Illinois acaba com pena de morte

A Amnistia Internacional (AI) saudou a decisão do governador de Illinois, George Ryan, de comutar em prisão perpétua a pena de 156 condenados à pena de morte, e instou o presidente Bush a acabar com a pena capital em todo o país.

Ryan anunciou a decisão no sábado, último dia do seu mandato como governador, argumentando que se trata de um sistema «falido» e que os dados de outros estados que acabaram com a pena de morte revelam não se ter registado um aumento da violência.

Para Kamal Samari, porta-voz da AI «esta é uma oportunidade para o presidente Bush alinhar os Estados Unidos com a tendência mundial contra a pena capital».

A decisão do governador de Illinois relançou o debate sobre esta questão, mas há poucas probabilidades de que a condenação à morte venha a ser abolida, dado Bush ser um acérrimo defensor do sistema. Enquanto foi governador do Texas, Bush assinou 150 sentenças de execução, contribuindo para transformar aquele estado no recordista nacional na execução de presos.

Para além do Texas, destacam-se neste trágico ranking os estados de Virgínia, Carolina do Norte e Oklahoma, todos no sul dos EUA.

Desde que a pena de morte foi restaurada nos EUA, em 1976, e até final do ano passado, registaram-se 820 execuções em todo o país, o que dá uma média de uma execução em cada 11,5 dias. Em 2002 foram executados 71 condenados, ou seja, um em cada cinco dias.

Nos corredores da morte dos 38 estados norte-americanos que praticam o sistema estão actualmente 3700 homens e mulheres à espera da execução da sentença.

 

Pedofilia em todo o país

 

A edição de domingo do jornal New York Times revelou, entretanto, que o escândalo de pedofilia que em 2002 abalou a Igreja Católica norte-americana afectou a quase totalidade das dioceses, com mais de 1200 padres acusados de molestarem mais de 4 mil crianças.

Um total de 4268 pessoas apresentarem queixa, ou afirmaram publicamente terem sido vítimas de abuso sexual por parte de padres, segundo o jornal norte-americano, que recenseou os documentos disponíveis sobre a matéria e que sublinha que a vítimas poderão ser muito mais numerosas.

A maior parte dos padres acusados foram ordenados entre meados de 1950 e a década de 70, um período no qual os padres, formados num sistema tradicional, deveriam servir depois numa igreja e numa sociedade em plena agitação.

De acordo com o quotidiano, a maioria dos abusos sobre crianças ocorreu entre as décadas de 70 e 80, e 1,8 por cento dos padres ordenados entre 1950 e 2001 foi acusado de abuso sexual. O números de acusados sobe nas dioceses que afirmaram ter publicado a lista completa de padres envolvidos: 6,2 por cento em Baltimore, no estado de Maryland, 7,7 por cento em Manchester, em New Hampshire e 5,3 por cento em Boston.



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