«O dever de um revolucionário é...»

Armindo Miranda (Membro da Comissão Política do PCP)
O capital sempre soube definir muito bem os seus inimigos principais, aqueles que põem em causa os seus interesses de classe. Os que colocam como objectivo fundamental da sua acção política a substituição da sociedade capitalista, desumana, cruel, opressora e exploradora, por uma outra, a sociedade socialista, onde o ser humano em todas as suas dimensões seja o centro da acção política e os trabalhadores o sujeito histórico da transformação social.

Bush é o pre­si­dente do país que mais re­gimes fas­cistas ins­taurou e apoiou

Na actualidade, o seu ódio de classe é dirigido aos comunistas e a todos aqueles que, mesmo não o sendo, de alguma forma o afrontam, colocando em causa os seus interesses de classe, como está a suceder na América Latina onde alguns países tentam libertar-se do jugo opressor do imperialismo norte americano que arrecada grande parte da riqueza desses países, através da pilhagem das matérias primas e do pagamento dos juros da dívida. Entretanto, milhares de pessoas morrem diariamente à fome ou vivem na miséria. A tentativa em curso por parte da Argentina, Brasil e Venezuela de conjugar esforços no sentido de uma maior integração económica, por forma a libertarem-se da política neocolonialista dos EUA, levou o governo deste país a mostrar de imediato a sua preocupação, alargando-a ao facto de os governos de Cuba e Venezuela terem assinado um protocolo de cooperação que prevê o envio de médicos e professores de Cuba para a Venezuela e petróleo da Venezuela para Cuba.
E, num tom ameaçador, à moda do discípulo bin Laden, o governo dos EUA logo avisou que não iria tolerar que fosse interrompida a democratização da América Latina. A tal democracia que permite que os capitalistas americanos se passeiem por esses países como se de quintas deles se tratassem. Quem ameaça e fala de democracia é o presidente do país que mais regimes fascistas instaurou e apoiou, nomeadamente na América Latina (e que no caso concreto de Portugal, não só apoiou o fascismo até ao fim como apoiou logo a seguir a contra-revolução). É o presidente que foi eleito como toda a gente sabe, na sequência de uma vergonhosa fraude eleitoral, num país que fez do sufrágio universal um passatempo para meia dúzia de pessoas e transformou o pluralismo partidário num unipartidarismo bicéfalo.
É o mesmo «democrático» presidente do país que invadiu outro país e matou milhares de pessoas com o pretexto de ir buscar as nunca encontradas armas de destruição maciça quando, esse país sozinho, possui e já utilizou contra cidadãos indefesos, mais armas de destruição maciça, químicas e biológicas do que todos os outros países juntos.

Res­posta firme

A resposta dos governos à ameaça imperial dos homens de mão das multinacionais (das quais fazem parte) foi, para já, firme e contundente e tem por isso mesmo importância política relevante no plano internacional. Juntamente com Cuba a conseguir defender a Revolução socialista e a sua soberania, estes são aspectos positivos da situação política internacional, com que iniciamos este ano de 2004. E que colocam de novo em evidência por um lado a extraordinária arrogância com que o imperialismo se sente mandatado pela correlação de forças no plano internacional e, por outro, como essa correlação pode ser alterada se lhe for dado combate com firmeza e determinação, confirmando que é possível resistir e vencer.
E, independentemente da evolução destes processos de transformação em curso na América Latina, é de saudá-los desde já. É preciso ter em conta que a história, e em particular a história do movimento operário, mostra que, apesar das enormes dificuldades e obstáculos, há forças que se acumulam e processos que podem evoluir rapidamente num sentido favorável à luta progressista e revolucionária. Sem subestimar a força e a determinação do grande capital em defender os seus interesses e privilégios de classe, o que vai obrigar a duras lutas para vencer a resistência e enfrentar a violência das classes dominantes, neste processo – com grande probabilidade complexo e prolongado.
Mas, tirando ensinamentos dos movimentos operários e comunista, identificados com os interesses e aspirações dos trabalhadores e das massas populares, fazendo da luta de classes e da luta de massas o motor fundamental da transformação social e política, defendendo e afirmando a independência política, ideológica e orgânica dos seus partidos, os comunistas conseguirão vitórias importantes para a vida dos trabalhadores e das populações e abrirão caminho para que neste século as transformações revolucionárias se generalizem e o socialismo triunfe sobre o capitalismo.Como disse Che Guevara, «o dever de um revolucionário é fazer a revolução!».


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