Unir para libertar
Os povos têm de se unir para se libertarem
A Cimeira de Ancara confirmou que a NATO apenas tem para oferecer aos povos militarismo e guerra. Encaixando mais uns insultos, os seus membros aceitaram as exigências do ‘paizinho’ Trump (a quem o Secretário-Geral da NATO chama o “líder do mundo livre”) para aumentar drasticamente as despesas militares. Juraram despejar mais milhares de milhões (que “não existem” para despesas sociais) no poço sem fundo da guerra na Ucrânia. Tratando o futuro da Humanidade como se fosse um jogo de vídeo, multiplicaram declarações lunáticas sobre ataques “em profundidade” contra a Rússia… a maior potência nuclear do planeta. Ao mesmo tempo, o patrão da NATO retomou os seus ataques ao Irão, comprovando mais uma vez que os EUA nunca cumprem o que assinam. O Congresso dos EUA deverá votar por estes dias a lei NDAA que prevê, entre outras matérias, a fusão em numerosos domínios das forças armadas dos EUA e Israel. O sionismo genocida, tal como a NATO, é uma das muitas cabeças da hidra imperialista. Por isso a NATO nunca condenou o genocídio israelita. O PM alemão Merz disse mesmo que Israel «faz o trabalho sujo para todos nós» (entrevista à ZDF em Junho de 2025).
Mas outra realidade evidenciou-se nos gigantescos funerais do dirigente iraniano Khamenei – assassinado, junto com vários membros da sua família, pelos EUA-Israel. Os muitos milhões que desceram às ruas em várias cidades do Irão e do Iraque homenagearam não só o homem que esteve 37 anos à frente do Irão. Homenagearam a resistência ao agressor imperialista e a defesa da soberania nacional. Foi eloquente o contraste entre o fiasco de participação popular nas comemorações dos 250 anos da independência dos EUA e a presença massiva do povo nos funerais do dirigente iraniano.
Mas há outro facto a assinalar. A revolução iraniana de 1979 derrubou uma das mais sanguinárias ditaduras pró-EUA, instalada após o golpe de Estado da CIA que em 1953 depôs o dirigente eleito Mossadeq, responsável pelo inaceitável “crime” de ter nacionalizado o petróleo iraniano. É conhecida a selvajaria da Savak, a polícia política do Xá. Mas a sua ditadura foi literalmente derrubada pela força do povo, que durante semanas consecutivas desceu às ruas, apesar duma brutal repressão que todos os dias ceifava vidas. O regime do Xá-EUA ruiu. E o imperialismo nunca perdoou o povo iraniano. Logo em 1980 levou o Presidente iraquiano Saddam Hussein a desempenhar o papel que hoje desempenha Zelenski na Ucrânia: sacrificar o seu povo como carne para canhão numa guerra por procuração, com a qual os EUA tentaram esmagar a revolução iraniana. A guerra desencadeada por Saddam foi brutal. Durou 8 anos e destruiu os dois países. Os EUA alimentaram a guerra, vendendo armas aos dois lados. A guerra também alimentou as forças mais reaccionárias nos dois países, tendo sido massacrados pelo poder os comunistas iranianos (que haviam apoiado a revolução de 1979), tal como Saddam fizera uns anos antes com os comunistas iraquianos. Mas a vassalagem de Saddam não o livrou de ver o Iraque invadido e ocupado pelos EUA na mentirosa guerra das ‘armas de destruição em massa’. É notável ver hoje os povos iraniano e iraquiano, a quem as intrigas do imperialismo causaram tanto sofrimento e divisão, unidos na resistência ao imperialismo norte-americano. Desde sempre as classes dominantes procuram dividir para reinar. Os povos têm de se unir para se libertarem.




