Reformados exigem alternativa à política de direita
Motivados pela luta que os une, centenas de reformados, pensionistas e idosos realizaram, sábado, no Pavilhão Multiusos, o 1.º Piquenicão Distrital de Beja.
Iluminado pelo sol e alegria, típicos desta região alentejana, o encontro dos reformados teve como ponto central, após a hora de almoço, quatro intervenções denunciadoras dos efeitos das sucessivas políticas de direita, desde o 25 de Abril de 1974, que afectam, principalmente, os reformados, pensionistas, idosos e deficientes, assim como as camadas mais desfavorecidas e de baixos recursos.
A Lei de Bases da Segurança Social, a gestão hospitalar, os cuidados primários de saúde - medicamentos genéricos e a questão dos preços de referência -, o encerramento de esquadras da PSP, postos da GNR e das estações dos CTT, foram alguns dos muitos problemas levantados naquela jornada.
«Esta iniciativa, para além do convívio, constitui um importante momento de reflexão relativamente aos problemas dos reformados do nosso país», afirmou, em primeiro lugar, Maria Manuel, em representação da Câmara Municipal de Beja, autarquia comunista, que se associou, apoiou a realização, cedendo o Pavilhão Multiusos, do Parque de Feiras e Exposições de Beja.
Sublinhando a necessidade de continuar a luta, Maria Manuel enalteceu o papel dos movimentos associativos e dos sindicatos, «porque através deles temos conquistado alguns direitos e alcançado algumas vitórias. É com esta esperança, que o Movimento Associativo dos Reformados Pensionistas e Idosos consiga alcançar os seus desejos e objectivos, que eu vos saúdo», disse.
Passados alguns minutos, porque o tempo escasseava, coube à União de Sindicatos do Distrito de Beja aprofundar algumas questões que dizem respeito não só aos reformados como a todos os trabalhadores, à sociedade portuguesa em geral, nomeadamente o Código de Trabalho.
«Estamos a passar uma fase muito complicada no mundo do trabalho», lamentou Casemiro Santos, solidarizando-se com a luta dos reformados. «Não pode um Governo retirar todos os direitos conquistados desde o 25 de Abril, sem conferenciar com as várias entidades lesadas, impondo, por exemplo, a privatização da saúde», afirmou. As promessas «demagógicas», por parte do Executivo PSD/CDS-PP, de aumentar as pensões dos reformados, em detrimento do salário mínimo nacional, foi outro dos pontos focados pelo sindicalista.
No final da sua intervenção, de olhos postos no futuro, Casemiro Santos destacou a necessidade de aproximação entre gerações. «As gerações mais novas têm muito a aprender com as mais velhas. É necessário, cada vez mais, pôr os jovens a ouvir-vos, a contar as vossas histórias, as vossas experiências, os vossos conhecimentos de vida, para que no futuro consigamos ter uma sociedade mais justa». Por último, de punho erguido, disse: «Unidos, lutando pelos nossos direitos, venceremos.»
Uma outra sociedade é possível
Saudando «as irmãs e os irmãos», alentejanos, Maria Vilar, presidente da Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos, num discurso que muito agradou aos presentes, falou na razão da existência do MURPI: os idosos.
«O MURPI continua a desempenhar um papel fundamental na construção de uma outra sociedade, mais feliz, mais digna, mais humana, mais solidária», afirmou, relembrando que em 1991, o dia 1 de Outubro foi fixado por deliberação da ONU como o Dia Internacional do Idoso e foram aprovados alguns princípios, entre os quais a independência, a participação, a realização pessoal e a dignidade.
Ainda segundo Maria Vilar, os idosos constituem um património precioso para Portugal. «Não existe no nosso país uma política coerente, integrada, para a terceira idade», acusa, realçando a degradação da economia, a quebra dos salários reais e das pensões de reforma, o endividamento das famílias e o «injusto e violento» Código de Trabalho. A lei de Bases da Segurança Social também não foi esquecida pela presidente do MURPI, que acusou o Executivo de querer «implantar um modelo de capitais privados».
«Enquanto este Governo estiver no poder, apesar de alguns recuos impostos pelas nossas lutas, o fosso das desigualdades sociais vai-se agravando. Por isso temos que criar condições para uma alternativa, não para uma alternância», continuou.
Neste sentido, «é fundamental o empenhamento de todos, conjuntamente com a Inter-Reformados, porque a nossa luta não pode ficar indissociada da luta dos trabalhadores. Estamos numa batalha para vencer», concluiu Maria Vilar.
A luta continua
Fernando Servo, da Federação da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos do Distrito de Beja, complementando as intervenções proferidas no encontro, pronunciou-se sobre os problemas adjacentes ao encerramento das esquadras da PSP e dos postos da GNR e dos CTT. A legislação aprovada para os medicamentos genéricos e a passagem da contribuição autárquica para um imposto municipal para os imóveis foram outras das críticas apontadas ao Governo.
Por outro lado, Fernando Servo falou do aumento da água, fazendo uma «equiparação» a outros bem da natureza. «O ouro e o petróleo são também produtos da natureza, mas, camaradas, sem o ouro e o petróleo eu sou capaz de viver, mas sem a água nenhum de nós é capaz de sobreviver», afirmou o reformado, denunciando que o que está na mira do Governo é a privatização da água, «é vender a exploração da água às multinacionais, é deixar criar riqueza à custa de um bem».
Fortemente aplaudido pelas pessoas que assistiam à iniciativa do MURPI, Fernando Servo prometeu, no final da sua intervenção, em tom de aviso: «A luta vai continuar.»
Alentejo: O celeiro da Nação
Debatidas as reivindicações, o resto do dia ficou reservado ao convívio. Cerca de 40 grupos de cantares e ranchos folclóricos de todo o País subiram ao palco, enquanto os comensais davam um «pezinho de dança», entre os petiscos, naturalmente alentejanos, e as bebidas, sempre, frescas, para fazer face ao calor que se fazia sentir naquele espaço. Para além dos agradáveis grupos corais, os visitantes do Parque de Feiras e Exposições de Beja puderam ainda visitar duas exposições, ambas relacionadas com a cultura e artesanato local.
«Enquanto cá estamos, vamos cantando», dizia um dos reformados, que assistia ao espectáculo, lembrando aos «velhos» companheiros que «o Alentejo já foi o celeiro da Nação». Um outro, porque a saúde é motivo de grande preocupação para os idosos, ressalvou: «O Governo não se lembra dos reformados. Há ainda aqui no Alentejo muitos “jovens”. Não nos vão fazer calar», prometeu.
Quando o sol já denunciava que o dia ia findar, era altura da despedida. Várias dezenas de camionetas partiram para os mais diferentes destinos. Ervidel, Garvão, Montemor-o-Novo, Alvito, S. Domingos, Ferreira do Alentejo, Moscavide, Amareleja, Vendas Novas, Mora e Brotas, foram alguns dos destinos. «Até ao próximo piquenicão, camarada», dizia um dos reformados à hora de partir.
MURPI de Beja exige:
- Pensões dignas
- Serviço Nacional de Saúde, universal e gratuito
- Atendimento nos centros de saúde e extensões com marcação atempada
- Centros de tratamento de Fisioterapia
- Inclusão da especialidade de Geriatria nos hospitais e centros de saude
- Centros de tratamento de dor
- Medicamentos gratuitos a todos os doentes de baixos recursos e doentes crónicos;
- Próteses dentárias, auditivas e outras, gratuitas a idosos, deficientes e famílias de baixos recursos
- Apoio efectivo no arranjo de habitação e saneamento básico
- Criação de redes de transportes gratuítas de forma a facilitar a deslocação e quebra do isolamento
- Criação de lares, centros de dia e apoio domiciliário
- Criação de centros de noite
- Inclusão de psicólogos, animadores e outros, nos centros de dia, lares, apoio domiciliário
- Melhor e maior patrulhamento de forma a acabar com a criminalidade
- Não às Taxas Moderadoras
- Não há privatização da água
- Mais e melhor justiça social
- Reconhecimento da Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos como parceiro social
A Lei de Bases da Segurança Social, a gestão hospitalar, os cuidados primários de saúde - medicamentos genéricos e a questão dos preços de referência -, o encerramento de esquadras da PSP, postos da GNR e das estações dos CTT, foram alguns dos muitos problemas levantados naquela jornada.
«Esta iniciativa, para além do convívio, constitui um importante momento de reflexão relativamente aos problemas dos reformados do nosso país», afirmou, em primeiro lugar, Maria Manuel, em representação da Câmara Municipal de Beja, autarquia comunista, que se associou, apoiou a realização, cedendo o Pavilhão Multiusos, do Parque de Feiras e Exposições de Beja.
Sublinhando a necessidade de continuar a luta, Maria Manuel enalteceu o papel dos movimentos associativos e dos sindicatos, «porque através deles temos conquistado alguns direitos e alcançado algumas vitórias. É com esta esperança, que o Movimento Associativo dos Reformados Pensionistas e Idosos consiga alcançar os seus desejos e objectivos, que eu vos saúdo», disse.
Passados alguns minutos, porque o tempo escasseava, coube à União de Sindicatos do Distrito de Beja aprofundar algumas questões que dizem respeito não só aos reformados como a todos os trabalhadores, à sociedade portuguesa em geral, nomeadamente o Código de Trabalho.
«Estamos a passar uma fase muito complicada no mundo do trabalho», lamentou Casemiro Santos, solidarizando-se com a luta dos reformados. «Não pode um Governo retirar todos os direitos conquistados desde o 25 de Abril, sem conferenciar com as várias entidades lesadas, impondo, por exemplo, a privatização da saúde», afirmou. As promessas «demagógicas», por parte do Executivo PSD/CDS-PP, de aumentar as pensões dos reformados, em detrimento do salário mínimo nacional, foi outro dos pontos focados pelo sindicalista.
No final da sua intervenção, de olhos postos no futuro, Casemiro Santos destacou a necessidade de aproximação entre gerações. «As gerações mais novas têm muito a aprender com as mais velhas. É necessário, cada vez mais, pôr os jovens a ouvir-vos, a contar as vossas histórias, as vossas experiências, os vossos conhecimentos de vida, para que no futuro consigamos ter uma sociedade mais justa». Por último, de punho erguido, disse: «Unidos, lutando pelos nossos direitos, venceremos.»
Uma outra sociedade é possível
Saudando «as irmãs e os irmãos», alentejanos, Maria Vilar, presidente da Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos, num discurso que muito agradou aos presentes, falou na razão da existência do MURPI: os idosos.
«O MURPI continua a desempenhar um papel fundamental na construção de uma outra sociedade, mais feliz, mais digna, mais humana, mais solidária», afirmou, relembrando que em 1991, o dia 1 de Outubro foi fixado por deliberação da ONU como o Dia Internacional do Idoso e foram aprovados alguns princípios, entre os quais a independência, a participação, a realização pessoal e a dignidade.
Ainda segundo Maria Vilar, os idosos constituem um património precioso para Portugal. «Não existe no nosso país uma política coerente, integrada, para a terceira idade», acusa, realçando a degradação da economia, a quebra dos salários reais e das pensões de reforma, o endividamento das famílias e o «injusto e violento» Código de Trabalho. A lei de Bases da Segurança Social também não foi esquecida pela presidente do MURPI, que acusou o Executivo de querer «implantar um modelo de capitais privados».
«Enquanto este Governo estiver no poder, apesar de alguns recuos impostos pelas nossas lutas, o fosso das desigualdades sociais vai-se agravando. Por isso temos que criar condições para uma alternativa, não para uma alternância», continuou.
Neste sentido, «é fundamental o empenhamento de todos, conjuntamente com a Inter-Reformados, porque a nossa luta não pode ficar indissociada da luta dos trabalhadores. Estamos numa batalha para vencer», concluiu Maria Vilar.
A luta continua
Fernando Servo, da Federação da Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos do Distrito de Beja, complementando as intervenções proferidas no encontro, pronunciou-se sobre os problemas adjacentes ao encerramento das esquadras da PSP e dos postos da GNR e dos CTT. A legislação aprovada para os medicamentos genéricos e a passagem da contribuição autárquica para um imposto municipal para os imóveis foram outras das críticas apontadas ao Governo.
Por outro lado, Fernando Servo falou do aumento da água, fazendo uma «equiparação» a outros bem da natureza. «O ouro e o petróleo são também produtos da natureza, mas, camaradas, sem o ouro e o petróleo eu sou capaz de viver, mas sem a água nenhum de nós é capaz de sobreviver», afirmou o reformado, denunciando que o que está na mira do Governo é a privatização da água, «é vender a exploração da água às multinacionais, é deixar criar riqueza à custa de um bem».
Fortemente aplaudido pelas pessoas que assistiam à iniciativa do MURPI, Fernando Servo prometeu, no final da sua intervenção, em tom de aviso: «A luta vai continuar.»
Alentejo: O celeiro da Nação
Debatidas as reivindicações, o resto do dia ficou reservado ao convívio. Cerca de 40 grupos de cantares e ranchos folclóricos de todo o País subiram ao palco, enquanto os comensais davam um «pezinho de dança», entre os petiscos, naturalmente alentejanos, e as bebidas, sempre, frescas, para fazer face ao calor que se fazia sentir naquele espaço. Para além dos agradáveis grupos corais, os visitantes do Parque de Feiras e Exposições de Beja puderam ainda visitar duas exposições, ambas relacionadas com a cultura e artesanato local.
«Enquanto cá estamos, vamos cantando», dizia um dos reformados, que assistia ao espectáculo, lembrando aos «velhos» companheiros que «o Alentejo já foi o celeiro da Nação». Um outro, porque a saúde é motivo de grande preocupação para os idosos, ressalvou: «O Governo não se lembra dos reformados. Há ainda aqui no Alentejo muitos “jovens”. Não nos vão fazer calar», prometeu.
Quando o sol já denunciava que o dia ia findar, era altura da despedida. Várias dezenas de camionetas partiram para os mais diferentes destinos. Ervidel, Garvão, Montemor-o-Novo, Alvito, S. Domingos, Ferreira do Alentejo, Moscavide, Amareleja, Vendas Novas, Mora e Brotas, foram alguns dos destinos. «Até ao próximo piquenicão, camarada», dizia um dos reformados à hora de partir.
MURPI de Beja exige:
- Pensões dignas
- Serviço Nacional de Saúde, universal e gratuito
- Atendimento nos centros de saúde e extensões com marcação atempada
- Centros de tratamento de Fisioterapia
- Inclusão da especialidade de Geriatria nos hospitais e centros de saude
- Centros de tratamento de dor
- Medicamentos gratuitos a todos os doentes de baixos recursos e doentes crónicos;
- Próteses dentárias, auditivas e outras, gratuitas a idosos, deficientes e famílias de baixos recursos
- Apoio efectivo no arranjo de habitação e saneamento básico
- Criação de redes de transportes gratuítas de forma a facilitar a deslocação e quebra do isolamento
- Criação de lares, centros de dia e apoio domiciliário
- Criação de centros de noite
- Inclusão de psicólogos, animadores e outros, nos centros de dia, lares, apoio domiciliário
- Melhor e maior patrulhamento de forma a acabar com a criminalidade
- Não às Taxas Moderadoras
- Não há privatização da água
- Mais e melhor justiça social
- Reconhecimento da Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos como parceiro social