Investigação e desenvolvimento

Cérebros preferem EUA

A Comissão Europeia está preocupada com a fuga de cérebros da UE e com a falta de investimentos europeus em investigação. Segundo o executivo de Bruxelas 75 por cento dos quadros europeus doutorados nos EUA entre 1991 e 2000 não tencionam regressar à Europa e que um número crescente deles prefere ficar nos Estados Unidos.
As principais razões invocadas pelos cientistas e engenheiros referem-se à qualidade do trabalho e o «acesso mais fácil às tecnologias de ponta».
O fenómeno é particularmente preocupante nos futuros países membros e nos países candidatos, mas «não poupa os Quinze», declarou na passada semana, dia 25, o comissário europeu para a investigação, Philippe Busquin.
Para acabar com o êxodo de cérebros, Busquin considera que a Europa terá de fornecer aos investigadores e cientistas «melhores condições de trabalho, melhores possibilidades de carreira e melhor acesso às tecnologias de ponta».
Nesse sentido, propôs que a União Europeia fixe como objectivo recrutar oito investigadores por cada mil activos, contra os cinco por mil actuais. O comissário também está preocupado com o fraco nível de investimentos em investigação e desenvolvimento na Europa, que se atrasa cada vez mais em relação aos Estados Unidos e ao Japão.
A UE estabeleceu como objectivo que as despesas em investigação atinjam três por cento do PIB (Produto Interno Bruto) médio europeu até 2010. O entanto, segundo o comissário, em 2001, os Quinze destinaram apenas dois por cento dos seus recursos à investigação (1,9 por cento na futura União a 25), contra 2,8 por cento dos Estados Unidos e 3,1 por cento do Japão.
Bruxelas constata ainda que a Europa está a atrair menos investimento dos EUA, baixando de cerca de 80 para 70 por cento a parte que consegue captar das despesas totais em investigação e desenvolvimento efectuadas por empresas norte-americanas no estrangeiro.
Esta tendência, segundo a Comissão Europeia, «é reveladora de um dos grandes pontos fracos da Europa: a incapacidade de atrair suficientemente capitais com forte intensidade de conhecimentos e capitais geradores de conhecimentos na economia global do conhecimento».


Mais artigos de: Europa

A luta pelo poder

Reunidos em Nápoles, na Itália, no passado fim-de-semana, os 25 ministros dos Negócios Estrangeiros, actuais membros e candidatos à UE, não chegaram a acordo sobre o texto definitivo da «constituição».

Pobreza é obstáculo

Cinco milhões de pessoas foram infectadas em 2003 pelo VIH em todo o mundo, mas apenas cinco por cento têm acesso a tratamento.

Polacos contra tropas no Iraque

Uma esmagadora maioria dos polacos, 67 por cento, discorda da participação dos seus soldados nas operações no Iraque, segundo revela uma sondagem divulgada na sexta-feira, 28.O inquérito, realizado entre os dias 7 e 10 de Novembro, após ter-se registado a primeira morte entre os soldados polacos no Iraque, indica uma...

Democratas-cristãos arrasam estado providência

Os democratas-cristãos alemães (CDU), defenderam em congresso realizado, na segunda e terça feiras, 1 e 2, em Leipzig, um conjunto de reformas radicais que rompe com o sistema de protecção social do paísLaurenz Meyer, o secretário-geral da CDU, não hesitou em classificar as propostas de reforma fiscal e do sistema de...

A Europa das grandes potências

A decisão da suspensão dos procedimentos por défice excessivo à França e à Alemanha veio evidenciar o que o PCP há muito tem vindo a afirmar: que são as grandes potências que dominam a União Europeia e que o Pacto de Estabilidade, criado por imposição da Alemanha como contrapartida para o euro, foi desde a sua criação um...