Quatro funerais e um casamento
O quartel-general italiano em Nassíria, que vai acolher os 128 militares portugueses que ontem partiram para o Iraque, foi alvo de um atentado, na quarta-feira de manhã, que provocou pelo menos seis mortos e vários feridos. Na véspera, em Queluz, o primeiro-ministro despediu-se do contingente afirmando que o momento deve ser de «solidariedade» com aqueles homens e mulheres que vão realizar «uma missão de risco em nome de Portugal» e não um motivo para «fazer discussão política».
Para Durão Barroso parece ser irrelevante o facto de o destacamento português ser integralmente composto por voluntários ou, dito de uma forma mais crua, por mercenários, dado que se disponibilizaram a seguir para o Iraque a troco de vencimentos substancialmente superiores aos que recebem em Portugal.
Não é por acaso que Barroso escolhe o momento para bater na tecla da «solidariedade». Continuando a recusar responder à questão de fundo - o alinhamento com os EUA numa guerra ilegítima - o primeiro-ministro procura alijar responsabilidades de eventuais baixas sob a capa do interesse nacional, não ignorando que os mesmos que hoje o aplaudem serão os primeiros a acusá-lo amanhã de cangalheiro se o pior acontecer.
Também para as bandas do PS os coveiros andam muito activos. Depois de atribuladas reuniões para apurar se o partido ainda tinha alguma política para o país, de acalmadas temporariamente as hostes e reafirmado o apoio ao secretário-geral, eis que Ferro Rodrigues, em entrevista à RTP na passada terça-feira, volta a gastar as suas munições com o processo Casa Pia. Por mais legítima que seja a sua indignação com a persistência de notícias que teimam em enredá-lo no processo, Ferro Rodrigues está a revelar-se incapaz de separar as águas e insiste em morder cada isco envenenado que lhe aparece pela frente, esgrimindo na praça pública o que deveria manter no âmbito restrito do domínio privado. Enquanto isso, a actividade política que seria de esperar de um partido da oposição vai ficando em stand by, para descanso do Governo e da sua política de direita.
Mais a Norte, na invicta, é o senhor do Dragão que vai atirando pazadas para o enterro nacional. Pinto da Costa não perdoa a Rui Rio o desaguisado com a construção do novo estádio, nem a Mota Amaral por ter aplicado uma sanção aos deputados que se faltaram ao Parlamento para ir ver a final de Sevilha para a Taça Uefa. Vai daí, cortou-os da lista de convidados à inauguração do Estádio do Dragão, mas acolhe de braços abertos os representantes do Governo. Ausente do país, Durão Barroso não estará na cerimónia, mas visita o estádio no dia do último jogo para a Liga dos Campeões Europeus, com a promessa de Pinto da Costa de que «não será vaiado», porque naquelas bandas sabem «ser reconhecidos» a quem colabora com eles. É a política nacional no seu melhor.
No meio de tudo isto, passou quase despercebido o alerta dos produtores florestais no Parlamento: «Não há raízes a segurar a terra nas montanhas, e quando a terra cair por aí abaixo e quando ficar a pedra à mostra (...) fica o calhau e não fica mais nada». São as sequelas dos incêndios, agora que o Inverno está à porta, e o país real a lembrar que «de pedras ninguém se alimenta», mas não há dúvida de que se morre.
Mas a principal notícia dos últimos dias foi mesmo a do noivado real em Espanha, repetida até ao enjoo, com directos na televisões e primeiras páginas de jornais. Era só o que nos faltava.
Para Durão Barroso parece ser irrelevante o facto de o destacamento português ser integralmente composto por voluntários ou, dito de uma forma mais crua, por mercenários, dado que se disponibilizaram a seguir para o Iraque a troco de vencimentos substancialmente superiores aos que recebem em Portugal.
Não é por acaso que Barroso escolhe o momento para bater na tecla da «solidariedade». Continuando a recusar responder à questão de fundo - o alinhamento com os EUA numa guerra ilegítima - o primeiro-ministro procura alijar responsabilidades de eventuais baixas sob a capa do interesse nacional, não ignorando que os mesmos que hoje o aplaudem serão os primeiros a acusá-lo amanhã de cangalheiro se o pior acontecer.
Também para as bandas do PS os coveiros andam muito activos. Depois de atribuladas reuniões para apurar se o partido ainda tinha alguma política para o país, de acalmadas temporariamente as hostes e reafirmado o apoio ao secretário-geral, eis que Ferro Rodrigues, em entrevista à RTP na passada terça-feira, volta a gastar as suas munições com o processo Casa Pia. Por mais legítima que seja a sua indignação com a persistência de notícias que teimam em enredá-lo no processo, Ferro Rodrigues está a revelar-se incapaz de separar as águas e insiste em morder cada isco envenenado que lhe aparece pela frente, esgrimindo na praça pública o que deveria manter no âmbito restrito do domínio privado. Enquanto isso, a actividade política que seria de esperar de um partido da oposição vai ficando em stand by, para descanso do Governo e da sua política de direita.
Mais a Norte, na invicta, é o senhor do Dragão que vai atirando pazadas para o enterro nacional. Pinto da Costa não perdoa a Rui Rio o desaguisado com a construção do novo estádio, nem a Mota Amaral por ter aplicado uma sanção aos deputados que se faltaram ao Parlamento para ir ver a final de Sevilha para a Taça Uefa. Vai daí, cortou-os da lista de convidados à inauguração do Estádio do Dragão, mas acolhe de braços abertos os representantes do Governo. Ausente do país, Durão Barroso não estará na cerimónia, mas visita o estádio no dia do último jogo para a Liga dos Campeões Europeus, com a promessa de Pinto da Costa de que «não será vaiado», porque naquelas bandas sabem «ser reconhecidos» a quem colabora com eles. É a política nacional no seu melhor.
No meio de tudo isto, passou quase despercebido o alerta dos produtores florestais no Parlamento: «Não há raízes a segurar a terra nas montanhas, e quando a terra cair por aí abaixo e quando ficar a pedra à mostra (...) fica o calhau e não fica mais nada». São as sequelas dos incêndios, agora que o Inverno está à porta, e o país real a lembrar que «de pedras ninguém se alimenta», mas não há dúvida de que se morre.
Mas a principal notícia dos últimos dias foi mesmo a do noivado real em Espanha, repetida até ao enjoo, com directos na televisões e primeiras páginas de jornais. Era só o que nos faltava.