SoNato
A ideia inicial era escrever sobre o que o jornal da Sonae publicava (8.07.26) a propósito da cimeira da NATO em Ancara: editorial, artigo de opinião, duas páginas sobre a “corrida ao ouro” do negócio do armamento. O acrónimo era Sonae+Nato. Ali há genuína devoção pela sinistra organização, agora metida em alguns atoleiros. Cujo cadastro é um infindável rol de conflitos armados, destruição e crimes de guerra.
Outros órgãos vieram juntar-se. Não é só no “Público” que a NATO tem os seus papagaios. E há sinais de alguma orquestração, como vamos ver. Escreve uma (Público): «depois de, na última cimeira, os países membros se terem comprometido a aumentar o investimento em defesa para 5% do PIB, o encontro de Ancara servirá para testar a coesão da Aliança.» Escreve outro – esse que Seguro meteu no Conselho de Estado (Público): «se, na Haia, os 5% em defesa foram a grande bandeira política, em Ancara o foco será a sua concretização.» Se outro escreve (DN, 10.07.26): «o pensamento linear falha perante a guerra híbrida», outro (Expresso, 10.07.26) repercute assim: «continuamos presos a uma forma de pensar que pode ter feito algum sentido até 2014, mas só nos ilude agora.» Não será esquisito?
Outra ruidosa coincidência, esta por omissão: celebram a invocação do “artigo 5.º”. Vários acham mesmo lastimável que Trump tenha ido à cimeira reiterar que ocupará a Gronelândia. Mas nenhuma destas cabeças esclarece como é que o artigo 5.º funcionará perante a agressão de um “aliado”. Talvez a “nova maneira de pensar” ajude.
Gémeos ideológicos, já se sabia. Mas haverá uma fonte comum, talvez um memorando enviado por “mão amiga” – como dantes se dizia – que explique tanta semelhança?
Cada vez mais entalada em crescentes contradições internas, ainda quer unir-se à conta do velhíssimo papão “vêm aí os russos!”. Há muitas décadas que andam nisto. Até os povos porem fim a esta engrenagem de militarismo e guerra.




