Bolívia, uma vitória popular
A insurreição popular que ditou a queda de Lozada, foi para os EUA uma clara derrota
O afastamento de Sanchez de Lozada da presidência boliviana representa uma vitória notável das massas e forças populares deste país sul-americano. A renúncia do presidente «gringo» ou «matagente», como também passou a ser apelidado, é o resultado de uma dura e longa jornada de contestação popular que durante semanas, em crescendo, se estendeu a todo o país, fustigando o governo e as terríveis receitas neoliberais que este vinha aplicando com esmero. Ao clamor do povo, o governo de Lozada respondeu com a repressão mais cruel e sangrenta, enviando a tropa e os tanques para as ruas. Dezenas de bolivianos foram chacinados em nome do «regime democrático», isto é, da oligarquia local e dos «sacrossantos» interesses das transnacionais e do imperialismo, mas o efeito foi oposto ao esperado. A contestação radicalizou-se, transformando-se numa sublevação popular imparável: com o país paralisado e bloqueado, La Paz foi inundada por uma torrente humana que acompanhou os apelos da central sindical (COB), dos movimentos de camponeses e indígenas, do MAS e de outras forças políticas opositoras, reclamando a demissão do presidente. O resultado é conhecido: um dia depois de ter negado a demissão, Lozada, abandonado pelos aliados da coligação governamental, fugia para os EUA, levando consigo algumas das figuras mais odiosas do seu governo.
A insurreição popular que ditou a queda de Lozada, foi para os EUA uma clara derrota. Enquanto o exército do regime títere metralhava os manifestantes em El Alto, os EUA expressavam o seu apoio ao presidente «democraticamente eleito», por sinal um dos primeiros a apoiar a invasão do Iraque, e a omnisciente Condoleezza Rice lançava um apelo à «mobilização das organizações internacionais em defesa da ordem constitucional» (sic) na Bolívia, posição que contrasta de forma gritante, só para nos atermos a um exemplo recente, com o apoio norte-americano ao golpe de Estado de 2001 na Venezuela contra Chávez, abortado, como é sabido, ao cabo de 48 horas, por um gigantesco levantamento popular que restituiu a democracia. Este é um conceito de geometria variável para o imperialismo norte-americano, onde os desígnios do grande capital é que valem.
O elemento detonador da revolta foi o projecto de venda de gás aos EUA (através do Chile, país para o qual a Bolívia perdeu a sua costa marítima no século XIX). O negócio, feito à medida dos interesses dos EUA, das multinacionais e da rede de conveniências estabelecida, ignora os interesses da maioria da população boliviana, historicamente espoliada, onde 70% vive na miséria. O povo exige a nacionalização do gás em prol do desenvolvimento nacional. A batalha do gás foi, contudo, o elemento catalisador de uma revolta popular mais vasta, testemunha da acesa luta de classes em curso, contra as «opções» ditadas por a política de «ajuste» neoliberal: privatizações e flexibilização laboral; incremento de leis repressivas; aumento da carga fiscal sobre o trabalho; erradicação violenta das culturas de coca, sem contrapartidas para os camponeses, e não reconhecimento dos direitos dos indígenas (que representam mais de 60% da população); submissão ao espírito do «livre comércio» e à ALCA.
O novo presidente boliviano prometeu a realização de um referendo vinculativo sobre o projecto estratégico do gás e a convocação de uma Constituinte, uma das exigências das forças que saíram à rua. No entanto, a nova correlação de forças afigura-se instável. Os EUA aumentam a pressão e prosseguem a política de ingerência e conspiração. A reacção e a grande burguesia certamente aproveitarão a actual distensão na mobilização social para recuperar a iniciativa política. A unificação das forças da coligação popular e a definição das suas linhas ideológicas e objectivos políticos, como defendido pelo PCB, é o desafio que se apresenta às forças progressistas bolivianas.
A insurreição popular que ditou a queda de Lozada, foi para os EUA uma clara derrota. Enquanto o exército do regime títere metralhava os manifestantes em El Alto, os EUA expressavam o seu apoio ao presidente «democraticamente eleito», por sinal um dos primeiros a apoiar a invasão do Iraque, e a omnisciente Condoleezza Rice lançava um apelo à «mobilização das organizações internacionais em defesa da ordem constitucional» (sic) na Bolívia, posição que contrasta de forma gritante, só para nos atermos a um exemplo recente, com o apoio norte-americano ao golpe de Estado de 2001 na Venezuela contra Chávez, abortado, como é sabido, ao cabo de 48 horas, por um gigantesco levantamento popular que restituiu a democracia. Este é um conceito de geometria variável para o imperialismo norte-americano, onde os desígnios do grande capital é que valem.
O elemento detonador da revolta foi o projecto de venda de gás aos EUA (através do Chile, país para o qual a Bolívia perdeu a sua costa marítima no século XIX). O negócio, feito à medida dos interesses dos EUA, das multinacionais e da rede de conveniências estabelecida, ignora os interesses da maioria da população boliviana, historicamente espoliada, onde 70% vive na miséria. O povo exige a nacionalização do gás em prol do desenvolvimento nacional. A batalha do gás foi, contudo, o elemento catalisador de uma revolta popular mais vasta, testemunha da acesa luta de classes em curso, contra as «opções» ditadas por a política de «ajuste» neoliberal: privatizações e flexibilização laboral; incremento de leis repressivas; aumento da carga fiscal sobre o trabalho; erradicação violenta das culturas de coca, sem contrapartidas para os camponeses, e não reconhecimento dos direitos dos indígenas (que representam mais de 60% da população); submissão ao espírito do «livre comércio» e à ALCA.
O novo presidente boliviano prometeu a realização de um referendo vinculativo sobre o projecto estratégico do gás e a convocação de uma Constituinte, uma das exigências das forças que saíram à rua. No entanto, a nova correlação de forças afigura-se instável. Os EUA aumentam a pressão e prosseguem a política de ingerência e conspiração. A reacção e a grande burguesia certamente aproveitarão a actual distensão na mobilização social para recuperar a iniciativa política. A unificação das forças da coligação popular e a definição das suas linhas ideológicas e objectivos políticos, como defendido pelo PCB, é o desafio que se apresenta às forças progressistas bolivianas.