Estaleiros de Viana fazem falta à região e ao País
PCP não desarma em defesa dos ENVC
Salvar a empresa e o emprego

É preciso «impedir que os Estaleiros Navais de Viana do Castelo fechem e que os 620 trabalhadores sejam despedidos», exortou na semana transacta no Parlamento o deputado Honório Novo.

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O apelo surge face ao que a bancada comunista considera ser a «intenção declarada do Governo» de liquidar os ENVC, coroando uma estratégia de degradação empresarial que se agudizou nos últimos anos.

«Vamos ser sérios e dar passos seguros na defesa dos ENVC como empresa de construção civil e de natureza pública», defendeu o parlamentar comunista no debate de um projecto de resolução da sua bancada pugnando pela elaboração urgente pelo Governo de um plano de viabilização capaz de assegurar o futuro daquela unidade naval e a defesa dos postos de trabalho.

Objectivo que não teve qualquer eco nas bancadas da maioria, como se viu pela forma como foi acolhido pela deputada do PSD Rosa Arezes que, hipocritamente, sem deixar de sublinhar a «importância dos Estaleiros», logo tratou de avaliar as iniciativas em debate (BE e PS apresentaram diplomas sobre a mesma matéria que, tal como o do PCP, foram chumbados) como eivadas de «puro oportunismo político» e «demagogia populista». O único aspecto em que teve razão foi nas críticas ao PS, a quem acusou de «amnésia de conveniência» e de dever explicações ao País quanto à auditoria ao exercício de gestão dos Estaleiros de 2005/2008 que foi ocultada à AR e aos portugueses. Abel Baptista, do CDS-PP, argumentou em sentido idêntico, referindo, por outro lado, que o governo do PS de Sócrates já previa o despedimento de centenas de trabalhadores.

«É verdade que o Governo PS, em 2011, propunha um plano de viabilização que despedia 380 trabalhadores. Só que este Governo vai mais longe e aplica a «receita moderna, a inovação do deputado Abel Baptista, e despede todos», ripostou Honório Novo.

Sair do beco

Reagindo ainda às palavras do deputado do CDS-PP que se mostrara agastado por este assunto voltar a debate pela quarta vez, o deputado comunista sublinhou que, para o PCP, a sua discussão fazer-se-á as vezes que forem necessárias até que se apurem as propostas alternativas que «permitam tirar os Estaleiros do beco onde os governos PS e PSD o meteram».

Trata-se, resumiu, de encontrar um plano de viabilização e reestruturação com os trabalhadores, reprogramando a actividade, nomeando uma nova administração, construindo de facto os navios Atlântida (cuja construção pode ser anulada daqui a dois meses), definindo caminhos alternativos, encontrando outra postura perante a interpretação da Comissão Europeia de considerar como ajudas públicas os 180 milhões de euros colocados na empresa, um falso pretexto que do ponto de vista do PCP é facilmente rebatível com a apresentação de um plano de viabilização.

E depois de acusar os partidos da maioria de ser isto que «não querem ver», Honório Novo lamentou que PSD e CDS tenham ficado «nas cordas», não apresentando qualquer iniciativa legislativa. O que em sua opinião só confirma que não querem saber dos Estaleiros, que «estão de acordo com o encerramento da empresa» e com o despedimento dos seus trabalhadores.




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