Lisboa

22 por cento!

Em Lisboa, raramente se terá assistido a tão baixa taxa de execução de um Plano de Actividades (PA). Este ano, ao fim de dez meses de execução, a CML apresenta o resultado de 22 por cento como taxa de execução do seu PA.
Ou seja: ao fim de dez meses que já passaram este ano, a CML só fez 22 por cento daquilo que devia ter feito, de acordo com aquilo que ela própria propôs e a Assembleia Municipal aprovou.
É a mais baixa taxa de execução do distrito de Lisboa e seguramente uma das mais baixas da história da Cidade.
E aquele número representa a média de actividade em todos os sectores. Mas há alguns em que os números são confrangedores. Por exemplo: zero por cento em gestão cemiterial; 3,4 por cento na iluminação pública; 9 por cento no trânsito. Mas não surpreendem menos os 30 por cento de execução na área da higiene urbana.
Em todo o caso, os números mais preocupantes nesta matéria serão talvez os relativos a quatro sectores de actividade centrais e que saem fortemente penalizados em termos de concretização de objectivos e de «performance».
São eles: a habitação social, com uns meros 20 por cento, e a reabilitação urbana, com 28 por cento; a conservação da rede viária, que está nos 16 por cento; e as infra-estruturas viárias, que não passaram até agora dos 14por cento de taxa de execução do previsto em Plano de Actividades.
Ao fim de dez meses, os números oficiais são deste teor. Confrangedores.
Passaram dez meses (300 dias) e só se executaram 22 por cento (um quinto) das acções previstas: é como se este ano, desde Janeiro, a CML tivesse trabalhado apenas 60 dias. Dois mesitos.

Agravam-se os problemas

Assim, não admira: os verdadeiros problemas da Cidade, dos moradores e ou dos que cá trabalham só podem mesmo agravar-se. Agravam-se cada vez mais e em ritmo galopante os problemas do espaço público e da limpeza, os buracos, o estacionamento caótico e até as inundações que desta vez se viram em Lisboa como já não se viam há anos. A incúria relativamente à adequada limpeza das sarjetas, junto com a forte chuvada, deram este resultado da semana passada, a que não é certamente estranha a baixa concretização do PA em matéria de saneamento: uns parcos 26 por cento.
É que é preciso trabalhar e dedicar-se muito. O mais ou menos e o laxismo, o trabalho a meio tempo ou assim-assim não servem Lisboa, uma cidade metropolitana com os problemas de envelhecimento que esta Cidade tem.

«Falta de tempo»

Os eleitos do PSD e do CDS na CML, que deviam estar a tempo inteiro a trabalhar para a Cidade, estão quase todos a meio tempo.
O próprio presidente tem várias ocupações simultâneas: contratos de duvidosa legalidade com dois jornais («A Bola» e o «Diário de Notícias») e um canal de televisão, a SIC. Os vereadores arrecadam também mais umas centenas de contos por mês nas empresas municipais e outras, subestimando a exigência e a atenção devidas ao trabalho autárquico.
O resultado está à vista de todos: bairros estão abandonados mas as urbanizações de luxo vão aparecendo a preço proibitivo para quem trabalha.
… Aliás, Lisboa sofre duplamente com os dois actuais poderes do PSD, já que tem no governo o presidente e na Câmara o vice-presidente do mesmo partido.
Dois cargos, mas a mesma política e o mesmo resultado: afrontar os direitos de quem trabalha.

Agências de promoção

Mas noutro registo, a CML «funciona» muito bem. De facto, a Câmara de Lisboa é hoje o centro de duas eficazes agências de promoção: a dos projectos políticos do dr. Lopes e a dos negócios imobiliários lucrativos como não há memória na Cidade depois do 25 de Abril.
A agência de negócios imobiliários é a que verdadeiramente mobiliza o dr. Lopes: a Av. 24 de Julho e o aterro da Boavista; as Torres de Alcântara e a Docapesca; o Casino, a Feira Popular e o Parque Mayer; as Torres da Expo e outros negócios similares.
Para esconder as negociatas de centenas de milhões de contos em benefício do capital financeiro, a CML, por iniciativa directa do seu presidente, desatou a contratar grandes nomes da arquitectura para assinar alguns dos projectos mais polémicos.


Mais artigos de: Nacional

«Esta PAC mata»

Mais de cinco mil agricultores manifestaram-se, em Lisboa, na passada quinta-feira, em protesto contra as consequências nefastas da Política Agrícola Comum (PAC).

Política de estrangulamento

A Câmara Municipal de Sintra aprova uma moção da CDU exigindo ao Governo que cumpra a lei e entregue às autarquias a percentagem que lhes cabe.

A situação do consulado de Andorra

A reestruturação consular não tem tido, como objectivo, a melhoria de resposta às legítimas necessidades das comunidades portuguesas, tendo arrecadado uma forte contestação.

Utentes exigem «manutenção da gestão pública»

As Comissões de Utentes da Saúde da Península de Setúbal exigem a manutenção da gestão pública nas unidades de saúde para preservar o carácter universal e tendencialmente gratuito da prestação de cuidados médicos.A reivindicação surge na sequência do VII Encontro das Comissões de Utentes da Saúde da Península de Setúbal,...

Outros sonhos

A Confederação Nacional dos Organismos de Deficientes (CNOD), apresentou, segunda-feira, uma série de quatro documentários, realizados por Christine Reeh, no âmbito do Ano Europeu das Pessoas com Deficiência. Para além da realizadora alemã, estiveram presentes o presidente da CNOD, Henrique Mendonça, Maria São José de...