Parar a guerra antes que comece!
Esta guerra nada tem a ver com democracia e desarmamento
As mais de duas dezenas de partidos de esquerda que participaram no Fórum manifestaram a sua viva preocupação face à perspectiva de guerra decidida pelo presidente Bush contra o Iraque.
Na iniciativa, em que o PCP esteve representado por Albano Nunes, membro do Secretariado do PCP, os participantes reafirmaram de forma unânime «a sua total oposição» à «ilegítima e perigosa» aventura bélica que os EUA preparam, e aprovaram um apelo para «parar a guerra antes que comece».
Alertando que o objectivo de Washington é «uma reestruturação estratégica completa da região», o documento sublinhando que a primeira vítima da guerra será o povo iraquiano e chama a atenção para a necessidade de «ouvir o apelo dos progressistas e democratas iraquianos e do povo curdo que salientam os riscos de represálias massivas do regime de Bagdad contra eles, denunciando as práticas criminosas da ditadura de Saddam Hussein».
Estratégia de dominação
«É toda a região do Médio Oriente que poderá ser desestabilizada», refere-se, fazendo notar que «uma tal guerra será vivida como uma nova agressão imperialista pelo conjunto dos povos do mundo árabe-muçulmano», o que alimentará a «tese perigosa e perversa do “choque de civilizações”, e as ideologias extremistas e violentas que engendra».
O texto considera ainda haver razões para temer que Israel aproveite a crise «para tentar dar golpes decisivos à Autoridade Palestiniana e à perspectiva de um Estado palestiniano independente».
Advogando que esta guerra é tanto mais perigosa quanto se inscreve numa «estratégia de dominação», que «nada tem a ver com o desarmamento e a democracia» mas sim com a vontade de dominar uma região estratégica do ponto de vista petrolífero e situada à beira de três continentes, o documento defende que os estados europeus metam mãos à obra «para impedir o pior».
Assim, apela-se aos governos e à opinião pública para que intervenham junto do Conselho de Segurança no sentido de defender uma solução pacífica do conflito; velar pelo estrito cumprimento das resoluções da ONU e promover medidas coerentes de destruição dos armamentos e de desarmamento em todo o planeta.
O 23º Fórum da Nova Esquerda Europeia decidiu ainda empenhar-se para o sucesso das manifestações agendadas para as capitais europeia a 18 de Janeiro e no mundo inteiro a 15 de Fevereiro, em resposta ao apelo do Fórum Social Europeu, em solidariedade e coordenação com os movimentos pacifistas americanos.
Declaração sobre Chipre
Com base numa exposição feita pelo partido AKEL, o Fórum da Nova Esquerda Europeia abordou o problema do Chipre, tendo aprovado uma resolução em que se sublinha a «necessidade urgente de encontrar uma solução pacífica, justa, democrática e viável» para o conflito que opõe aquele país à Turquia.
Segundo o documento, a solução do problema passa pela criação de uma Federação Cipriota com duas zonas e duas comunidades, baseada nos acordos de 1977 e 1979, nas resoluções das Nações Unidas e na lei internacional, com duas comunidades politicamente iguais.