Inimigos da Humanidade

Luís Carapinha

A direcção iraniana não colapsou e o país continua a resistir

A agressão criminosa contra o Irão entrou na quarta semana. Coadjuvado pelo regime genocida sionista, o imperialismo norte-americano lançou mais uma guerra terrorista no Médio Oriente. Tal como na campanha iniciada por Israel em Junho, completada com os bombardeamentos dos EUA contra as instalações nucleares do Irão, fê-lo da forma mais pérfida, usando as negociações para desencadear um ataque traiçoeiro e assassinar a liderança política e militar iraniana. No fio condutor de décadas de intervenções militares na região, desde a primeira Guerra no Golfo e, em especial, a invasão do Iraque em 2003, o grande país persa figurava como o principal escolho ao domínio de Washington de uma ampla zona vital para a sua agenda hegemónica mundial. Contudo, contrariamente às expectativas mal amanhadas da administração Trump, a direcção iraniana não colapsou e o país continua a resistir, mercê de uma estratégia de guerra assimétrica, cujos efeitos insuportáveis a Casa Branca terá subestimado. Apesar de submetido a bombardeamentos selváticos, a resposta legítima de Teerão provocou danos sem precedentes na profusa rede regional de bases militares dos EUA e obrigou à evacuação sob fogo de capacidades, incluindo da missão neocolonial da NATO no Iraque. Os EUA não controlam o Estreito de Ormuz e as suas esquadras foram obrigadas a afastar-se da costa iraniana nas águas do Golfo Pérsico. O Irão demonstra novamente capacidade para furar o sofisticado escudo anti-míssil de Israel, evidenciando a vanidade das declarações de vitória e da aniquilação da sua capacidade balística que soam em Washington e Telavive.

Neste quadro, o quase estrangulamento do fluxo de hidrocarbonetos no Golfo faz regressar o espectro da estagflação e ameaça com efeitos em cadeia na economia mundial.

Sob crescente pressão, a Casa Branca procura saídas e multiplica manobras de diversão. Os rombos profundos assestados ao direito internacional e a total ausência de credibilidade como interlocutor negocial válido são um entrave à possibilidade de um recuo sério para o campo político. Não é de excluir que os EUA e Israel optem pelo caminho da fuga para a frente, arrastando para a guerra as monarquias do Golfo, numa escalada insana e perigosa, em perseguição dos demenciais objectivos de destruição do Irão, fragmentação do país e mudança de regime em Teerão.

São imensos os riscos para a paz no mundo de uma situação que se conjuga com a ofensiva neo-monroísta dos EUA na América Latina e o braseiro da guerra na Ucrânia, na Europa, no grande tabuleiro da confrontação visando a Rússia e, sobretudo, a China. Não obstante, o tiro pode sair pela culatra. Enquanto o declínio dos EUA e países do G7 exibe uma teia pútrida já inocultável, veremos se a actual guerra não acabará por se converter num revés estratégico, em mais um prego no caixão do poder do petrodólar, sinalizando um novo marco do declínio do imperialismo na região.

Nesta épica contenda civilizacional, é hoje transparente de que lado está a barbárie e quem são os inimigos da Humanidade.

 



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