Política economicista do Governo serve apenas os interesses do grande capital

Sempre os mesmos a pagar

As organizações do PCP prosseguem a sua análise às repercussões negativas da política do Governo nas diferentes regiões, todas expressando o seu apoio às lutas e acções de protesto dos trabalhadores.

Como principais críticas, surgem o desmantelamento do aparelho produtivo e o aumento dramático do desemprego, a tentativa de imposição do pacote laboral, a ofensiva contra o serviço público de saúde e de segurança social, o agravamento dos preços de produtos e bens essenciais.

A Direcção da Organização Regional de Castelo Branco, entretanto, repudia também o encerramento do serviço de oftalmologia do Hospital Distrital Amato Lusitano, a pretexto da falta de condições físicas, e a transferência de algum equipamento para o centro Hospitalar da Cova da Beira, estranhando o argumento, já que essa situação se arrasta há muito tempo sem que se tenham tomado medidas para a resolver. Rejeita, ainda, qualquer tentativa no sentido de encerrar outros serviços, nomeadamente de hemodiálise e obstetrícia, relativamente aos quais parece ter já sido esboçada essa intenção.

A Direcção da Organização Regional de Viana do Castelo considera, por sua vez, que os efeitos da discriminação a que a região tem estado sujeita poderão agravar-se, caso prossiga a política de privatizações do Governo, que atinge já os serviços de saúde. Alerta para os problemas que o distrito está a ter com o fornecimento de energia eléctrica e o encerramento de balcões de atendimento da EDP, o que tem gerado grandes protestos, nomeadamente nos concelhos de Arcos de Valdevez, Caminha e Ponte de Lima. Aliás, uma lista, recentemente divulgada, dos 36 concelhos com redes eléctricas mais degradadas é encabeçada pelos10 concelhos do distrito de Viana do Castelo.

Já a Comissão Concelhia de Aljustrel mostra-se particularmente preocupada com o agravamento da situação social, de consequências imprevisíveis no concelho, tendo em conta que os trabalhadores e as populações vão pagar mais impostos, os aumentos de salários são claramente abaixo da inflação, os serviços de saúde, da educação e de protecção social continuam a degradar-se. Isto, devido a uma política «desastrosa», que penaliza «sempre os mesmos», ou seja, os mais desfavorecidos e de mais baixos rendimentos, denuncia a Concelhia de Aljustrel, para quem as perspectivas para 2003 «não são nada animadoras para as populações».


Atitudes ambíguas


Também a Comissão Concelhia de Avis sublinha o facto de a política do Governo PSD/PP ser orientada por «critérios economicistas que sacrificam sempre os mesmos». Critérios que foram igualmente usados pelo Governo do PS, em 1996, quando do encerramento do internamento e das urgências de 24 horas, tendo então afirmado que «não se iria ficar pior». A verdade, porém, é que o serviço não voltou e as populações ficaram mais desprotegidas.

Entretanto, o encerramento da Sulei deixou alguns trabalhadores desempregados e retirou aos agricultores a possibilidade de colocar o tomate, o que já na época passada os obrigou a reduzir a produção. «Como se isto não bastasse», sem que ninguém soubesse, a fábrica e o seu equipamento foram postos à venda por 3.500.000 euros (cerca de 700 mil contos), preço dificilmente acessível a qualquer entidade do concelho.

A Comissão Concelhia de Vila Verde indigna-se com a política antisocial e antilaboral do Governo, que tem como único objectivo «satisfazer os interesses do grande capital nacional e internacional», e critica as «atitudes de ambiguidade e cumplicidade» do PS e da UGT e o «distanciamento do Presidente da República relativamente à mesma.

A Concelhia de Vila Verde salienta, entretanto, o trabalho desenvolvido pela CDU na Assembleia Municipal e Assembleias de Freguesia, onde tem contribuído para resolver alguns problemas.



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