Lógicas irracionais
O Partido promoveu esta semana uma importante Audição parlamentar sobre as questões da Segurança e Fiabilidade da Ferrovia. A importância dos contributos recebidos exigirá um vasto conjunto de respostas aos diversos planos da intervenção partidária. Aqui, hoje, quero apenas abordar um simples reflexão, suscitada pelo debate.
A ferrovia implica investimentos de milhares de milhões de euros, quer na infraestrutura quer no equipamento. O transporte ferroviário é estratégico quer para a mobilidade das populações quer para o transporte de mercadorias, sendo assim uma questão estratégica para a própria economia nacional.
Seria simplesmente natural que algo assim merecesse do país a disponibilização dos meios humanos para rentabilizar e potenciar tal investimento. Mas acontece o contrário. Hoje, muitos desses investimentos são desperdiçados, degradados ou mal rentabilizados por causa de directivas que apontam como prioridade a redução de trabalhadores e a mercantilização do sistema. Estações inteiras estão abandonadas, criando dificuldades aos utentes e contribuindo para a degradação da infraestrutura. São suprimidos comboios porque não se dotaram os postos de tracção de reservas para suprir naturais falhas. Adiam-se manutenções para adiar ou evitar a contratação de operários. Pulveriza-se o sistema para desorganizar a força de trabalho e criar condições para a sua crescente precarização e exploração. Destroem-se os centros nacionais de saber. E agora até querem colocar os comboios a circular só com um trabalhador. O sistema perde fiabilidade e corre atrás de uma rentabilidade financeira alheia.
Toda esta irracionalidade tem uma lógica: a de potenciar o lucro dos capitalistas, e em particular das multinacionais. Mas há lógicas que mesmo que formalmente correctas, são irracionais. A lógica interna do sistema capitalista é um exemplo. Libertemo-nos!