Lá vem o combóio
O primeiro-ministro, Durão Barroso, anunciou esta semana que a rede de alta velocidade em Portugal, vulgarmente conhecida como TGV, é um projecto que deve ser assumido como um desígnio nacional para as próximas décadas. Garantindo que «só se investe quando se acredita no futuro», e que ele, Durão Barroso, acredita na «rentabilidade deste projecto para Portugal», o chefe do governo fez saber que o rendimento de 10 mil milhões de euros na rede de alta velocidade vai criar mais de 90 mil novos empregos, aumentar o produto interno bruto (PIB) até 1,7 por cento e criar um valor acrescentado bruto de 14,5 mil milhões de euros.
A confirmarem-se, os números parecem promissores, embora para um leigo, como é o meu caso, pareça estranho que o futuro do país se deposite assim num único projecto, tipo salvação dos aflitos ou balão de oxigénio cujo horizonte não vai além de 2018, data prevista para a conclusão do último dos cinco eixos previstos.
Por mais que Durão afirme que cidades como Évora e Viseu «verão a sua estrutura demográfica e os seus padrões sociais e económicos evoluírem positivamente», para um leigo parece igualmente estranho que um dos principais benefícios esperados do TGV seja a «correcção das assimetrias regionais». Sabendo-se que o TGV não anda a parar em todas as estações e apeadeiros, que de resto foram desactivadas, paulatina e deliberadamente, nas últimas décadas, e não consta estarem em vias de reanimação, custa a crer que, completada a obra, a simples visão dos combóios a passar possa contribuir para o desenvolvimento do interior do país. Para quem não sabe, informa-se que as cinco linhas aprovadas são as de Lisboa-Porto, Lisboa-Badajoz, Porto-Vigo, Aveiro-Salamanca e Faro-Huelva, o que parece óptimo para fazer chegar com rapidez mercadorias e turistas até ao litoral, mas por si só não se afigura promissor para as desertificadas regiões do interior, que a alta velocidade nem com estatuto de paisagem ficam.
Não se pretende evidentemente, nestas breves linhas, desfazer no TGV, mas tal como o pobre, que desconfia quando a esmola é grande, também nós ficamos a pensar se não estaremos perante a cenoura que faz esquecer o cacete. Com as eleições a aproximarem-se a lata velocidade, mesmo sem rede, o melhor é ficar atento às passagens de nível para prevenir novos desastres.
A confirmarem-se, os números parecem promissores, embora para um leigo, como é o meu caso, pareça estranho que o futuro do país se deposite assim num único projecto, tipo salvação dos aflitos ou balão de oxigénio cujo horizonte não vai além de 2018, data prevista para a conclusão do último dos cinco eixos previstos.
Por mais que Durão afirme que cidades como Évora e Viseu «verão a sua estrutura demográfica e os seus padrões sociais e económicos evoluírem positivamente», para um leigo parece igualmente estranho que um dos principais benefícios esperados do TGV seja a «correcção das assimetrias regionais». Sabendo-se que o TGV não anda a parar em todas as estações e apeadeiros, que de resto foram desactivadas, paulatina e deliberadamente, nas últimas décadas, e não consta estarem em vias de reanimação, custa a crer que, completada a obra, a simples visão dos combóios a passar possa contribuir para o desenvolvimento do interior do país. Para quem não sabe, informa-se que as cinco linhas aprovadas são as de Lisboa-Porto, Lisboa-Badajoz, Porto-Vigo, Aveiro-Salamanca e Faro-Huelva, o que parece óptimo para fazer chegar com rapidez mercadorias e turistas até ao litoral, mas por si só não se afigura promissor para as desertificadas regiões do interior, que a alta velocidade nem com estatuto de paisagem ficam.
Não se pretende evidentemente, nestas breves linhas, desfazer no TGV, mas tal como o pobre, que desconfia quando a esmola é grande, também nós ficamos a pensar se não estaremos perante a cenoura que faz esquecer o cacete. Com as eleições a aproximarem-se a lata velocidade, mesmo sem rede, o melhor é ficar atento às passagens de nível para prevenir novos desastres.