboral? Um desperdício de energia aplicável à produção de quem viu a sua esperança de vida alargar-se, grita indignado o governador do Banco de Portugal! O trabalho enquanto factor de satisfação das necessidades do Homem, de progresso e protecção social, de elevação das suas condições de vida? E a produtividade, a competitividade, as margens de lucro, o pacto de estabilidade ou o défice orçamental, contrapõe, agitado, o zelador dos interesses instalados por quem exerce tão responsável função! Quem lhe comeu a carne que lhe coma também os ossos, pretende concluir Vítor Constâncio.
Desinquieto se ficaria se tais afirmações fossem sinais isolados, desabafos irresponsáveis ou meras perturbações de carácter de quem as sustenta. Elas são na sua mais crua expressão o rosto de um sistema e da lógica em que assenta. Tal como a fome que hoje atinge e mata milhões de seres humanos só é explicável pela falta de direitos e não pela escassez de bens; tal como hoje se sabe que o declínio acentuado do nível de vida das populações não resulta da escassez dos recursos produtivos; também a busca até ao limite do explorável em matéria de força de trabalho constitui prova da evidência da mais completa falência do capitalismo na mobilização, ao serviço dos trabalhadores e da melhoria das suas condições de vida, dos recursos humanos e materiais que o desenvolvimento das forças produtivas possibilitou.