Urgências
Quando, há pouco tempo, surgiu a novidade do encerramento das urgências pediátricas nocturnas de dois grandes Hospitais de Lisboa – o de Santa Maria e o de S. Francisco Xavier – e a concentração deste serviço no Hospital de D. Estefânia, não houve grande alarido para além da reacção dos clínicos directamente envolvidos.
Todos, à uma, reclamaram contra a medida, acusada de ilegal pelos médicos e que obriga administrativamente os pediatras dos referidos hospitais a prestarem serviço nocturno em D. Estefânia, para além dos horários normais e serviços extraordinários a que têm de responder diariamente nas unidades de Saúde a que estão vinculados.
É claro que, do ponto de vista dos utentes da Região de Lisboa, isto encaminha-se para o calamitoso. A questão é simples: se havia três hospitais pediátricos para servir a capital e respectiva região (que vai muito para além da Grande Lisboa, servindo quase todo o Sul do País), concentrar os serviços de atendimento nocturno numa única unidade configura, forçosamente, uma brutal quebra de qualidade e eficácia na assistência médica às crianças.
Só que a situação é muito mais séria.
O caos alastrou e, neste momento, está instalado nas urgências não apenas de pediatria, mas também de obstetrícia, e não só em Lisboa, mas também no Porto e no Norte do País.
Ou seja, a escassez de obstetras e ginecologistas, a que se junta o reduzido número de partos registado em diversas unidades de todo o País, obrigarão ao encerramento de maternidades.
Para enfrentar de imediato o problema, já se tomam medidas concretas: responsáveis da Ordem dos Médicos do Norte reúnem-se com responsáveis na área para elaborar uma lista dos hospitais nortenhos a evitar pelas grávidas, enquanto se prevê igualmente o encerramento das urgências de obstetrícia nos hospitais de Cascais, Vila Franca de Xira e Torres Vedras, enquanto em Braga, Barcelos, Famalicão e Viana do Castelo só se consegue assegurar dois clínicos por turno, o que tem obrigado à transferência de alguns partos para o Porto.
Entretanto, o director do serviço de pediatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, afirma que a decisão de concentrar, durante a noite, as urgências pediátricas da capital no Hospital da Estefânia está a prejudicar de forma grave os cuidados especializados prestados às crianças na unidade que dirige, e que já luta com problemas devido ao envelhecimento dos quadros e a sua não renovação.
A coisa é séria, mas está longe de ser uma surpresa. Em rigor, é mesmo um problema há muito anunciado, com estudos e advertências várias.
A última até veio do poder central.
O Ministério da Saúde fez um levantamento da situação dos médicos em 1998 – já lá vão cinco anos. O estudo apontava para uma crise logo nesse ano, quando se esperava a reforma em massa de mais de 500 profissionais, que não era compensada pela saída das faculdades de novos clínicos.
Ao que se sabe, de então para cá nem o documento foi actualizado e, muito menos, foi invertida a política de gestão de recursos humanos, neste sector estratégico.
É uma evidência gigantesca que o problema central está na falta de médicos no nosso País e, em decorrência, na falha crescente de especialistas nas mais diversas especialidades. O caos já rebentou na pediatria e na obstetrícia; outras se seguirão, inapelavelmente.
Pelo que se pergunta aos preclaros governantes deste País:
Por que carga de água se continua a restringir, até ao absurdo, o acesso universitário aos cursos de Medicina em Portugal?
Mais exactamente, de que se está à espera para investir seria e estrategicamente na formação de médicos no nosso País?
Dos interesses privados, para que também aqui tudo ganhem enquanto o País tudo perde?!...
Todos, à uma, reclamaram contra a medida, acusada de ilegal pelos médicos e que obriga administrativamente os pediatras dos referidos hospitais a prestarem serviço nocturno em D. Estefânia, para além dos horários normais e serviços extraordinários a que têm de responder diariamente nas unidades de Saúde a que estão vinculados.
É claro que, do ponto de vista dos utentes da Região de Lisboa, isto encaminha-se para o calamitoso. A questão é simples: se havia três hospitais pediátricos para servir a capital e respectiva região (que vai muito para além da Grande Lisboa, servindo quase todo o Sul do País), concentrar os serviços de atendimento nocturno numa única unidade configura, forçosamente, uma brutal quebra de qualidade e eficácia na assistência médica às crianças.
Só que a situação é muito mais séria.
O caos alastrou e, neste momento, está instalado nas urgências não apenas de pediatria, mas também de obstetrícia, e não só em Lisboa, mas também no Porto e no Norte do País.
Ou seja, a escassez de obstetras e ginecologistas, a que se junta o reduzido número de partos registado em diversas unidades de todo o País, obrigarão ao encerramento de maternidades.
Para enfrentar de imediato o problema, já se tomam medidas concretas: responsáveis da Ordem dos Médicos do Norte reúnem-se com responsáveis na área para elaborar uma lista dos hospitais nortenhos a evitar pelas grávidas, enquanto se prevê igualmente o encerramento das urgências de obstetrícia nos hospitais de Cascais, Vila Franca de Xira e Torres Vedras, enquanto em Braga, Barcelos, Famalicão e Viana do Castelo só se consegue assegurar dois clínicos por turno, o que tem obrigado à transferência de alguns partos para o Porto.
Entretanto, o director do serviço de pediatria do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, afirma que a decisão de concentrar, durante a noite, as urgências pediátricas da capital no Hospital da Estefânia está a prejudicar de forma grave os cuidados especializados prestados às crianças na unidade que dirige, e que já luta com problemas devido ao envelhecimento dos quadros e a sua não renovação.
A coisa é séria, mas está longe de ser uma surpresa. Em rigor, é mesmo um problema há muito anunciado, com estudos e advertências várias.
A última até veio do poder central.
O Ministério da Saúde fez um levantamento da situação dos médicos em 1998 – já lá vão cinco anos. O estudo apontava para uma crise logo nesse ano, quando se esperava a reforma em massa de mais de 500 profissionais, que não era compensada pela saída das faculdades de novos clínicos.
Ao que se sabe, de então para cá nem o documento foi actualizado e, muito menos, foi invertida a política de gestão de recursos humanos, neste sector estratégico.
É uma evidência gigantesca que o problema central está na falta de médicos no nosso País e, em decorrência, na falha crescente de especialistas nas mais diversas especialidades. O caos já rebentou na pediatria e na obstetrícia; outras se seguirão, inapelavelmente.
Pelo que se pergunta aos preclaros governantes deste País:
Por que carga de água se continua a restringir, até ao absurdo, o acesso universitário aos cursos de Medicina em Portugal?
Mais exactamente, de que se está à espera para investir seria e estrategicamente na formação de médicos no nosso País?
Dos interesses privados, para que também aqui tudo ganhem enquanto o País tudo perde?!...