A luta vale a pena

Manuel Rodrigues

Celebramos esta semana o Dia Internacional da Mulher. Aproveitando a efeméride, importa ter presente a situação da mulher, hoje, em Portugal.

De acordo com dados divulgados recentemente pela CGTP-IN, as mulheres continuam a ganhar menos 21,3% do que os homens e são as maiores vítimas da precariedade (em particular as mulheres jovens), das doenças profissionais e do assédio no local de trabalho e, em 2016, a maioria dos trabalhadores a receber o salário mínimo nacional também era do sexo feminino.

Acrescente-se que são elas também as principais vítimas do assédio moral/terrorismo psicológico no trabalho e as mais afectadas pelas doenças profissionais, devido aos ritmos de trabalho intensos e às formas de organização do trabalho, representando 60% dos trabalhadores com doenças musculoesqueléticas.

Para cúmulo, acrescente-se que todos estes indicadores têm vindo a piorar nos últimos anos, ou mantêm-se em níveis inaceitáveis.

A acção organizada do PCP e a dedicação de gerações de comunistas à causa da emancipação social da mulher é muito significativa. Nos avanços conseguidos na nova fase da vida política com impacto positivo na vida das mulheres foi decisiva a intervenção do PCP. A intensa acção do Partido pela construção de uma sociedade que garanta os direitos da mulher está patente na sua luta pela defesa, reposição e conquista de direitos, pela concretização de uma política patriótica e de esquerda, pela democracia avançada vinculada aos valores de Abril, pelo socialismo e o comunismo.

Mas a acção do PCP não dispensa, antes implica, a luta organizada das mulheres pela sua própria emancipação social e conquista de direitos.

Por isso mesmo, é da maior importância a sua participação na manifestação nacional do próximo sábado em Lisboa.

Porque a luta vale a pena e é imprescindível. Mesmo quando a ideologia dominante apregoa que sempre assim foi e assim vai continuar a ser.

 



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