EUA e Democracia

Ângelo Alves

O Departamento de Estado dos EUA emitiu, na passada sexta-feira, mais um dos seus relatórios anuais sobre o estado da democracia no Mundo. O relatório afirma que «as liberdades básicas de expressão e associação estão em declínio no mundo». Identifica o aprofundamento de vários problemas, como a corrupção, a tortura e as discriminações contra minorias. Contém ainda várias referências a presos políticos, ao «uso indiscriminado» da acção policial, a execuções extrajudiciais e ao «sistemático e politizado uso do sistema judicial».

Ora, pegando nesse rol de «preocupações» o que seria de esperar era que o referido relatório referisse, por exemplo: a prisão ilegal de Guantanamo e a defesa por responsáveis dos EUA do uso da tortura; a situação explosiva nas prisões norte-americanas e a violência policial contra a comunidade afro-americana; os diversos escândalos financeiros e de corrupção, ou as discriminações contra migrantes e refugiados, nos EUA e na União Europeia; as sucessivas revelações do envolvimento dos serviços secretos dos EUA em vários processos eleitorais e nas próprias eleições norte-americanas; o assassinato de activistas políticos pelo regime das Honduras, apoiado pelos EUA; o golpe de Estado no Brasil, apoiado pelos EUA, com a manipulação do sistema judicial; ou ainda o assassinato de activistas políticos e a perseguição aos comunistas pelo regime ucraniano, apoiado pelos EUA e a UE; entre muitos outros possíveis exemplos.

Mas isso não acontece. E não admira. Este e outros relatórios similares, nomeadamente no âmbito da União Europeia, não visam defender a democracia. Visam antes impor a visão política e ideológica do imperialismo à escala mundial, identificar os alvos da sua acção agressiva e de ingerência e ocultar uma verdade cada vez mais evidente: o carácter antidemocrático do regime político e de poder imperialista dos EUA.




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